O eleitorado impõe uma educativa derrota a Trump A mascote do Partido Democrata é um burro.
A do Republicano, um elefante. Enorme e descontrolado paquiderme no meio da principal sala do planeta, Donald Trump precisará de tempo para se refazer do coice nas eleições de meio mandato da terça-feira 3.
A onda azul democrata inundou o país de Norte a Sul, de Leste a Oeste, e rompeu os diques de antigos bastiões republicanos. Mesmo sem a conclusão da contagem de votos até o fechamento desta edição, na manhã da quinta-feira 5, restavam nítidas as folgadas maiorias obtidas pela oposição na Câmara dos Deputados e no Senado que poderiam ainda ser ampliadas.
Uma derrota como há muito não se via e que o ocupante da Casa Branca teimava em não assumir, ao preferir jogar a responsabilidade sobre as costas dos aliados. “Eu teria vencido se estivesse na cédula”, afirmou, em clara desconexão com os fatos, o presidente dos Estados Unidos.
Trump se mostrou especialmente irritado com a rede de tevê Fox News, porta-voz das políticas do Make America Great Again, pelo fato de a emissora supostamente ter dado espaço demasiado aos adversários em seus noticiários. Visivelmente descontrolado e usualmente misógino, o mandatário insultou a apresentadora Jessica Tarlov, uma das estrelas do canal.
“Burra como uma pedra”, escreveu na Thruth Social. Ao New York Times, adotou um tom mais conciliador e afirmou estar “absolutamente disposto a aceitar esses resultados”.
Mais: “Vamos trabalhar com os democratas e, sabe, esperamos trabalhar com eles. Provavelmente, chegaremos a um acordo”.
Com a oposição no controle das duas Casas Legislativas, o comportamento imperial de Trump, tanto interna quanto externamente, tende a ser contido. A mudança impõe obstáculos em temas até agora prioritários, entre eles o financiamento de guerras, a imposição de tarifas a produtos estrangeiros e a caça desenfreada a imigrantes.
O republicano terá não só mais dificuldades para atropelar os ritos institucionais – começar, por exemplo, um confronto internacional sem o aval do Congresso. Também enfrentará obstáculos para nomear apaniguados em tribunais e em outros cargos públicos.
O poder de coerção será controlado em alguma medida. Os democratas avançaram sobre antigos bastiões dos republicanos, sinal da enorme frustração dos eleitores
A dimensão da ruptura do eleitorado com o trumpismo teve no Texas a sua mais perfeita tradução. No principal reduto republicano do país, estado onde se esconde o foragido ex-deputado brasileiro Eduardo Bolsonaro, o democrata James Talarico conquistou uma cadeira no Senado e a sua correligionária Gina Hinojosa, de ascendência mexicana, derrotou Greg Abbott na disputa pelo governo estadual.
Até esta eleição, os democratas não venciam uma disputa para o Senado na região desde Lloyd Bentsen, em 1988, antes mesmo de Talarico ter nascido. Hinojosa, por sua vez, tornou-se a primeira democrata eleita governadora desde Ann Richards, em 1990.
A vitória encerra uma sequência de governos republicanos iniciada em janeiro de 1995, quando George W. Bush assumiu o cargo.
Mais que duas cadeiras conquistadas, o resultado rompe uma hegemonia de três décadas em um estado que reúne a fina flor do reacionarismo norte-americano. A virada no Texas se estendeu pelo Sul e pelo Meio-Oeste. Na Carolina do Norte, Roy Cooper recuperou uma cadeira no Senado conquistada pelos republicanos em 2014.
Na vizinha Carolina do Sul, Annie Andrews tornou-se a primeira mulher eleita pelo estado ao Senado e garantiu a primeira vitória democrata na disputa desde 1998. No Kansas, a ida de Adam Hamilton para o Senado ampliou a dimensão histórica da noite: o democrata rompeu um jejum de 94 anos sem vitórias do partido nas disputas pela Casa no estado.
