'Sou pré-candidato ao governo do Rio', admite oficialmente Eduardo Paes
O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), falou pela primeira vez de forma explÃcita que será candidato a governador nas eleições de 2026. Até esta segunda-feira, a despeito da intensa movimentação nos bastidores desde o inÃcio do ano passado, ele deixava no ar a intenção de concorrer, mas nunca a admitia. Paes também reforçou que apoiará a reeleição do presidente Lula (PT).
— Sou pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro — disse após comandar a primeira reunião de secretariado do ano, que também pode ter sido sua última antes de deixar a prefeitura. — O Rio tem solução, a segurança tem solução. Mas a solução não será entregando a segurança a grupelhos polÃticos .
Ao lado dele, ao fazer a declaração, estavam duas figuras-chave: o vice-prefeito Eduardo Cavaliere (PSD), que assumirá a prefeitura, e o deputado federal Pedro Paulo, que preside o PSD no estado.
Para ficar apto a disputar, Paes precisa se desincompatibilizar do cargo até 4 de abril, seis meses antes do dia do voto. A tendência, contudo, é que ele passe a prefeitura para Cavaliere em 20 de março.
Paes tem tentado atrair o apoio de prefeitos e de dirigentes de partidos que lhe dariam capilaridade no estado. Um dos desafios do carioca é expandir sua votação para fora da capital.
Ainda é cedo para bater o martelo, mas alguns nomes despontam como opções de vice da chapa. O ex-prefeito de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, Rogério Lisboa (PP), é considerado o favorito.
Diferentemente de São Paulo e Minas Gerais, por exemplo, o Rio concentra mais de 70% do eleitorado na Região Metropolitana. Por isso a Baixada e municÃpios que fazem divisa com a capital na parte leste, como São Gonçalo, são cruciais.
Apoio a Lula
Outro ponto a ser observado na campanha de Paes é o casamento entre a eleição de governador e a presidencial. Aliados, o prefeito e o presidente Lula estavam distantes nos últimos meses, mas se reuniram na semana passada para contornar episódios crÃticos. O petista tem avaliação ruim no Rio, e há temores no PT de que o candidato a governador possa abandoná-lo durante a corrida.
O prefeito, no entanto, reforçou nesta segunda o apoio ao presidente, embora tenha indicado que não pretende nacionalizar a campanha.
— Minha decisão é de apoiar a candidatura do presidente Lula, nunca tive dúvida disso — afirmou. — (Mas) está provado que quando as pessoas apenas seguiram o voto nacional aqui no Rio de Janeiro não fomos bem-sucedidos. Talvez a eleição de 2018, do Wilson Witzel (vinculado a Jair Bolsonaro), seja o maior exemplo disso.
Nessa linha, Paes disse ainda que "não é ele (Lula) quem vai governar o Rio de Janeiro se eu ganhar a eleição", e que vai "tratar do Rio de Janeiro" no processo eleitoral. Apontou também que, ao conversar com o presidente na semana passada, deixou claro que precisa fazer alianças com grupos diferentes.
— O presidente Lula me disse que gostaria de ver a deputada Benedita da Silva de volta ao Senado. Eu disse que seria uma honra, mas que também vou buscar a aliança mais ampla possÃvel. O Rio precisa de união, de força, inclusive com gente que não concorde comigo na eleição presidencial.
Eleição indireta e crÃtica a petista
Outro comentário relacionado ao PT na declaração de Paes à imprensa envolveu a provável eleição indireta que o Rio precisará enfrentar se o governador Cláudio Castro (PL) se desincompatibilizar do cargo em abril para disputar o Senado. O Rio está sem vice-governador desde que Thiago Pampolha foi para o Tribunal de Contas do Estado (TCE). A Assembleia Legislativa, portanto, teria que eleger alguém para comandar o Palácio Guanabara até o fim do ano.
Paes teceu crÃticas duras ao ex-presidente da Assembleia André Ceciliano (PT), hoje secretário no Palácio do Planalto, cuja candidatura é ventilada para a disputa indireta. Ele associou o petista a Rodrigo Bacellar, que foi preso e afastado do comando da Alerj por supostamente ter vazado ao deputado TH Joias a investigação que apura o elo dele com o Comando Vermelho.
— Se Bacellar estiver patrocinando alguma candidatura para essas práticas de conexão com o crime, com o Comando Vermelho, continuarem no estado, não vai ter o apoio do PSD. Quem votar em candidatura patrocinada pelo deputado Bacellar será expulso do partido — garantiu. — Aliás, é o que me parece do que se especula da candidatura do André Ceciliano, que aliás era o único nome do PT que não tinha declarado voto em mim, e sim no deputado Bacellar para governador. A candidatura dele, para mim, significa a continuidade do Bacellar.
Segundo o prefeito, esse recado foi passado a Lula na conversa que tiveram na semana passada.
— Falei isso ao presidente Lula, que tem que tomar muito cuidado. Como é um candidatura patrocinada pelo deputado Bacellar, ligado ao Comando Vermelho, o presidente Lula e o PT têm que tomar muito cuidado para não parecer que estão prometendo proteger deputados.
Hoje no quarto mandato, Paes é o prefeito mais longevo da história da cidade. Ele superou seu antigo padrinho polÃtico, Cesar Maia, que exerceu a função por três perÃodos. Eduardo Cavaliere, 31 anos, será o mais jovem a comandar a segunda capital de maior população do paÃs.
