A Stellantis está reavaliando a estratégia tecnológica que havia definido para a América do Sul três anos atrás à medida que a empresa perde terreno para os concorrentes chineses, o que a força a ajustar seus planos de eletrificação, disse Herlander Zola, presidente da Stellantis na América do Sul. — O mercado mudou, a gente sabe que mudou, e precisamos ser competitivos — disse o executivo responsável pela região, em conversa com jornalistas em São Paulo. 'Deve ser de origem asiática a bateria': CEO italiano da Stellantis brinca após microfone falhar em reunião com Lula Fiat: Depois de vender apenas 13 carros em um mês na Austrália, montadora suspende importação de veículos A mudança ocorre após a Stellantis ter visto uma de suas joias da coroa na região, a Jeep, perder consumidores para montadoras chinesas que oferecem novas tecnologias na mesma faixa de preço.
Agora, a Stellantis está avaliando alternativas de eletrificação para reconquistar os motoristas, incluindo uma versão flex da tecnologia de extensor de alcance da parceira Leapmotor, chamada de REEV, que a empresa já começou a desenvolver para a região, disse ele.
A montadora também está mantendo outras opções em aberto, incluindo veículos movidos exclusivamente a etanol, dependendo de possíveis incentivos governamentais, afirmou Zola. Disputa elétrica: Venda de carros chineses dispara no Brasil e derruba preços nas lojas de novos e usados A Stellantis prevê apresentar a revisão de seu olhar tecnológico para região, chamada originalmente de Bio-Hybrid, ainda este ano.
— O plano não mudou, mas precisa de adaptações, de ajustes — afirmou Zola, acrescentando que a velocidade das mudanças no mercado está forçando a empresa a agir rapidamente. A urgência está se manifestando em mercados como o Brasil e o Uruguai. Zola disse que a Jeep perdeu terreno no Brasil por não ter conseguido renovar sua oferta de produtos e tecnologias com a rapidez necessária para acompanhar a expansão das montadoras chinesas.
A empresa também perdeu participação de mercado no Uruguai em meio ao crescimento dos veículos elétricos, que saltaram de cerca de 2% para 30% do mercado em um ano. Essa divergência no ritmo de adoção significa que a Stellantis precisará de soluções diferentes em toda a América do Sul, incluindo opções elétricas e híbridas, disse ele. Liquidação automotiva: Entenda por que carros novos e usados estão mais baratos no Brasil e o que os chineses têm a ver com isso A Jeep é talvez uma das marcas que mais sofra com o avanço chinês e a adoção de novas tecnologias naquela faixa de preço onde a Jeep atua, por isso precisamos responder, afirmou Zola, acrescentando que o lançamento do SUV compacto Avenger é o primeiro passo: — Não tenho dúvidas de que o Avenger é uma arma poderosíssima para que a gente volte a responder, com a marca, dentro de um segmento onde a gente perdia espaço, e tenho certeza de que começaremos a recuperar.
O Globo