Startup desenvolve 'polvo espacial' que promete rebocar satélites e retirar lixo da órbita da Terra

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Uma startup norte-americana está desenvolvendo uma espécie de guincho espacial capaz de capturar satélites desativados, deslocar equipamentos e retirar detritos da órbita terrestre. Para realizar essas tarefas, a tecnologia combina características encontradas em polvos e lagartixas. Chamado REACCH, o sistema foi criado pela KMI Space e possui oito braços articulados que se desenrolam ao redor dos objetos como tentáculos. Como conseguem se adaptar a diferentes formatos, os braços poderiam segurar desde satélites inteiros até componentes de foguetes que permanecem circulando a Terra. A superfície dos braços possui pequenas estruturas adesivas inspiradas nas patas das lagartixas. Elas aumentam a área de contato e permitem que o equipamento se fixe a diferentes materiais sem utilizar cola nem deixar resíduos. O mecanismo também pode se soltar ao ser movimentado na direção oposta. A tecnologia não precisa envolver completamente o objeto. Depois de estabelecer pontos de contato suficientes, o veículo pode empurrá-lo, rebocá-lo para outra órbita ou conduzi-lo a uma trajetória de reentrada na atmosfera, onde os detritos seriam destruídos. A startup foi fundada por Adam Kall e Troy Morris com o objetivo de desenvolver veículos capazes de prestar serviços em órbita. Além de retirar lixo espacial, o sistema poderá movimentar satélites, leva-los a estações de reabastecimento e distribuir materiais para futuras fábricas espaciais. Suni Williams, astronauta aposentada da Nasa, com o sistema REACCH na ISS Reprodução/Nasa Tecnologia foi testada no espaço Uma versão reduzida do REACCH, com quatro braços, foi enviada à Estação Espacial Internacional (ISS) e instalada no Astrobee, um pequeno robô que se movimenta livremente no interior do laboratório orbital. Durante cinco meses, os astronautas realizaram 172 tentativas de captura. Os testes envolveram alvos parados, em movimento e girando, além de diferentes velocidades, ângulos de aproximação e tipos de superfície. De acordo com o Laboratório Nacional da ISS, o equipamento apresentou bom desempenho na maioria das situações. Superfícies texturizadas ou ligeiramente flexíveis foram capturadas com mais facilidade, enquanto materiais duros e lisos representaram maior dificuldade. Os resultados estão sendo utilizados para aperfeiçoar o sistema. A KMI pretende lançar em 2027 a nave Laelaps, equipada com a versão completa do REACCH e seus oito braços. A missão deverá testar a captura e o deslocamento de objetos reais em órbita. A tecnologia ainda não está pronta para realizar operações comerciais, mas busca enfrentar um problema crescente: milhões de objetos produzidos pela atividade humana circulam ao redor da Terra, incluindo satélites inativos e fragmentos de foguetes. Como se deslocam em altas velocidades, mesmo pequenos componentes podem danificar equipamentos utilizados em comunicações, GPS, previsão do tempo e pesquisas científicas. Mais Lidas

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