A confundadora do Nubank e CEO nos Estados Unidos, Cristina Junqueira, afirmou que o objetivo do grupo é conseguir a licença bancária nacional definitiva no país. A fintech anunciou nesta quinta-feira (10) a operação nos EUA usando os serviços de banking as a service (BaaS) do Lead Bank, mas espera ter a aprovação final até o ano que vem.
“Nosso objetivo é operar nosso próprio banco. Uma vez que obtivermos a licença, vamos fazer a transição ordenada, tranquila para os clientes”, comentou em entrevista coletiva. Segundo ela, o Lead Bank tem uma plataforma tecnológica avançada que permite ao Nubank fazer muitas coisas, e o mercado de BaaS nos EUA é muito maduro.
O fundador e CEO global, David Vélez, comentou que o foco inicial do Nubank é atrair entre 100 milhões e 150 milhões de clientes desbancarizados ou sub-bancarizados. Segundo ele, é natural o grupo começar mirando a comunidade hispânica nos EUA, que já está mais familiarizada com a marca, mas esse não é o único nicho em que eles vão operar. Questionado sobre a competição no mercado americano, inclusive com outras fintechs que estão indo para o país, como o Revolut, ele explicou que os maiores concorrentes ainda são os bancos tradicionais. “Existem muitas fintechs, mas elas não são concorrentes; 95% do sistema é dominado por incumbentes.”
Segundo ele, entre 60% e 70% dos depósitos no sistema bancário americano não são remunerados e, dos que são, a média é de 0,4%, enquanto a taxa de juros no país está entre 4,5% e 5%. Além disso, os clientes bancários pagam, em média, entre US$ 5 e US$ 15 por mês em tarifas. “Temos uma vantagem competitiva muita grande.” Junqueira ressaltou que os bancos americanos ainda estão expandindo a rede de agências físicas, o que aumenta o custo de servir. “Deus ajude que eles continuem assim”, brincou. Segundo ela, o custo de servir do Nubank é de cerca de US$ 1, enquanto o dos grandes bancos americanos chega a quase US$ 20.
Os executivos comentaram que, em função do câmbio, maior renda per capita, penetração do crédito e outros fatores, um cliente americano corresponde a quase dez clientes brasileiros, em termos de geração de receita. “10 milhões de clientes nos EUA equivale a 100 milhões de clientes no Brasil”, disse Vélez. Ele não quis se comprometer com datas, mas disse que atingir 10 milhões ou 20 milhões de clientes nos EUA no longo prazo é perfeitamente possível.
O Nubank tem dito que está disposto a sacrificar até 100 pontos-base do seu índice de eficiência para investir nos EUA, o que analistas calculam ser algo entre US$ 200 milhões e US$ 300 milhões. “Nos próximos 12 a 24 meses devemos ter um bom entendimento do ‘product market fit’ [adequação dos produtos ao mercado] e começaremos a escalar mais”, explicou.
Vélez ressaltou que o lançamento da conta global, que atenderá 35 países, é uma forma de o Nubank se aproximar de clientes de outros mercados e, eventualmente, expandir a atuação nesses países, inclusive obtendo uma licença bancária. “Começamos a criar o relacionamento para construir o relacionamento bancário completo.”
O CEO comentou que houve uma mudança no governo Trump e, agora, os reguladores americanos estão muito mais abertos à entrada de novos competidores no mercado. “Eles querem mais concorrência.” Segundo ele, como o Nubank pode comprovar ao longo dos seus 13 anos atuando na América Latina, essa é uma pauta que agrada tanto governos de direita como de esquerda; os primeiros pelo aspecto de estímulo à competição e inovação, e os segundos em função da inclusão financeira e menores custos. “Sempre tivemos um apoio muito consistente de reguladores e governos.”
Em termos de equipe, o Nubank está começando com um time mais enxuto nos EUA, entre 50 e 60 pessoas, e mais um número parecido para a conta global. “Sempre fazemos assim, começamos pequenos e vamos testando e escalando. No Brasil, começamos com 12 pessoas”, comentou Vélez.
Apesar da expansão para os EUA, o CEO disse que ainda há muita oportunidade de crescimento nos mercados atuais, como México, Colômbia e mesmo Brasil. “Nossa ARPAC [receita média por usuário] no Brasil é de US$ 17, a dos incumbentes é de US$ 45. Ainda podemos dobrar ou triplicar o Nubank só no Brasil.”
*O repórter viajou a convite do Nubank
Valor