Sintomas associados à menopausa podem ter outras causas; saiba quais

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Ondas de calor, noites mal dormidas, mudanças de humor e alterações no ciclo menstrual costumam ser associados à chegada da menopausa. Mas nem sempre esses sinais indicam o início dessa fase.

A queda dos níveis de estrogênio, hormônio que participa de diferentes funções do organismo feminino, pode ocorrer por outros motivos e provocar sintomas semelhantes aos da transição menopausal, inclusive em mulheres mais jovens. Menopausa, hormônios e longevidade: por que o tema ganhou novo espaço entre mulheres

Menopausa: além das ondas de calor, entenda os impactos no sono, no corpo e na sexualidade O ginecologista Rafael Lazarotto, que acompanha mulheres durante o climatério e a menopausa, chama atenção para a importância de investigar a origem dessas manifestações antes de associá-las ao fim da vida reprodutiva.

O estrogênio está relacionado à regulação do ciclo menstrual e à manutenção da saúde vaginal e óssea, entre outras funções. Quando sua produção diminui, os efeitos podem ser percebidos mesmo antes da idade habitual da menopausa.

A diferença está, principalmente, na causa da alteração hormonal. A menopausa é confirmada após 12 meses consecutivos sem menstruação, desde que não exista outra explicação para a ausência do ciclo.

Já o hipoestrogenismo, termo utilizado para definir níveis baixos de estrogênio, pode ser temporário ou estar associado a diferentes condições, como amamentação, exercício físico excessivo, restrição alimentar importante, alterações da hipófise e insuficiência ovariana prematura.

A ginecologista Grazielly Teles, especialista em endometriose, terapias hormonais, cirurgia íntima e saúde integral da mulher, explica que a deficiência de estrogênio também pode se manifestar em mulheres jovens. Entre os sinais estão irregularidade ou interrupção da menstruação, ondas de calor, suores noturnos, ressecamento vaginal, desconforto durante as relações sexuais e alterações do sono.

"Um dos principais sinais de alerta, especialmente nas mulheres jovens, é a interrupção do ciclo menstrual sem uma causa aparente. É importante destacar que a deficiência estrogênica não significa necessariamente menopausa.

O diagnóstico depende da história clínica, da idade, do padrão menstrual e, quando indicado, de exames hormonais", observa. A investigação também pode incluir a avaliação de outros hormônios.

A endocrinologista Patrícia Grosmann destaca que alterações no funcionamento da hipófise e do hipotálamo podem interferir na produção de estrogênio. Em alguns casos, portanto, a origem dos sintomas não está diretamente nos ovários, mas nos mecanismos que regulam sua atividade.

Ressecamento vaginal e queda da libido podem indicar falta de estrogênio? Além das ondas de calor, a redução dos níveis de estrogênio pode afetar a saúde íntima.

O ressecamento vaginal e o desconforto durante as relações sexuais estão entre as manifestações associadas à deficiência do hormônio, que também pode provocar alterações menstruais e, quando persiste por períodos prolongados, comprometer a saúde óssea. Outras queixas, como cansaço, irritabilidade, insônia e diminuição da libido, também podem aparecer nesse contexto, mas não são exclusivas da deficiência estrogênica.

Distúrbios da tireoide, problemas do sono, uso de medicamentos e questões emocionais estão entre os fatores que podem contribuir para esses sintomas. Segundo Grazielly, o ressecamento vaginal é uma manifestação característica da redução do estrogênio, já que o hormônio ajuda a manter a espessura, a elasticidade e a lubrificação dos tecidos vaginais.

Já as alterações do desejo sexual, do sono e do humor podem ter diferentes origens. "Podem estar relacionadas às oscilações hormonais, mas também ao estresse, à saúde emocional, ao uso de medicamentos e a outras condições clínicas.

Por isso, é fundamental evitar a interpretação de que todo sintoma feminino é consequência da falta de hormônios. A avaliação precisa considerar a mulher de forma integral, identificando a verdadeira origem das queixas antes de indicar qualquer tratamento", ressalta.

Mulheres jovens também podem apresentar deficiência estrogênica? A queda do estrogênio não está restrita ao período do climatério.

Uma das possíveis causas é a insuficiência ovariana prematura, caracterizada pela perda da função ovariana antes dos 40 anos. Alterações no funcionamento do hipotálamo, relacionadas ao estresse físico, à restrição alimentar, à perda significativa de peso e à prática excessiva de exercícios, também podem interferir na produção hormonal.

A amamentação é outra situação em que os níveis de estrogênio podem diminuir naturalmente, favorecendo manifestações como o ressecamento vaginal. Além disso, de acordo com Grazielly, o uso de determinados contraceptivos hormonais pode estar associado a sintomas relacionados à menor ação estrogênica, sem que isso signifique falência dos ovários.

"Uma mulher de 25 ou 30 anos com ausência menstrual, ondas de calor ou ressecamento vaginal não deve simplesmente aceitar esses sintomas como normais. É necessário investigar a causa, principalmente quando as alterações são persistentes", alerta a ginecologista.

Quando a falta de estrogênio pode representar riscos para a saúde? A deficiência hormonal também exige atenção quando se prolonga, especialmente em mulheres que ainda estão na idade reprodutiva.

O estrogênio tem papel importante na manutenção da massa óssea e, quando seus níveis permanecem baixos por muito tempo, pode haver perda acelerada de densidade mineral, aumentando o risco de osteopenia, osteoporose e fraturas. Na insuficiência ovariana prematura, as consequências podem ir além da saúde dos ossos.

A condição também pode estar associada a impactos cardiovasculares, sexuais e reprodutivos, além de afetar a qualidade de vida. Outro cuidado é evitar conclusões a partir de um único exame hormonal.

Os níveis de estrogênio variam naturalmente ao longo do ciclo menstrual e também podem oscilar durante a perimenopausa. Por isso, a interpretação dos resultados deve considerar a idade, o histórico clínico, o padrão menstrual, os sintomas e os medicamentos em uso.

"É fundamental compreender que o tratamento não deve se limitar ao alívio dos sintomas. Precisamos identificar a causa da deficiência hormonal, avaliar os riscos individuais e definir a melhor abordagem terapêutica", afirma Grazielly.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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