Sitkovetsky Trio leva Beethoven, Schumann e Dvorák ao Municipal do Rio

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O violinista russo-britânico Alexander Sitkovetsky e a pianista chinesa Wu Qian se conhecem desde a adolescência, quando estudavam na Yehudi Menuhin School, na Inglaterra. O relacionamento que começou nos tempos de escola acabaria por se transformar também numa parceria musical.

Em 2007, os dois fundaram o Sitkovetsky Trio, conjunto que se consolidou entre os principais nomes da música de câmara internacional. Nesta segunda-feira (2), às 19h, eles se apresentam no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, pela Série O Globo/Dellarte Concertos Internacionais, ao lado do violoncelista alemão Isang Enders, com obras de Beethoven, Schumann e Dvořák.

Quase duas décadas de convivência poderiam sugerir uma interpretação musical baseada em entendimentos tácitos, na qual a familiaridade poderia encobrir a descoberta. Sitkovetsky, porém, rejeita essa hipótese.

— Como músicos, estamos sempre nos desenvolvendo e, espero, amadurecendo também. Por isso, não acredito que nossa proximidade ou os muitos anos tocando juntos nos façam deixar alguma coisa passar despercebida — afirma.

A chegada de Enders, em 2017, também adicionou horizontes à formação. O violoncelista havia se destacado precocemente ao conquistar, aos 20 anos, o posto de primeiro violoncelo da Staatskapelle Dresden, uma das mais antigas e prestigiadas orquestras do mundo.

Quatro anos depois, decidiu abandonar a posição para se dedicar à carreira de solista e camerista. Sitkovetsky Trio

Divulgação — Ter Isang conosco é fantástico porque ele também possui ideias musicais próprias e muito fortes.

A combinação de três vozes e personalidades marcantes é uma enorme vantagem para o grupo, porque também compreendemos a necessidade de trabalhar juntos para encontrar a melhor interpretação — explica Sitkovetsky. O violinista também carrega uma história familiar singular.

Descende de uma linhagem de músicos que inclui o violinista Julian Sitkovetsky e a pianista Bella Davidovich. Seu pai, Alexander Sitkovetsky, seguiu um caminho diferente: tornou-se guitarrista de rock e fundador da banda soviética Avtograf.

Ainda criança, o violinista chamou a atenção de Yehudi Menuhin, que o convidou para estudar na escola que mantinha na Inglaterra. O percurso do trio inclui apresentações em salas como o Concertgebouw, de Amsterdã, o Lincoln Center, de Nova York, e o Wigmore Hall, de Londres.

As gravações pelo selo BIS renderam prêmios como o BBC Music Magazine Award e o Diapason d’Or, concedidos ao álbum dedicado a Ravel e Saint-Saëns. O conjunto concluiu também, em 2024, uma integral dos trios para piano de Beethoven.

Apesar da forte identificação com o repertório clássico e romântico, os músicos cultivam uma relação próxima com a criação contemporânea. Em 2024, no Beethovenfest, em Bonn, estrearam Trinity, concerto tríplice do compositor espanhol Ferran Cruixent, encomendado pelo próprio conjunto.

No Rio, a formação percorre 75 anos da história do trio com piano, começando pelo Trio Fantasma, de Beethoven, escrito em 1808. Seguem-se o Trio nº 3 de Schumann, de 1851, e o Trio nº 3 de Dvořák, de 1883.

Para Sitkovetsky, as três obras revelam possibilidades expressivas radicalmente diferentes. — Começamos com a grande energia concentrada dos movimentos externos de Beethoven, combinada com aquele movimento lento, assombroso e assustador.

Passamos então ao Schumann quase misterioso. Como disse recentemente um colega, em Schumann é preciso estar preparado para ir do céu ao inferno em questão de segundos.

Esta peça é exatamente assim: sombria, cheia de fogo e turbulência num instante, gloriosamente alegre e dançante no seguinte. O Dvořák encerra o programa com uma escrita de proporções particularmente ambiciosas.

— É provavelmente a obra mais sinfônica do programa. É muito mais longa que as demais e possui uma estrutura de sinfonia em quatro movimentos.

Aqui, Dvořák nos oferece o romantismo em grande escala — observa. A sonoridade do conjunto conta ainda com dois instrumentos históricos: Sitkovetsky toca um Stradivarius de 1679, conhecido como Parera, enquanto Enders utiliza um violoncelo de Carlo Tononi, construído em Veneza, em 1720.

Ambos são cedidos pela J. & A.

Beare’s Violin Society, de Londres. Sitkovetsky Trio

Série O Globo/Dellarte Concertos Internacionais Segunda-feira, 2 de novembro, às 19h

Theatro Municipal do Rio de Janeiro — Cinelândia Ingressos: R$ 120 a R$ 600; promocionais a partir de R$ 25 (meia).

Frisas e camarotes a R$ 3.600. Vendas: ingresso.dellarte.com.br

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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