Na Geórgia, além da reeleição do senador Jon Ossoff, a agremiação conquistou o governo com Keisha Lance Bottoms, primeira mulher negra eleita governadora nos Estados Unidos e a primeira democrata a vencer a disputa estadual em 28 anos. Em Ohio, Amy Acton tornou-se a primeira mulher eleita governadora, assegurando a inédita vitória democrata para o cargo em duas décadas. Os brasileiros também fizeram bonito: os seis candidatos, todos democratas, tinham a vitória confirmada na madrugada da quarta-feira 4, entre eles Felipe Sousa Lazaballet (entrevista à pág.
14), na Flórida, e Lorena Betts, em Massachusetts. Após a perseguição da polícia de imigração, os latinos abandonaram o Partido Republicano.
O asilo a Flávio Bolsonaro pegou muito mal – Imagem: Brandon Bell/AFP e Redes Sociais Dados nacionais apresentados pela CNN ainda na noite da terça indicavam que o avanço do Partido Democrata veio acompanhado de uma erosão da base que reelegeu Trump.
Os republicanos perderam apoio entre homens de 18 a 29 anos e eleitores latinos, além de verem encolher suas margens de vantagem nas áreas rurais. Segundo o jornal The New York Times, os democratas venceram mais de três disputas pelo Senado em estados nos quais Trump havia ganhado por mais de 10 pontos de diferença em 2024, feito que nenhuma legenda obtivera desde 2010.
Na Câmara, a vantagem democrata pode chegar a 12 pontos porcentuais, a maior desde 1982, se confirmada. Ao celebrar o resultado, Hakeem Jeffries, líder do partido na Câmara dos Representantes, apresentou a vitória como uma rejeição ao extremismo e à corrupção, e prometeu uma atuação voltada à redução do custo de vida e em defesa da saúde.
“Vamos lutar duro para garantir que cada americano possa pagar uma consulta médica quando precisar. E vamos lutar para reverter esses dolorosos cortes no Medicaid”, afirmou em entrevista coletiva.
O impacto das midterms ultrapassa, porém, as fronteiras do país. A perda de controle de Trump sobre o Congresso consolida um revés para a extrema-direita internacional.
O freio imposto ao republicano soma-se ao desgaste de outros expoentes ultraconservadores pelo mundo: Benjamin Netanyahu viu sua coalizão perder a maioria no Parlamento em Israel, enquanto Flávio Bolsonaro foi derrotado por Lula na disputa presidencial brasileira há duas semanas.
Os dois não apenas sofreram derrotas em seus países, mas, cada um à sua maneira, contribuiu para o desgaste do aliado. Enquanto o apoio bilionário ao governo de Netanyahu, que Trump agora promete cortar, alimentou críticas de norte-americanos às prioridades da Casa Branca, o asilo ao filho “zero um” de Jair Bolsonaro virou munição nas mãos dos democratas na reta final da campanha. O senador desembarcou na Flórida, na quarta-feira 28, após descumprir ordem do Supremo Tribunal Federal para entregar os passaportes.
Embora o secretário de Estado, Marco Rubio, tenha negado envolvimento direto na fuga, a rapidez na liberação da entrada e a acolhida ao senador expuseram a contradição da política migratória do governo: enquanto deporta trabalhadores e famílias de imigrantes comuns, concede vistos automáticos a políticos estrangeiros “amigos” investigados por corrupção.
A alta dos combustíveis produziu um efeito cascata – Imagem: Finn Gomes/AFP Aliás, a mesma retórica contra a imigração serviu de pretexto para a Casa Branca tentar interferir na eleição até o último minuto.
A Suprema Corte rejeitou uma ação emergencial do Departamento de Justiça para obrigar a Califórnia a separar e descartar mais de 20 mil votos pelo correio, sob a acusação infundada de que seriam de eleitores sem cidadania. Nem a investida judicial nem a montanha de dinheiro despejada salvaram o Partido Republicano.
