Sócio de 'empresas de prateleira' usadas por Vorcaro é médico e cunhado de advogado preso pela PF; saiba quem é
Formado pela Universidade de Santo Amaro (Unisa) em 1999 e com registro em ortopedia e traumatologia no Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), o médico Hamilton Edward Suaki, de 56 anos, aparece na investigação da Polícia Federal como um dos nomes ligados à estrutura financeira usada no esquema que envolve o Banco Master, de Daniel Vorcaro.
Com trajetória na área médica, ele passou a figurar como sócio de empresas citadas no inquérito. Ele é citado como cunhado do advogado Daniel Monteiro, que é apontado como operador jurídico-financeiro do esquema investigado, e como o "diretor escolhido para suposta administração das empresas utilizadas para adquirir os imóveis".
"Tais pessoas jurídicas, originalmente constituídas por conhecidos fornecedores de sociedades de prateleira, tiveram razão social, objeto, sede, diretor e capital social alterados em curto espaço de tempo, passando a funcionar como veículos específicos para recepção de recursos oriundos de fundos conectados à REAG e posterior aquisição dos imóveis", diz a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou na semana passada a quarta fase da Operação Compliance Zero.
Registros públicos indicam que Suaki manteve endereço profissional em uma clínica de ortopedia esportiva na região da Água Branca, na zona oeste de São Paulo. A defesa de Suaki não foi localizada. Procurado, ele não se manifestou.
Suaki é cunhado do advogado Daniel Monteiro, preso na nova fase da Compliance Zero. Considerado pela PF homem de confiança de Vorcaro, Monteiro é apontado como operador jurídico-financeiro do esquema e responsável por administrar fundos e contas utilizados para desvio de recursos e pagamento de propina. Investigadores o descrevem como o "arquiteto jurídico" do ex-banqueiro e elo com outros advogados.
No caso de Suaki, a apuração indica um papel mais formal, mas relevante: ele aparece como diretor ou sócio de ao menos 18 empresas apontadas como instrumentos de ocultação patrimonial. Entre elas, há seis companhias de prateleira, abertas com capital social de R$ 500 e posteriormente infladas para valores que chegam a R$ 41 milhões. Ele surge na investigação como responsável por assumir formalmente estruturas societárias usadas, segundo a PF, para dar aparência regular a operações financeiras sob suspeita.
Segundo a apuração, essas empresas foram registradas em um mesmo endereço na Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo, e criadas em sequência, entre julho e outubro de 2024. Registros da Receita Federal indicam que, em curto espaço de tempo, elas tiveram alterações sucessivas de razão social, objeto, sede e quadro diretivo, passando a operar como veículos para recebimento de recursos oriundos de fundos ligados à Reag e para a aquisição de imóveis de alto padrão.
Seis desses imóveis, de acordo com a Polícia Federal, teriam sido oferecidos como propina no valor estimado de R$ 146,5 milhões ao ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, também preso na última quarta-feira após a operação. O advogado Cléber Lopes, um dos representantes de Costa, disse na semana passada que considerava a prisão de seu cliente "absolutamente desnecessária".
— Se eu estou considerando que é um exagero (a prisão), eu permaneço como estava antes. Continuo convencido. A defesa continua firme na convicção que Paulo Henrique Costa não praticou crime nenhum — disse.
Outro elemento que chamou atenção dos investigadores foi a padronização nos cadastros: parte das empresas compartilha os mesmos números de telefone. Procurada, a recepção do edifício onde elas estariam registradas afirmou que nenhuma dessas companhias funciona ou já funcionou no local.
