O deputado estadual Jessé Lopes (PL) defendeu na tribuna da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), nesta terça-feira (3), que os alunos das escolas públicas “têm que filmar e gravar os professores, sim”. Para justificar, o deputado mostrou o áudio de um professor de Matemática de Penha que chama um aluno de “piazinho de porcaria” e pergunta se ele trabalha em um laboratório de cocaína.
Segundo Jessé, o áudio foi entregue pela mãe do estudante, que é menor de idade, e ela registrou boletim de ocorrência contra o professor. A fala foi nas breves comunicações da sessão ordinária, transmitida pela TV Alesc.
“Todo dia tem uma merda dentro das escolas, todo dia tem uma merda dentro da sala de aula”, disse Jessé. Para o deputado, professores “comprometidos” e “sérios” não teriam problema em ser filmados.
Durante o discurso, a TV Alesc exibiu o áudio com a identificação “Professor de Matemática de Penha/SC” e a caricatura de um burro de camiseta vermelha. Na gravação, o professor diz que a categoria passou quatro anos sem progressão “naquele governo” e conta que a mãe morreu de Covid porque “não tinha uma porra dum oxigênio no hospital”.
Ele também afirma: “É só isso que bolsonarista sabe falar, merda”. Em seguida, o professor se dirige ao aluno.
“Eu, particular, a gente discute lá fora. Aqui dentro, nós tamo aqui”, diz.
Depois, completa: “Muito menos você, um piazinho de porcaria aí que nem trabalha aonde?”. O estudante responde que trabalha em um laboratório, e o professor pergunta se o laboratório é de cocaína.
Depois do áudio, Jessé leu trechos do boletim de ocorrência. Segundo o relato da mãe, o professor costuma falar de política nas aulas, “manifestando posicionamento partidário”, e chama alunos de “extremistas” e de “bolsonaristas de merda”.
No dia dos fatos, conforme o documento, ele usava um colete vermelho. O boletim também diz que o professor chamou os familiares do aluno de “ranguento”, “que não valem nada” e “vagabundos”, e que afirmou que religiosos abrem igrejas “pra roubar dinheiro dos outros”.
Jessé chamou essa fala de intolerância religiosa. Ainda segundo o relato, o professor disse ao estudante: “Vamos resolver nosso assunto lá fora”.
Na tribuna, o deputado chamou o professor de “mentiroso” e “ingrato” pela crítica ao governo Bolsonaro e comparou o reajuste de 33% dado aos professores naquele governo com os 5,4% do governo Lula. Jessé disse ainda que é o mesmo professor que ele já tinha levado à tribuna por afirmar, em sala de aula, que não teria errado o tiro no atentado contra Donald Trump.
“Professor psicopata, covarde, arrogante, que não pode estar dentro da sala de aula”, disse Jessé. O deputado afirmou que vai montar um dossiê e levar pessoalmente à Secretaria de Educação.
Ele também vai lançar um abaixo-assinado para pedir que o professor seja tirado das escolas públicas de Santa Catarina. O nome do professor e o da escola não foram divulgados.
O espaço está aberto para manifestação do professor e da Secretaria de Educação. © Jornal Razão.
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