‘Tesouraço perdeu as eleições e a meta deve ser a queda dos juros’, avalia Correia ao endossar Lara Resende

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) demonstrou apoio a um texto do economista André Lara Resende, que apontou os juros como causa central de possíveis desequilíbrios fiscais e cobra uma guinada do Banco Central em favor da redução dos juros, de 13,75% atualmente. “O tesouraço perdeu as eleições e baixar a taxa selic deve ser a meta”, escreveu o parlamentar na rede social X. 

“Apoio a proposta de baixar a taxa de juros, ao invés de fazer superávit com ajuste fiscal contra o povo”, afirmou Correia. “O texto de André Lara Rezende ajuda no debate”, acrescentou. 

Ao escrever a palavra “tesouraço”, Correia fez referência a um projeto estudado pela equipe do senador Flávio Bolsonaro (PL) caso ele fosse eleito presidente da República. As propostas integram um plano de redução das despesas públicas estimado em R$ 250 bilhões, equivalente a 2% do Produto Interno Bruto (PIB).

A ideia entre os aliados do ex-presidenciável da extrema direita seria eliminar investimentos mínimos obrigatórios em saúde e educação previstos na Constituição, e mudar normas de reajuste das aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e do Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Na disputa contra o presidente Lula (PT), o senador foi derrotado no segundo turno por 51,79% a 48,21%. Quem também manifestou apoio aos argumentos apresentados pelo economista foi a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR).

Outro deputado federal que fez cobranças pela redução dos juros foi Lindbergh Farias (PT-RJ). Selic, dívida e Banco Central

O economista André Lara Resende afirmou que a política de juros elevados do Banco Central é a principal responsável pelo agravamento do desequilíbrio fiscal brasileiro. O analista sugeriu que o BC mantém uma política monetária baseada em pressupostos teóricos ultrapassados.

O estudioso propôs a redução gradual da taxa básica de juros para 7,5% ao ano, aproximadamente, em um período de 12 meses.  Conforme destacou o analista, a dívida bruta do governo geral alcançou R$ 10,9 trilhões, equivalentes a 82,5% do PIB, e que seu custo médio chegou a 12,68% ao ano em junho de 2026.

Aplicada ao estoque da dívida, essa taxa representa uma despesa anual estimada em R$ 1,4 trilhão, ou 10,5% do PIB.  O diagnóstico também aponta uma diferença preocupante entre o ritmo de crescimento do endividamento e a expansão da economia.

Apenas pela incidência dos juros, a dívida bruta cresce 12,7% ao ano, enquanto o PIB nominal avança aproximadamente 7%, com crescimento real inferior a 3%. Essa diferença contribui para elevar continuamente a relação dívida/PIB. 

Juros e limites da teoria econômica convencional O economista Lara Resende questionou os fundamentos utilizados para justificar a manutenção de taxas de juros elevadas como instrumento indispensável ao controle da inflação, pois, em tese, quando o crédito fica mais caro, as pessoas têm menos poder de compra – neste cenário, os preços não podem subir. 

De acordo com o analista, os modelos empregados pelos bancos centrais passaram a atribuir importância excessiva às expectativas de inflação, sem esclarecer suficientemente os mecanismos pelos quais as decisões sobre juros determinariam o comportamento dos preços.  O estudioso destacou os efeitos econômicos e distributivos dessa política: o crédito mais caro compromete o consumo, dificulta o financiamento das empresas, reduz os incentivos ao investimento produtivo e amplia a transferência de renda para os detentores de títulos públicos, concentrados nas parcelas mais ricas da população.

Proposta prevê coordenação entre política fiscal e monetária A reorganização sugerida por Lara Resende inclui a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional, responsável por estabelecer objetivos coordenados para as contas públicas, a inflação e os juros em um horizonte de quatro a cinco anos.

O modelo contemplaria a racionalização da arrecadação e das despesas, além de uma faixa de referência para a Selic situada entre a meta inflacionária de 3% e o crescimento nominal potencial da economia, estimado em 5,5% ao ano.  A transição começaria com a redução gradual dos juros até aproximadamente 7,5%, incluindo uma margem temporária de segurança de dois pontos percentuais, que seria progressivamente eliminada.

Segundo o economista, juros menores, coordenação institucional e compromisso com a sustentabilidade da dívida podem recuperam a confiança na econômica. Ele sustentou que uma dívida pública crescente, na qual o custo supera continuamente a expansão da renda nacional, gera dúvida sobre sua capacidade de financiamento.

Juros altos comprometem a credibilidade fiscal que a política monetária pretende preservar, analisou. Apoio a proposta de baixar a taxa de juros, ao invés de fazer superávit com ajuste fiscal contra o povo.

O tesouraço perdeu as eleições e baixar a taxa selic deve ser a meta. O texto de André Lara Rezende ajuda no debate.

Rogério Correia (@RogerioCorreia_) November 2, 2026

Publicação Original Brasil 247 brasil247.com
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