Sírio derruba parede e recupera biblioteca que escondeu há 15 anos por medo do regime de Assad

Sírio derruba parede e recupera biblioteca que escondeu há 15 anos por medo do regime de Assad - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

Um sírio que retornou a Damasco depois de 15 anos no Kuwait derrubou uma parede de sua antiga casa para recuperar uma biblioteca que havia escondido antes de deixar o país. Identificado como Abu Bilal, o homem emparedou centenas de livros e revistas em 2011 por medo de que o conteúdo da coleção pudesse colocá-lo em risco sob o regime de Bashar al-Assad. Fenômeno: Livro indicado por Gustavo Scarpa vira o mais vendido do Brasil e inspira clube de leitura de atleticanos Mary del Priore comenta ataques por livro sobre mestiçagem: 'É gravíssimo. Meus colegas se queixam disso o tempo todo' Um vídeo que circula nas redes sociais mostra Abu Bilal usando um martelo para quebrar a parede e revelar as estantes que permaneceram escondidas por cerca de 15 anos. As imagens foram gravadas por seu filho, o escritor e ativista sírio Bilal Alloun.

Além de centenas de livros e revistas, o espaço guardava manuscritos, documentos pessoais, certificados acadêmicos e registros relacionados à leitura do Alcorão. Segundo relatos da família, a biblioteca foi uma das principais preocupações de Abu Bilal durante os anos em que viveu longe da Síria. A parede havia sido erguida no fim de 2011, quando Abu Bilal deixou a Síria em meio à guerra civil e à repressão do governo Assad. Ao finalmente romper a barreira, encontrou boa parte da coleção intacta. Segundo relatos sobre o caso, apenas uma pequena quantidade de poeira havia penetrado no espaço durante os 15 anos. Na diáspora: Iranianos criam literatura que investiga a história acidentada de seu país e combatem estereótipos A recuperação da biblioteca ocorre quase dois anos depois da queda de Assad, em dezembro de 2024, e em meio a uma transformação do ambiente editorial sírio. Livros antes censurados pelo regime passaram a ser encontrados abertamente em livrarias e eventos literários do país. A Feira Internacional do Livro de Damasco deste ano, a primeira desde a queda de Assad, reuniu obras de críticos do antigo governo, publicações curdas e títulos que anteriormente sofriam restrições. Mais de 500 editoras de 35 países participaram do evento. Entre os autores expostos estavam o pensador islamista egípcio Sayyid Qutb e o teólogo medieval Ibn Taymiyyah, cujas obras enfrentavam restrições durante o antigo regime. A censura, porém, não desapareceu completamente. Ainda há limitações a publicações consideradas uma ameaça à paz civil ou que façam apologia do antigo regime.

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