Eleito para seguir à frente do governo de São Paulo por mais quatro anos a partir de 2027, Tarcísio de Freitas (Republicanos) deve fazer alterações pontuais no seu secretariado. Mas só depois do segundo turno, período em que ele estará focado em ajudar Flávio Bolsonaro (PL) a vencer a eleição presidencial.
Passado 25 de outubro, o governador vai se dedicar à reforma de seu secretariado. Segundo aliados, boa parte dos atuais auxiliares deve permanecer, pois já houve mudanças no início do ano, quando titulares de algumas pastas deixaram seus cargos para disputar eleições.
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À frente da Secretaria da Segurança Pública a tendência é manter o delegado Osvaldo Nico Gonçalves, que assumiu em novembro. Mas o número dois da pasta, o coronel Henguel Ricardo Pereira, também é cotado para comandar a secretaria.
O mais importante, diz uma pessoa próxima ao governador, é que a gestão mantenha a linha “menos politizada”, adotada no último ano e muito diferente da que havia sido imposta por Guilherme Derrite (PP) — agora eleito senador —, que foi secretário entre janeiro de 2023 e novembro de 2025.
Tanto Nico quanto Henguel são considerados capazes de dialogar com diversos setores — das tropas das polícias Militar e da Civil ao Judiciário e o Ministério Público —, argumentam integrantes do governo. Ambos também não têm pretensões eleitorais, o que nunca foi o caso de Derrite e que acabou desgastando a relação do ex-secretário com o governador.
“Supersecretária” A Secretaria de Saúde também deve sofrer mudanças.
Nos bastidores, há críticas à gestão de Eleuses Paiva e, inclusive, queixas sobre suposto uso político do cargo para eleger seu filho, Eleuses Paiva Filho, que disputava uma cadeira na Câmara dos Deputados — mas não foi eleito. Eleuses é filiado ao PSD, partido que apoiou Tarcísio em 2022 e que foi o mais contemplado com cargos durante o primeiro mandato.
O novo titular da Saúde ainda não foi escolhido. Um opção seria Luiz Carlos Zamarco, que hoje é secretário municipal de Saúde da capital.
No segundo mandato, Tarcísio deve dar menos espaço ao PSD. O governador se afastou do presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, que ocupou o cargo de secretário de Governo e Relações Institucionais, responsável pela articulação política.
Apesar de ter apoiado a reeleição de Tarcísio, Kassab deixou o cargo para disputar a vice-presidência na chapa de Ronaldo Caiado (PSD) e não voltará ao Palácio dos Bandeirantes. A secretaria deve continuar sob o comando de Roberto Carneiro, presidente estadual do Republicanos.
Ele assumiu o posto depois da saída de Kassab, mas se licenciou em julho para atuar na campanha à reeleição de Tarcísio. A atual secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, considerada a “supersecretária” de Tarcísio, deve ganhar ainda mais protagonismo a partir do ano que vem.
Segundo apurou O GLOBO, Natália pode assumir a Casa Civil — embora pese o fato de ela ser um quadro técnico e não político. A secretária ganhou força ao longo do primeiro mandato por tocar a privatização da Sabesp e projetos na área de infraestrutura e recuperação do Rio Tietê.
Tarcísio confia tanto nela que a escolheu para coordenar seu programa de governo para a reeleição. Nomes técnicos
Desde que foi eleito pela primeira vez, o governador diz que procura manter um secretariado “técnico” e tenta blindar indicações políticas em algumas pastas, o que inclusive já lhe rendeu críticas no meio partidário. A poucos dias do primeiro turno, ele convenceu Ricardo Salles (Novo) a desistir da disputa pelo Senado e apoiar a chapa de Derrite e André do Prado (PL), que acabaram eleitos.
Salles já disse que a desistência não envolveu a negociação de cargos políticos, mas ele não fechou as portas para uma eventual participação no governo.
O Globo