Tarcísio usa articulação pró-Flávio para cacifar nome para 2030, mas teria de evitar que 'fim da reeleição' esfriasse

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Tão logo seu nome foi anunciado vencedor na corrida ao Palácio dos Bandeirantes, em 4 de outubro, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) mergulhou nas articulações por Flávio Bolsonaro (PL-RJ). No dia seguinte ao triunfo, embarcou para Brasília para amarrar os apoios de Republicanos, MDB, Podemos e do ex-presidenciável Ronaldo Caiado. Ao todo, participou de doze eventos com o candidato no segundo turno, incluindo um ato na Avenida Paulista, no domingo (18) — em comparação, fez cinco compromissos institucionais, dentro ou fora do Palácio dos Bandeirantes, até 20 de outubro. Segundo pessoas próximas, além de pretender se mostrar um articulador hábil, Tarcísio reforça seu nome nacionalmente de olho em 2030.

Caso Flávio vença, porém, o sonho do governador ficaria mais distante — a não ser que o aliado, na hipotética vitória, concretizasse a promessa de não disputar a reeleição. É justamente nessa questão, segundo pessoas próximas, que o governador vai mirar caso Flávio triunfe no domingo (25). De acordo com um aliado que convive com Tarcísio desde antes da eleição de 2022, o governador tentaria, ainda na possibilidade de vitória de Flávio, que o fim da reeleição já fosse tratado na transição dos governos, ou seja, antes da posse. Nesse entendimento, a ideia teria que "nascer ali" para que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) tramitasse no Congresso antes que o assunto "esfriasse".

Na semana passada, em evento em São Paulo, Flávio prometeu mais uma vez não disputar mais um mandato e sinalizou que a medida andaria o quanto antes, mas sem ser específico. – Ele (Lula) está disputando o poder, gente. Eu não. Eu estou disputando o futuro do meu Brasil. E é por isso que eu assinei o compromisso e eu vou usar a força, o capital político do presidente da República recém-eleito, para acabar com a reeleição – disse Flávio, que estava ao lado de Tarcísio. Ele chegou a citar a pretensão do governador em disputar a eleição presidencial este ano, mas não mostrou o aliado como seu possível sucessor.

Sem pular etapas Ao mesmo tempo em que veem Tarcísio viável para a eleição de 2030, aliados do governador e de Flávio ouvidos pelo GLOBO têm a mesma opinião: de nada adianta mirar Brasília sem concluir os projetos em São Paulo. Segundo um integrante da campanha do senador, oito anos de gestão, como ocorrerá no estado, são suficientes para qualquer governante deixar sua marca, mas o período também pode resultar em um "acúmulo de problemas".

Além disso, há o histórico de ex-governadores tucanos que governaram São Paulo por três décadas, mas fracassaram em empreitadas nacionais, caso de Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra, que se candidataram e perderam, e João Doria, que nem chegou a levar a candidatura adiante.

Um deputado da base de Tarcísio na Alesp avalia que os segundos mandatos de governadores são mais difíceis que os primeiros, por variados motivos, e com Tarcísio a escrita poderá se repetir, sobretudo se ele não conseguir entregar projetos-chave da primeira gestão, como a universalização do saneamento básico até 2029. A isso se somam outras promessas importantes, como entregas de linhas de metrô — há planos de interligar pela primeira vez São Paulo a Guarulhos e Taboão da Serra — e a construção do novo centro administrativo, na região da antiga Cracolândia, entre outros.

Antes de entregar o que prometeu, o governador reeleito com 14,9 milhões de votos tem outras missões. Ainda de acordo com um aliado, ele vai precisar "redesenhar politicamente seu governo", abrindo mais espaço para legendas que o ajudaram na reeleição, como PL e MDB. Ao mesmo tempo, segue distante de Gilberto Kassab, o que deve resultar em perda de espaço do PSD no governo.

Entre as possíveis mudanças de secretarias estão a da Saúde, Segurança Pública, Governo, Meio Ambiente e Casa Civil. Sobre essas duas últimas pastas, a secretária Natália Resende, um dos nomes mais ligados a Tarcísio e à frente do Meio Ambiente, pode passar a ocupar a Casa Civil, a despeito de ser reconhecida internamente pelo seu perfil técnico, não político, recomendável para o posto.

Também estarão no radar de Tarcísio a escolha do novo presidente da Alesp, em março, e a sucessão de Ricardo Nunes (MDB) na prefeitura paulistana, daqui a dois anos. Nunes é um dos cotados para se candidatar ao Palácio dos Bandeirantes em 2030, mas antes precisará eleger um escolhido dele — e de Tarcísio na capital paulista. Mais uma das etapas a se empenhar antes de uma aventura presidencial.

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