A eleição mais cara da história do país consumiu cerca de 10 bilhões de dólares apenas em propaganda. O magnata Elon Musk, homem mais rico do planeta, repassou quase meio bilhão à campanha republicana.
Grande parte dessa generosa contribuição foi direcionada a candidaturas no Texas. Dinheiro jogado pela janela, vê-se diante dos resultados.
A vitória encerra lições também para os democratas. A porção conservadora, quase republicana, da legenda precisa, tanto quanto Trump, entender a demanda dos eleitores.
Houve um avanço considerável das alas mais à esquerda, sob a inspiração de Zohran Mamdani, prefeito de Nova York que emerge da disputa como um polo de poder na agremiação. Apesar de não estar nas urnas, Mamdani tornou-se o mais bem-sucedido cabo eleitoral.
Os três principais candidatos apoiados por ele, Brad Lander, Claire Valdez e Darializa Chevalier, foram eleitos, resultado que levará a Washington aliados de sua plataforma e ampliará a presença dos chamados socialistas na bancada democrata. Abdul El-Sayed, eleito senador por Michigan: “Mostramos que, numa batalha entre o dinheiro e a maioria, a maioria pode vencer”
Às 2 da manhã da quarta-feira 4, em Michigan, Abdul El-Sayed celebrou a conquista do Senado numa disputa acirrada. Na reta final de sua campanha, El-Sayed enfrentou a deserção da deputada Haley Stevens, derrotada por ele na primária democrata, que passou a apoiar o republicano Mike Rogers.
Aos apoiadores, o eleito afirmou que os adversários gastaram mais de 350 milhões de dólares para derrotá-lo nas duas etapas da eleição. “Construímos algo maior do que uma conta bancária.
Construímos um movimento. Mostramos que, numa batalha entre o dinheiro e a maioria, a maioria pode vencer.”
A declaração ecoa a visão de outro vencedor. James Talarico, ao celebrar o resultado no Texas, acusou bilionários de estimular divisões internas para preservar seus privilégios.
“A verdadeira luta neste país não é entre a esquerda e a direita”, afirmou. “Eles nos querem divididos porque a nossa união é uma ameaça à riqueza e ao poder deles.
É a estratégia mais antiga do mundo, dividir para conquistar. Mas, nesta noite, enviamos uma mensagem muito clara a quem está no topo: não seremos dominados.”
Mamdani sai vitorioso. El-Sayed e Talarico são os novos rostos democratas.
E Musk jogou dinheiro pela janela – Imagem: Redes Sociais, Jack Kowalski/AFP e Prefeitura de Nova Iorque Como no Brasil, onde Lula venceu em meio a denúncias de favorecimento de Flávio Bolsonaro pelas plataformas da Meta e a decisões controversas dos ministros André Mendonça e Kassio Nunes Marques, do Tribunal Superior Eleitoral, o resultado norte-americano impõe outro revés à extrema-direita e aos bilionários das big techs.
O recorde de 61,7 milhões de votos antecipados revela a força da mobilização popular, embora ainda seja cedo para afirmar que a participação total tenha crescido em relação a outras eleições. A derrota republicana não desmonta de imediato a estrutura de dinheiro, influência e interesses em torno do trumpismo, mas cria obstáculos à escalada autocrática.
A Casa Branca fica sem o poder absoluto, mas continuará a ter muito poder. E os valores democráticos ganham uma sobrevida.
• Candidato na Flórida, o brasileiro Felipe Sousa Lazaballet descreve sua trajetória até as urnas – Imagem: Redes Sociais
Imigrante, ativista, Felipe Sousa Lazaballet avalia sua vitoriosa campanha a deputado pela Flórida e as perspectivas do Partido Democrata. Ele é um dos sete brasileiros eleitos no país.
CartaCapital: O senhor esteve em campanha desde fevereiro de 2025. O que mais o surpreendeu sobre as prioridades dos eleitores? Felipe Sousa Lazaballet: A forma como a discussão sobre a imigração passou a ser tão contundente no Distrito 42.
