Sobrevivente dos ataques às Torres Gêmeas pede ajuda após desenvolver doença autoimune
Uma mulher que sobreviveu aos dois ataques terroristas contra o World Trade Center, em Nova York, está pedindo ajuda financeira após desenvolver uma grave doença autoimune, que, segundo ela, seria consequência das sequelas físicas e psicológicas acumuladas ao longo de décadas. Jenn Ashcraft, hoje com 60 anos, participou de uma entrevista, nesta terça-feira (18), ao canal americano 12 News e teve sua história divulgada também em uma campanha de arrecadação online no GoFundMe.
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Ashcraft estava no complexo do World Trade Center em 26 de fevereiro de 1993, quando um caminhão-bomba explodiu sob a Torre Norte. O atentado matou seis pessoas e deixou mais de mil feridos. Oito anos depois, ela voltou a viver outro trauma no mesmo local: os ataques de 11 de setembro de 2001, quando integrantes da organização extremista Al-Qaeda sequestraram aviões comerciais e os lançaram contra as Torres Gêmeas, causando o desabamento dos edifícios e a morte de quase 3 mil pessoas.
Após sobreviver aos dois atentados, Ashcraft se mudou para Prescott, no Arizona, onde passou a atuar como voluntária da Cruz Vermelha Americana. Ao canal 12 News, ela afirmou que o trabalho foi uma forma de lidar com o trauma vivido.
— Foi uma forma de me curar e de homenagear todos os bombeiros que perderam a vida — disse.
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Décadas de sequelas
Segundo a campanha criada no GoFundMe, os problemas de saúde começaram após o atentado de 1993. Ashcraft sofreu ruptura no ouvido médio, deslocamento da mandíbula e teve fragmentos metálicos encontrados nas pernas e nos pés. Ela também passou a conviver com zumbido crônico, dores intensas e alterações sanguíneas detectadas em exames médicos.
Depois dos ataques de 11 de setembro, o quadro se agravou. A página de arrecadação informa que ela foi diagnosticada com síndrome de conversão, condição neurológica que afeta a comunicação entre cérebro e corpo. Em diferentes momentos, perdeu os movimentos da perna esquerda e do braço direito, além de sofrer desmaios que levaram a hospitalizações.
Mais recentemente, médicos diagnosticaram Ashcraft com uma doença autoimune severa. Em entrevista concedida de um leito hospitalar, ela descreveu a sensação como se estivesse “queimando de dentro para fora”.
— Minhas cutículas começaram a sangrar. Minha pele desenvolveu algum tipo de reação alérgica, o que basicamente significa que meus anticorpos estão atacando meu corpo — afirmou.
A campanha online relata ainda que ela sofre com inflamações severas, lesões dolorosas na pele, sangramentos nos folículos capilares, dores constantes, estresse pós-traumático e danos na retina e na visão. Em 2014, devido ao agravamento do estado de saúde e às despesas médicas, Ashcraft perdeu a casa onde vivia.
Segundo a reportagem do 12 News, o Programa de Saúde do World Trade Center, criado pelo governo americano para oferecer assistência a sobreviventes e socorristas do 11 de Setembro, ainda não reconhece doenças autoimunes entre as condições oficialmente cobertas. Petições recentes têm pedido a inclusão desse tipo de enfermidade na lista de doenças relacionadas aos ataques.
