Presidente do Paraguai, Santiago Peña, renuncia ao cargo O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou nesta quinta-feira (5) em meio à grave crise provocada pelo colapso do banco digital Ueno.
Em todo o país, milhões de correntistas estão sem acesso às contas. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia
Foi por meio de um vídeo que Santiago Peña anunciou que renunciava ao cargo de presidente do Paraguai. Eleito em 2023 pelo Partido Colorado, de direita, e com formação em economia, Santiago Peña tinha mandato até 2028.
No vídeo, afirmou que tomou a decisão pensando na estabilidade do país, na paz social e na necessidade de preservar as instituições democráticas. Também se referiu à crise bancária que levou à renúncia do cargo, dizendo que espera que o Fundo de Garantia de Depósitos devolva os recursos que pertencem a todos os paraguaios.
Quase 3 milhões de pessoas foram afetadas pela liquidação do maior banco digital do país, o Ueno Bank. É o principal emissor de cartões de crédito do Paraguai.
Desde o início da semana, clientes do banco, incluindo aposentados, não conseguem retirar dinheiro das próprias contas. Milhares de paraguaios foram às ruas protestar.
Uma mulher pergunta: "Cadê o dinheiro que eles pegaram?". Um outro cliente conta que muitas pessoas não terão o que comer hoje por não poderem retirar dinheiro das contas.
Escândalo financeiro derrubou o presidente do Paraguai, Santiago Peña Jornal Nacional/ Reprodução
Como era possível fazer transferências internacionais usando o aplicativo do banco, muitos brasileiros que moram no Paraguai tinham conta no Ueno. "A gente entra no aplicativo do banco, aparece o saldo, mas não tem como transferir.
Então, a gente está à deriva, a gente não sabe o que faz", diz o médico José Gabriel Palma. "Eu tinha o meu dinheiro para fazer as compras do mês, eu tinha o dinheiro para poder...
O dia a dia, né? Tive que fazer outra conta em um outro banco. Tentei fazer contas em cinco bancos diferentes aqui e não consegui.
No sexto, eu consegui fazer uma conta para que o Banco Central possa enviar o dinheiro que as pessoas tinham no outro banco para botar no outro, no novo", conta a estudante de medicina veterinária Taís Magnum. Entre os ativos congelados do banco, estão US$ 380 milhões - cerca de R$ 2 bilhões - do Instituto de Previsão Social, responsável pelo pagamento de pensionistas e aposentados.
Oito diretores do banco foram presos, incluindo o presidente executivo. Ao todo, 27 pessoas estão sendo investigadas por fraude e estelionato.
O Ueno Bank é o principal emissor de cartões de crédito do Paraguai Jornal Nacional/ Reprodução
Nos últimos meses, o Ueno Bank passou a realizar empréstimos suspeitos a outras empresas vinculadas ao grupo que o controla, e deixou de operar depois que o Banco Central do Paraguai identificou uma insuficiência de recursos para cobrir as obrigações que o banco tinha. A crise também levou à renúncia do presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo, que antes de aceitar o convite de Santiago Peña para o cargo, era o presidente-executivo do Ueno Bank.
Santiago Peña também tem relações com o banco. Até 2025, foi acionista do grupo que controla o Ueno Bank.
A oposição acusa o governo dele de encobrir irregularidades cometidas pelo banco. Apesar de ter anunciado que renunciou ao cargo de presidente, o Congresso paraguaio irá votar se aceita o pedido de renúncia de Santiago Peña.
No Paraguai, o parlamento precisa aprovar a saída do presidente para ele deixar o cargo e, na prática, Peña continua no comando do país. Em outra sessão, a Câmara de Deputados aprovou por unanimidade a abertura de um processo de impeachment.
A discussão segue agora no Senado. Se o impeachment for aprovado nos próximos dias, ele vai perder o foro privilegiado.
Também poderá perder os direitos políticos e não vai assumir o mandato de senador vitalício. No Paraguai, todo ex-presidente tem esse direito.
O Congresso decidiu por não incluir o vice-presidente Pedro Alliana no processo, o que permite a ele assumir o cargo de presidente interino. Também do Partido Colorado, Pedro Alliana foi governador de Ñeembucú e deputado nacional.
Formado em relações internacionais, tem 52 anos e conta com o apoio do ex-presidente Horacio Cartes. GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional
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G1