Falo de eleitores que, em sua maioria, são cidadãos norte-americanos. Então, me surpreendeu bastante ver tantos deles realmente preocupados, não só com a forma como as deportações estão sendo feitas ou como os imigrantes estão sendo tratados, mas reconhecendo que os direitos estão sendo violados.
Mas existem outras grandes inquietações. A educação pública é a principal delas.
No condado de Orange, onde estou, várias escolas fecharam, quase cem professores foram demitidos por causa de cortes de verbas. O preço do imóvel é outra pauta importante. Infelizmente, o custo de vida está muito alto e o sonho americano cada vez mais difícil de ser alcançado.
CC: O senhor fala sobre o custo de vida e a moradia, bandeiras que foram levantadas pelo prefeito de Nova York, Zohran Mamdani. A campanha dele foi uma referência? FSL: Sem dúvida.
O prefeito Mamdani nos ensinou que é possível se candidatar com uma pauta progressista e voltada às pautas dos trabalhadores. E ele não somente foi eleito, mas trabalha na prefeitura de Nova York em várias iniciativas que foram promessas de campanha.
Eu me emocionei muito quando ele ganhou, assim como muitos outros eleitores. E, sim, realmente fui inspirado por ele. Sabe, a minha campanha tocou em 42 mil portas, falamos com milhares de eleitores, e a expressão “acessibilidade” foi uma das pautas mais abordadas.
Os eleitores querem moradia e educação. Por isso estou focado nisso, e sei que essa é uma necessidade daqui e temos de arrumar uma maneira de criar progresso.
CC: O senhor chegou nos EUA em 2001, mas só conseguiu regularizar a sua situação 15 anos depois. Ainda assim, muito antes disso, lutava pelo direito dos imigrantes, correndo o risco até de ser deportado.
O que o fez decidir que valia a pena se expor tanto? FSL: Olha, quando você se engaja em um movimento social a favor de qualquer comunidade marginalizada, neste caso os imigrantes, a primeira coisa que você aprende é que não existe mudança social sem sacrifício. Sem isso não há como realmente mudar as coisas. Eu comecei a atuar quando ainda era muito jovem.
Comecei a me engajar por volta dos 20 anos, e foi ali que teve início o meu processo de empoderamento. Aprendi, no Dreamers, que pessoas comuns podem criar grandes movimentos.
Foi ali que encontrei a minha voz e me fortaleci. Sabe, quando você faz parte de um movimento social, passa a lidar com altos e baixos.
Você vê pessoas sendo deportadas e outras tantas sofrendo em centros de detenção. Então, evidentemente, não é um caminho fácil, mas eu nunca quis desistir, porque isso significaria deixar para trás aqueles que estão sofrendo.
E esse preço eu nunca quis pagar. Donald Trump foi o grande derrotado das eleições de meio de mandato.
Isso não significa, necessariamente, que o Partido Democrata tenha sido seu grande vencedor. A distinção é fundamental para compreender tanto a dimensão da derrota presidencial quanto os limites da reação eleitoral ao trumpismo.
Ao tentar personalizar as midterms, chegando a defender a inclusão de seu nome nas cédulas eleitorais, Trump transformou a disputa em um referendo sobre seu governo. O eleitorado respondeu com uma contundente manifestação de descontentamento, confirmando uma máxima clássica da ciência política: eleições de meio de mandato funcionam como um julgamento da popularidade presidencial, do desempenho econômico e do desejo de contrabalançar o poder do partido que ocupa a Casa Branca.
A dimensão da virada legislativa remete às grandes ondas de punição eleitoral ao partido presidencial, especialmente àquela observada após Watergate, que precipitou a queda de Richard Nixon. Mas, apesar da instabilidade institucional produzida por Trump, o recado mais significativo das urnas foi econômico.
