Na disputa pelo Senado em São Paulo, as duas principais campanhas derrotadas gastaram quase o mesmo que as duas vencedoras, mas tiveram quase 10 milhões de votos a menos. Simone Tebet, do PSB, e Marina Silva, da Rede, concorreram na chapa de Fernando Haddad, do PT, ao governo do estado. Já Guilherme Derrite, do PP, e André do Prado, do PL, os dois eleitos, faziam parte da chapa de Tarcísio de Freitas, do Republicanos, reeleito no primeiro turno. Tebet declarou R$ 6,7 milhões em despesas e teve 8,3 milhões de votos: R$ 0,81 por voto. Marina gastou R$ 2,7 milhões e recebeu quase 8 milhões de votos, o que dá R$ 0,35 por voto. Derrite, eleito com mais de 13 milhões de votos, gastou R$ 5,4 milhões, ou R$ 0,41 por voto. E Prado, o outro eleito, com 12,7 milhões de votos, declarou R$ 4,5 milhões em despesas: R$ 0,36 por voto. Somadas, as campanhas de Derrite e Prado gastaram cerca de R$ 10 milhões, contra R$ 9,5 milhões de Tebet e Marina. Os valores ainda podem subir. Os números são parciais, com base nas despesas declaradas ao TSE até 6 de outubro. As campanhas têm até 3 de novembro para entregar a prestação de contas final. Dinheiro e alinhamento Para o cientista político e professor da ESPM Paulo Niccoli Ramirez, o resultado combina os dois fatores. "É claro que o dinheiro pesou bastante, mas também o alinhamento", afirmou. Ao falar da chapa de Tarcísio de Freitas, que tinha Derrite e Prado como candidatos ao Senado, ele disse que "o peso de uma campanha com recursos abundantes facilita a maneira como a divulgação desse candidato é feita". Mas, segundo o professor, a parceria com Flávio Bolsonaro e a articulação entre as campanhas de Flávio e de Tarcísio "facilitou bastante a vida". "Não nos esqueçamos, também, que o bolsonarismo é um movimento que surge com força nas redes e, consequentemente, todos os políticos que passam a orbitar o nome de Bolsonaro, da família Bolsonaro, acabam tendo um desempenho acima do esperado e acima dos demais, sobretudo. Mesmo porque o apoio direto do Flávio Bolsonaro, ainda mais em estados conservadores como o de São Paulo, contribui para o fortalecimento desse tipo de candidatura", avaliou. Candidatos menores Entre os candidatos menores, chama a atenção a declaração de receitas de Geraldo Rufino, do Podemos, e de Soninha Francine, do Cidadania: R$ 6,5 milhões e R$ 5,6 milhões, respectivamente. As receitas são maiores até que a de um dos eleitos, André do Prado. Por enquanto, porém, Rufino declarou R$ 1,7 milhão em gastos, e Soninha, apenas R$ 150 mil. Governo de SP Na disputa pelo governo paulista, os dois candidatos mais votados aparecem em patamares parecidos. Tarcísio de Freitas, do Republicanos, gastou R$ 1,76 por voto, em uma campanha de R$ 25,5 milhões. Fernando Haddad, do PT, gastou R$ 1,66 por voto, com quase R$ 14 milhões em gastos.
Tebet e Marina gastaram quase o mesmo que Derrite e Prado, mas tiveram quase 10 mi votos a menos
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