Sindicato da Samsung suspende greve após retomada de negociações com mediação do governo sul-coreano
O sindicato dos trabalhadores da Samsung informou no fim da quarta-feira que a greve planejada foi suspensa por tempo indeterminado após a retomada das negociações com a direção da empresa, com participação do ministro do Trabalho da Coreia do Sul.
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A paralisação estava prevista para começar nesta quinta-feira, depois que as conversas sobre bônus salariais fracassaram, levantando preocupações sobre possíveis impactos na produção de semicondutores da maior fabricante mundial de chips de memória.
No entanto, o sindicato anunciou que a greve “foi adiada até novo aviso” e que submeterá um acordo salarial preliminar à votação dos trabalhadores. Todos os membros participarão da votação, marcada entre 23 e 28 de maio.
O ministro do Trabalho, Kim Young-hoon, afirmou que a direção da Samsung e o sindicato chegaram a um acordo preliminar por meio de negociações voluntárias e agradeceu às partes por “manterem o diálogo até o fim”.
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A Samsung também se desculpou pela “preocupação causada” pela disputa e prometeu construir uma relação trabalhista “mais madura e construtiva” para evitar situações semelhantes no futuro.
A greve, se confirmada, seria muito maior do que a paralisação de 2024, que reuniu cerca de 6 mil trabalhadores. Segundo o advogado do sindicato, cerca de 50,5 mil funcionários poderiam cruzar os braços por 18 dias.
A tensão ocorre em meio à insatisfação dos trabalhadores com a distribuição dos lucros da empresa, impulsionados pelo boom da inteligência artificial. A Samsung registrou alta de cerca de 750% no lucro operacional do primeiro trimestre na comparação anual, e seu valor de mercado superou US$ 1 trilhão pela primeira vez em maio.
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O sindicato pedia o fim do teto que limita os bônus a 50% do salário anual e queria que 15% do lucro operacional fosse destinado a bonificações.
A Samsung, por sua vez, argumentou que aceitar as demandas “excessivas” do sindicato poderia comprometer princípios fundamentais de gestão da companhia.
O impasse gerou preocupação na Coreia do Sul, onde os semicondutores representam cerca de 35% das exportações e são um dos pilares da economia.
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Analistas, porém, avaliam que o impacto de uma eventual greve poderia ser limitado. Segundo Tom Hsu, da consultoria TrendForce, o alto nível de automação das fábricas deve permitir que a produção de chips de memória siga normalmente, com eventuais impactos restritos a outras áreas de negócios.
As ações da Samsung Electronics fecharam em alta de 0,18% em Seul nesta quarta-feira.
A Samsung é uma das principais fabricantes de chips usados em aplicações que vão de inteligência artificial a eletrônicos de consumo e anunciou neste ano o início da produção em massa de chips HBM4, considerados estratégicos para a expansão dos data centers voltados à IA.
