Starmer promete aproximar Reino Unido da UE e tenta conter pressão para renunciar
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, prometeu nesta segunda-feira (11) provar que os "céticos" dentro do seu próprio partido e no eleitorado em geral estão errados, enquanto tenta conter as pressões para deixar o cargo após resultados devastadores para o Partido Trabalhista nas eleições locais.
Starmer afirmou que vai "encarar de frente os grandes desafios" e restaurar a "esperança" no país. Isso inclui se aproximar da União Europeia e "colocar o Reino Unido no coração da Europa", uma década depois de o país ter votado pela saída do bloco.
"Eu sei que tenho meus céticos e sei que preciso provar que eles estão errados, e eu vou provar", disse Starmer durante um discurso em Londres. Ele prometeu mostrar a milhões de pessoas "cansadas de um status quo que falhou com elas" que o governo está ao seu lado.
Ele disse que o Partido Trabalhista está em "uma batalha pela alma da nossa nação" e que o Reino Unido seguirá por "um caminho sombrio" se o Reform UK - partido anti-imigração liderado por Nigel Farage - chegar ao poder.
Starmer é alertado de que esta pode ser sua última chance
A posição de Starmer, contudo, é frágil, com dezenas de parlamentares pedindo que ele anuncie uma data para sua saída.
A vice-primeira-ministra Angela Rayner, uma parlamentar influente frequentemente vista como possível desafiante, disse que "o que estamos fazendo não está funcionando, e precisa mudar".
Rayner não pediu explicitamente que Starmer renuncie, mas o acusou de presidir "uma cultura tóxica de favorecimento a aliados" e afirmou que o governo precisa "permanecer fiel aos valores trabalhistas e social-democratas" e aliviar o custo de vida para os trabalhadores.
"Esta pode ser nossa última chance", disse Rayner em comunicado no domingo.
O Partido Trabalhista mergulhou em desalento após fortes perdas na semana passada em eleições locais em toda a Inglaterra e em votações legislativas na Escócia e no País de Gales. Os resultados foram interpretados como um referendo informal sobre Starmer, cuja popularidade despencou desde que chegou ao poder com uma vitória esmagadora, há menos de dois anos.
Seu governo tem tido dificuldades para entregar o crescimento econômico prometido, recuperar serviços públicos deteriorados e reduzir o custo de vida. Além disso, foi prejudicado por erros sucessivos e recuos em políticas públicas, inclusive na reforma do bem-estar social. Starmer também foi afetado pela decisão de nomear Peter Mandelson - amigo de Jeffrey Epstein e marcado por escândalos - como embaixador do Reino Unido em Washington.
As eleições da semana passada mostraram o Trabalhismo pressionado tanto pela direita quanto pela esquerda, perdendo votos para o Reform UK e para o Partido Verde, descrito como "eco-populista". A situação reflete a fragmentação crescente da política britânica, por muito tempo dominada por Trabalhistas e Conservadores.
Starmer espera recuperar impulso com o discurso desta segunda-feira e com um conjunto ambicioso de propostas legislativas a ser apresentado na quarta-feira pelo rei Charles III, na abertura oficial do Parlamento.
Ele disse a uma plateia de parlamentares e ativistas do partido que o governo assumirá o controle da segurança energética, econômica e de defesa do Reino Unido e tornará o país mais justo.
Uma política crucial é estreitar laços com a UE, que o Reino Unido deixou em 2020, quatro anos depois de o lado a favor da "saída" ter vencido por pequena margem um referendo sobre a permanência do país no bloco. O governo Starmer já tomou medidas para aliviar algumas restrições comerciais que têm onerado empresas britânicas desde o Brexit, e ele afirma que garantirá um acordo de mobilidade juvenil para que jovens possam passar alguns anos trabalhando pelo continente.
Starmer disse que o governo será "definido pela reconstrução da nossa relação com a Europa".
O Trabalhismo fez campanha pela permanência na UE durante o referendo de 2016, mas tem relutado em reabrir um debate que dividiu amargamente o país. Starmer descartou buscar o reingresso na UE ou aderir novamente à união aduaneira ou ao mercado único do bloco - medidas que fariam grande diferença para as empresas britânicas.
Nenhum dos políticos trabalhistas de alto perfil considerados potenciais desafiantes de Starmer - incluindo Rayner, o secretário de Saúde Wes Streeting e o prefeito da Grande Manchester Andy Burnham - pediu até agora que ele renuncie.
Ainda assim, um número crescente de parlamentares do Trabalhismo tem encorajado o primeiro-ministro a estabelecer um cronograma para sua saída. A política britânica permite que partidos troquem de líder no meio do mandato sem necessidade de uma nova eleição.
Josh Simons, parlamentar trabalhista antes leal, escreveu no Times de Londres que Starmer "perdeu o país" e "deveria assumir o controle da situação supervisionando uma transição ordenada para um novo primeiro-ministro".
Catherine West, ex-ministra júnior, disse que tentaria deflagrar uma disputa pela liderança, a menos que Starmer fizesse um discurso arrebatador hoje. West, porém, reconheceu que não tem o apoio de 81 colegas, necessário para forçar a disputa. Fonte: Associated Press.
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