Simplesmente linda! “Capela Sistina dos Andes” que mistura murais bíblicos com símbolos indígenas passa por restauração histórica

Simplesmente linda! “Capela Sistina dos Andes” que mistura murais bíblicos com símbolos indígenas passa por restauração histórica - Foto
Fonte da notícia: O Antogonista O Antogonista

A deterioração provocada pela água tornou necessária uma restauração para preservar esse patrimônio histórico e cultural. A igreja de Curahuara de Caranga, construída no século XVI, a cerca de 4 mil metros de altitude, guarda uma combinação artística que atravessou séculos e agora precisa ser protegida.

Localizada em Curahuara de Carangas, na região de Oruro, na Bolívia, a chamada “Capela Sistina dos Andes” reúne pinturas religiosas, referências às tradições indígenas e elementos da paisagem andina. A deterioração provocada pela água tornou necessária uma restauração para preservar esse patrimônio histórico e cultural.

A construção começou por volta de 1578, durante o período colonial, por iniciativa dos agostinianos. O interior abriga aproximadamente 300 metros quadrados de pinturas murais, concluídas por volta de 1777, que revelam o encontro entre a tradição artística europeia e as referências culturais dos povos andinos.

O diferencial está na maneira como essas influências aparecem juntas. As imagens cristãs dividem espaço com animais da região, símbolos astrais e representações indígenas, formando um conjunto associado ao barroco mestiço andino.

As pinturas não se limitam a reproduzir passagens da Bíblia. Elas também incorporam elementos que ajudam a compreender como diferentes tradições culturais conviveram durante a colonização.

Entre as representações mais marcantes estão: La iglesia de Curahuara de Carangas se ha convertido en la principal seña de identidad de los poco más de 6.600 habitantes del pueblo homónimo, quienes buscan en el atractivo turístico un ingreso adicional para su economía basada en el ganado camélido

A presença de referências locais diferencia o templo de construções que reproduzem exclusivamente modelos europeus. Além dos animais andinos, há representações indígenas e uma imagem da Virgem Maria com um tocado de plumas, elementos que ampliam a complexidade artística do conjunto.

Pesquisadores como José de Mesa e Teresa Gisbert ajudaram a divulgar a importância dessas pinturas. Seus estudos contribuíram para a interpretação de que artistas indígenas e mestiços adaptaram linguagens europeias às próprias experiências culturais, em vez de apenas copiá-las.

O projeto recebeu financiamento de US$ 66 mil da Embaixada dos Estados Unidos. A intervenção busca conter os danos provocados pelo tempo e pela infiltração de água, que já afetaram partes da estrutura e ameaçaram a conservação dos murais.

As principais frentes de trabalho incluem medidas essenciais para proteger o edifício e seu acervo artístico: Reparação e recuperação da cobertura para reduzir a entrada de água e ajudar a proteger o interior do templo.

Intervenções nos elementos estruturais que contribuem para sustentar a construção e preservar sua estabilidade. Recuperação das áreas deterioradas do revestimento externo para contribuir com a proteção do edifício histórico.

Aplicação do conhecimento dos moradores sobre o entrelaçamento de feixes de palha usado na cobertura tradicional. A igreja representa mais do que um monumento religioso.

Suas pinturas documentam a interação entre o cristianismo introduzido pelos colonizadores e as referências culturais das comunidades indígenas, preservando vestígios de uma história marcada por transformações profundas. A restauração também pode favorecer o turismo e criar oportunidades econômicas para Curahuara de Carangas, município com cerca de 6.600 habitantes.

Ao proteger a estrutura e as pinturas, a iniciativa busca manter viva uma expressão artística singular dos Andes para as próximas gerações.

Publicação Original O Antogonista oantagonista.com.br
Acessar no site oficial
Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X
Curadoria e Apuração Editorial QTU Conteúdo jornalístico publicado em conformidade com os nossos Princípios Editoriais e política de transparência.
Conhecer a Redação →