Polícia do DF vai buscar possíveis novas vítimas de técnicos de enfermagem após morte de três pacientes em hospital
Após a prisão de três funcionários suspeitos de matarem três pacientes no Hospital Anchieta de Taguatinga, no Distrito Federal, a Polícia Civil afirma que vai buscar possíveis novas vítimas em locais que eles já trabalharam. Em uma coletiva realizada nesta segunda-feira, o Coordenador da Coordenação de Homicídios e Proteção à Pessoa (CHPP), delegado Wisllei Salomão, falou sobre o caso, denominado de Operação Anúbis. Ainda não se sabe a motivação do crime.
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— Vamos investigar se há outras vítimas naquele hospital. Também vamos ver se há vítimas em outros hospitais que eles trabalharam. Eles trabalharam por cerca de cinco anos em hospitais diversos, públicos e privados. Vamos fazer um levantamento com as pessoas que faleceram com características parecidas com esses homicídios. Nós ainda não temos uma resposta firme sobre a motivação dessa ação criminosa — alega Salomão.
Segundo o g1, um técnico de enfermagem de 24 anos aproveitou que o sistema do hospital estava aberto na conta de um médico, receitou um medicamento "errado", buscou na farmácia, e aplicou nas três vítimas sem consultar a equipe médica. Dois pacientes morreram no dia 19 de novembro e o outro no dia 1 de dezembro.
De acordo com Salomão, o funcionário contou com a ajuda de outras duas técnicas.
— Ele preparou o medicamento, colocou na seringa, colocou também no jaleco para esconder e aplicou nas vítimas. Duas morreram no dia 19 e outra no dia 1. Ele contou também com a conivência de outras duas técnicas de enfermagem que estavam no local no momento da aplicação. Uma ajudou a buscar essa medicação na farmácia e também estava presente no momento que foi ministrado o medicamento — disse.
Em coletiva de imprensa nesta segunda-feira, o diretor da divisão de perícias internas do instituto de criminalística da Polícia Civil, Leandro Oliveira, afirmou que a polícia ainda investiga se o criminoso sabia a senha do médico. Ele destacou, no entanto, que o acesso ocorreu quando o profissional não estava mais no local.
— Essa resposta ainda está sendo examinada. Devemos identificar qual foi a fonte do acesso. Esse é um trabalho que não foi concluído. Estamos analisando cerca de 20 laudos. É fundamental essa reconstrução (para a resolução do caso).
Além desse medicamento, o homem também aplicou desinfetante dez vezes em uma das vítimas de 75 anos, com uma seringa. As aplicações foram feitas no mesmo dia, após a paciente ter várias paradas cardíacas, conforme informou o g1.
— Eram pacientes em situação de gravidades diferentes. Um deles tinha um quadro estável. Em todos eles, o que chamou a atenção da perícia foi que não houve uma piora gradual dos quadros deles. Foi uma piora súbita — afirma Márcia Reis, diretora do Instituto de Medicina Legal (IML) da Polícia Civil do Distrito Federal.
De acordo com a Polícia Civil, dois dos três funcionários foram presos no último dia 11. Na ocasião, os agentes também cumpriram três mandados de busca e apreensão em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas de Goiás.
Na última quinta-feira, foi realizada a segunda fase da operação, onde foi cumprido o mandado de prisão temporária de uma das investigadas, e ainda apreendido dispositivos eletrônicos, em Ceilândia e Samambaia
Segundo o g1, as vítimas são uma professora aposentada de 75 anos, de Taguatinga; um servidor público de 63 anos, do Riacho Fundo I e um servidor público de 33 anos, de Brazlândia.
A suspeita do crime partiu da unidade hospitalar, que ao identificar circunstâncias atípicas relacionadas a três óbitos na Unidade de Terapia Intensiva, instaurou um comitê interno para investigar os casos e, a partir dos resultados, pediu a abertura de um inquérito policial.
“O Hospital instaurou, por iniciativa própria, em cumprimento ao seu dever civil, ético e ao seu compromisso com a transparência, comitê interno de análise e conduziu investigação célere e rigorosa, que em menos de vinte dias resultou na identificação de evidências envolvendo ex-técnicos de enfermagem, as quais foram formalmente encaminhadas às autoridades competentes”, relatou em nota.
A unidade médica ainda informou que entrou em contato com as famílias das vítimas, prestando todos os esclarecimentos necessários de forma responsável e acolhedora. O caso tramita em segredo de justiça, o que impossibilita a divulgação de informações adicionais e a identificação das partes envolvidas.
