Suspeito de fraudes em pacotes de viagens internacionais é citado em 41 inquéritos no RJ, diz polícia

 

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Apontado como gestor da empresa Outsider Turismo, investigada em um esquema de fraudes envolvendo pacotes de viagens internacionais para eventos esportivos, Fernando Sampaio de Souza e Silva, é citado em 41 inquéritos policiais instaurados em delegacias do Estado do Rio de Janeiro. O levantamento foi feito pelo delegado Wellington Vieira, da Decon.

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Segundo o delegado, só na especializada há oito investigações referentes a queixas apresentadas por pessoas que se sentiram lesadas ao comprar pacotes vendidos em lojas ou pela internet.

Delegado Welington Vieira com ingressos suspeitos de serem falsos. Material foi apreendido

Marcos Nunes/Agência O GLOBO

Nesta segunda-feira, a Decon deflagrou a Operação Cartão Vermelho para cumprir mandados de busca e apreensão em endereços ligados à Outsider no Centro do Rio, na Barra da Tijuca, no Leblon, em Botafogo e na Ilha do Governador. Segundo a polícia, em alguns casos, a empresa vendeu pacotes turísticos com passagens aéreas, hospedagem e ingressos para partidas de futebol no exterior, mas não entregou os serviços contratados pelas vítimas ou executou apenas parte deles.

Segundo o delegado, em um dos casos investigados, uma família pagou R$ 50 mil por um pacote. Fernando é investigado por estelionato e crimes contra o consumidor.

Material apreendido durante a Operação Cartão Vermelho

Reprodução

— Em todos os inquéritos, a Outsider é a pessoa jurídica que fechou o contrato, e Fernando é o gestor. Em um dos casos, uma família — pai, mãe e dois filhos — comprou um pacote para viajar e assistir a uma final da Libertadores, em 2022. Ao chegar ao destino, verificaram que os ingressos eram falsos. Além disso, a hospedagem também estava "furada",ou seja não havia hospedagem. Só conseguiram, de fato, a passagem aérea. Temos oito inquéritos instaurados aqui em que a empresa é investigada. Se fizermos um cálculo de R$ 50 mil por cada pacote, oito vezes 50 mil resulta em um prejuízo estimado em torno de R$ 400 mil — disse o delegado.

Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, a polícia apreendeu notebooks, um celular e ingressos suspeitos de serem falsos, referentes à final da Libertadores de 2022, em Guayaquil, no Equador. Uma pessoa, que seria diretor da Outsider, chegou a ser conduzida à Decon, onde foi ouvida e liberada.

Segundo a Polícia Civil, Fernando Sampaio, principal alvo da Operação Cartão Vermelho, responde a cerca de 600 processos, entre ações criminais e civis, espalhados por diferentes unidades federativas do país.

De acordo com o delegado Wellington Vieira, o suspeito chegou a ser preso recentemente em Balneário Camboriú, em Santa Catarina, em razão de um mandado de prisão expedido pela Justiça do Pará. Fernando, no entanto, está em liberdade desde abril.

De acordo com o delegado da Decon, além dos mandados de busca e apreensão, a Justiça autorizou o bloqueio de R$ 76 mil da empresa. A medida determinou ainda, entre outras providências, a suspensão das atividades comerciais da Outsider e a quebra dos sigilos telefônico e telemático. A previsão é de que Fernando Sampaio seja ouvido pela polícia nos próximos dias.

Procurada, a defesa de Fernando Sampaio informou que a Outsider Turismo faliu e não funciona desde fevereiro. Segundo os advogados Felipe Raúl Haas e Fernando Martins Xavier de Almeida, que defendem os interesses do suspeito, Fernando pretende ressarcir quem foi lesado. Isso já foi feito com uma pessoa no Pará, e há conversas para que o mesmo ocorra com um lesado no Distrito Federal. Abaixo, a íntegra da nota enviada:

“A defesa técnica de Fernando Sampaio, composta pelos advogados Felipe Raúl Haas e Fernando Martins Xavier de Almeida, vem a público esclarecer que recebeu com serenidade as medidas recentemente cumpridas no âmbito da denominada ‘Operação Cartão Vermelho’.

Desde o primeiro momento, Fernando colocou-se integralmente à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários, reafirmando seu compromisso com a legalidade, com a transparência empresarial e com o devido funcionamento das instituições.

É importante destacar que, até o presente momento, não há qualquer decisão judicial condenatória, tampouco reconhecimento formal de responsabilidade penal. A investigação encontra-se em fase inicial, razão pela qual a defesa considera indispensável cautela na divulgação de informações e absoluto respeito às garantias constitucionais da presunção de inocência, do contraditório e da ampla defesa.

A defesa ressalta ainda que não compactua com prejulgamentos ou conclusões antecipadas baseadas exclusivamente em narrativas investigativas unilaterais, sobretudo em procedimentos ainda em curso e sob sigilo parcial.

Após análise integral dos autos e dos elementos efetivamente produzidos na investigação, a defesa adotará todas as medidas jurídicas cabíveis para o completo esclarecimento dos fatos e para a preservação dos direitos e da imagem de Fernando Sampaio.

Por fim, a defesa reforça sua confiança nas instituições e no Poder Judiciário, acreditando que a verdade será restabelecida ao final da apuração oficial.”