A promessa central da campanha de 2024, a affordability, recuperação do poder de compra das famílias norte-americanas, não se materializou na percepção de grande parte do eleitorado. A guerra contra o Irã, com seus efeitos sobre os preços da energia, e a política tarifária, que pressionou custos e preços, aprofundaram a frustração econômica.
Existe uma contradição particularmente reveladora. Eleito sob a bandeira do America First, com a promessa de priorizar os interesses domésticos e reduzir o envolvimento em guerras externas custosas, Trump dedicou enorme energia e recursos à agenda internacional, em detrimento das promessas econômicas dirigidas ao eleitor.
Os democratas souberam explorar essa contradição. Em vez de restringir a campanha à defesa abstrata da democracia ou à condenação moral do trumpismo, concentraram-se no custo da alimentação, da moradia, dos combustíveis e dos serviços de saúde.
Traduziram o descontentamento em problemas concretos do cotidiano. Dois outros elementos tornam esse resultado especialmente significativo.
O primeiro é o limite do gerrymandering, o redesenho de distritos eleitorais para favorecer determinadas candidaturas. Mesmo diante de mapas favoráveis aos republicanos, em alguns casos prejudiciais à representação de minorias, a insatisfação popular conseguiu superar vantagens estruturais.
O segundo é o limite do dinheiro na competição eleitoral. O protagonismo de Elon Musk como grande financiador individual, os gastos republicanos de centenas de milhões de dólares e o volume extraordinário de recursos em disputas como Texas, Michigan e Kansas não foram suficientes para neutralizar a insatisfação.
O dinheiro compra exposição, publicidade e estrutura partidária. Não transforma, por si só, frustração econômica em aprovação política.
Para o Brasil, as implicações dessa nova configuração são particularmente relevantes. Em 2027, teremos um presidente de centro-esquerda diante de um Congresso majoritariamente conservador.
Nos Estados Unidos, a composição será quase inversa: um presidente da direita radical e um Legislativo controlado por uma coalizão democrata que reúne progressistas e liberais moderados. Essa assimetria pode abrir oportunidades de interlocução que ultrapassam as afinidades ideológicas entre governos.
O caso de Flávio Bolsonaro é ilustrativo. Em 30 de outubro, 25 congressistas democratas, liderados por Sydney Kamlager-Dove e Dina Titus, solicitaram explicações a Marco Rubio sobre a eventual participação de autoridades norte-americanas na saída do senador do Brasil e sua entrada nos Estados Unidos, apesar das restrições judiciais brasileiras noticiadas.
Uma maioria democrata poderá aprofundar a fiscalização sobre decisões migratórias, comunicações diplomáticas e eventual assistência governamental. Não poderá determinar unilateralmente uma extradição ou deportação, mas poderá transformar uma controvérsia bilateral em investigação institucional sobre a conduta da própria administração interna.
Por isso, considero estrategicamente limitado que Brasília concentre sua atuação exclusivamente na interlocução presidencial com Trump. Essa reflexão exige uma mudança de perspectiva da esquerda brasileira, particularmente do Partido dos Trabalhadores.
A desconfiança histórica em relação aos Estados Unidos é compreensível, diante do intervencionismo norte-americano na América Latina e do apoio de Washington ao golpe de 1964 e à ditadura. Essa memória é legítima.
Mas transformá-la em uma interpretação dos EUA como país ator político homogêneo seria um erro estratégico. A política norte-americana não se resume à Casa Branca.
O Congresso, o Judiciário, os governos estaduais e diferentes correntes partidárias podem adotar posições profundamente divergentes do presidente. O governo Lula precisa distinguir a crítica legítima ao intervencionismo da capacidade de construir alianças institucionais na própria democracia dos Estados Unidos.
*Gisele Agnelli é cientista política e cofundadora da Agnelli & Bauer Strategies Publicado na edição n° 1438 de CartaCapital, em 11 de novembro de 2026.
Este texto aparece na edição impressa de CartaCapital sob o título ‘Strike’ Clarissa Carvalhaes Colaboradora correspondente de 'CartaCapital' em Nova York
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