Sócio de Flávio Bolsonaro, Willer Tomaz acumula R$ 62 milhões em imóveis e constrói mansão com heliponto

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – O advogado Willer Tomaz, amigo e parceiro de negócios do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), adquiriu, diretamente ou por meio de uma de suas empresas, pelo menos 15 imóveis avaliados em R$ 62 milhões nos últimos cinco anos. Investigado pela Polícia Federal (PF) por suspeita de lavagem de dinheiro, ele também constrói uma mansão de três pavimentos, com heliponto, em uma das regiões mais valorizadas de Brasília.

As informações são de levantamento publicado pela Folha de S.Paulo, que examinou escrituras públicas de compra e venda de propriedades adquiridas entre 2021 e 2026 no Distrito Federal, no Rio de Janeiro e em São Paulo. O patrimônio imobiliário do advogado chama atenção também por suas conexões com políticos investigados e personagens envolvidos em apurações sobre fraudes no INSS e esquemas de apostas.

A construção mais expressiva fica no Lago Sul, bairro de alto padrão da capital federal. Em março de 2024, a WT Administração de Imóveis e Bens, empresa de Willer, desembolsou R$ 12,5 milhões por um terreno de 764 metros quadrados que abrigava uma residência posteriormente demolida.

No lugar da antiga construção, está sendo erguida uma mansão com subsolo, térreo, andar superior e heliponto, com vista para o lago Paranoá. O empreendimento envolve equipes especializadas em arquitetura, paisagismo, revestimentos, climatização, esquadrias, marmoraria e sistemas audiovisuais.

Advogado comprou duas propriedades vizinhas por R$ 18,6 milhões Em 2025, aproximadamente um ano depois da primeira aquisição, Willer ampliou seus investimentos na mesma região ao comprar uma segunda residência, localizada ao lado da propriedade em obras.

O novo imóvel possui uma casa de 494 metros quadrados, construída em terreno de 1.033 metros quadrados. A operação custou R$ 6,1 milhões, dos quais R$ 1,83 milhão foram pagos por transferências bancárias.

O restante foi financiado pelo Banco de Brasília (BRB), conforme a escritura analisada pela Folha. Somadas, as duas aquisições representam um investimento de R$ 18,6 milhões apenas na compra das propriedades vizinhas, sem considerar os gastos com a construção da nova mansão.

Segundo relatos de moradores da região à reportagem, Willer teria mencionado a intenção de investir R$ 25 milhões no empreendimento e posteriormente revendê-lo por R$ 50 milhões. Pessoas envolvidas nas obras, entretanto, indicaram a outros interlocutores que o imóvel seria destinado à moradia.

A conclusão da construção estava inicialmente prevista para 2026, mas o cronograma sofreu atrasos. O advogado Rogério Luís de Resende, antigo proprietário da residência demolida, confirmou à Folha que o imóvel passou por uma negociação anterior à aquisição pela WT Administração de Imóveis.

Segundo Resende, o primeiro interessado não concluiu o pagamento das parcelas previstas no contrato, o que levou à transferência dos direitos de compra para a empresa de Willer. “Foi feita uma transferência bancária do valor integral da diferença que faltava eu receber”, afirmou.

“Veio da conta da WT.” O antigo proprietário também descreveu a extensão da demolição realizada para viabilizar o novo projeto.

“A casa tinha até subsolo, ele derrubou até o subsolo, ficou um grande buraco do tamanho do terreno. E era uma casa grande, eu já tinha reformado antes.”

Resende relatou ainda que a propriedade havia sido alugada por dois anos a Pedro Guimarães, que presidiu a Caixa Econômica Federal durante o governo de Jair Bolsonaro. Ligações com Flávio Bolsonaro e investigações da PF

A expansão imobiliária de Willer Tomaz ocorre enquanto o advogado é investigado em duas frentes conduzidas pela Polícia Federal. Uma delas apura suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas ao esquema de descontos fraudulentos em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A outra envolve possíveis irregularidades em operações ligadas ao setor de apostas. Na investigação sobre casas de apostas, Flávio Bolsonaro também figura entre os investigados, segundo a Folha.

O senador, que disputa o segundo turno da eleição presidencial após ter recebido a maior votação no primeiro turno, mantém uma relação de proximidade pessoal e profissional com Willer. Os dois já realizaram viagens internacionais em aeronaves particulares do advogado e tiveram atuação conjunta na advocacia.

Há ainda suspeitas investigadas sobre a existência de sociedades empresariais entre ambos em negócios sob apuração. A relação também se estendeu ao ambiente político.

Em uma ocasião, Flávio saiu em defesa de Willer no Senado. As investigações, contudo, ainda tratam de suspeitas, e os elementos apresentados não permitem concluir que as aquisições imobiliárias tenham sido realizadas com recursos de origem ilícita.

Empresa de Willer comprou casa ocupada por Weverton Rocha Outra propriedade identificada no levantamento da Folha está associada ao senador Weverton Rocha (PDT-MA), mencionado nas investigações sobre irregularidades no INSS.

O parlamentar residia em uma casa de aproximadamente R$ 6 milhões, em Brasília, registrada em nome da WT Administração de Imóveis, empresa de Willer Tomaz. Segundo a Polícia Federal, Weverton participou das negociações para aquisição da residência, embora a formalização da compra tenha ocorrido em nome da empresa do advogado.

Dessa forma, o nome do senador não aparece na escritura pública do imóvel. Weverton deixou a residência no primeiro semestre de 2026.

A mesma empresa também adquiriu um apartamento em São Paulo pertencente a Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, personagem central das investigações relacionadas ao Banco Master. As operações imobiliárias colocam a WT Administração de Imóveis em transações envolvendo personagens de diferentes investigações conduzidas pelas autoridades federais.

Rancho reúne políticos influentes de diferentes partidos Entre os imóveis vinculados a Willer também está o Rancho Tomaz, localizado em Planaltina, no Distrito Federal.

A propriedade ganhou notoriedade após a revista piauí divulgar uma fotografia de políticos reunidos em uma jacuzzi do local. Na imagem aparecem o ex-presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira (PP-AL), o ex-deputado Alexandre Ramagem (PL), o ex-ministro das Comunicações Juscelino Filho (PSDB-MA), os deputados Elmar Nascimento (União Brasil-BA) e Paulo Azi (União Brasil-BA), além do senador Weverton Rocha.

A reunião evidencia a circulação do advogado entre integrantes de diferentes partidos e grupos políticos com influência em Brasília. A relação com Weverton passou a receber atenção específica da Polícia Federal em razão da investigação sobre fraudes em benefícios previdenciários.

Willer também foi proprietário de uma residência ocupada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI). Conforme reportagem publicada pela Folha em 2021, o imóvel havia sido adquirido pelo advogado meses antes de ser alugado ao parlamentar por intermédio de uma filial de sua empresa de comercialização de motocicletas no Piauí.

A sucessão de operações imobiliárias demonstra a presença de empresas de Willer em negociações envolvendo integrantes do Congresso Nacional e pessoas relacionadas a investigações financeiras. Procurada pela Folha na sexta-feira (23), a assessoria do advogado informou que ele não responderia aos questionamentos apresentados pela reportagem.

Até o momento, as informações divulgadas dizem respeito a registros patrimoniais e suspeitas investigadas pela PF, sem demonstração de que o conjunto dos R$ 62 milhões em aquisições imobiliárias esteja relacionado aos crimes sob apuração.

Publicação Original Brasil 247 brasil247.com
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