Sienna Miller detalhou os desafios que enfrentou para interpretar na série War Carla Duval, uma atriz que tem que enfrentar o machismo para conquistar o seu lugar em Hollywood, entre os altos e baixos da sua carreira, enquanto passa por um divórcio com rumos imprevisíveis e cria um filho adolescente.
A atriz, de 44 anos, disse que estava grávida do terceiro filho durante toda a filmagem, o que impactou na caracterização da personagem britânica. "No início, experimentamos algumas ideias.
Eu ia cortar o cabelo, depois conversamos sobre fazer cachos, mas as filmagens durariam cinco meses, e enrolar o cabelo todos os dias teria sido um pesadelo. Também estive grávida durante toda a produção.
No fim, gostei da ideia de usar meu cabelo natural, porque raramente tenho a oportunidade de fazer isso na tela. Quando vi o figurino e a composição do visual, tudo fez sentido.
O estilo combinava bastante com o que eu usaria naturalmente: algo um pouco despojado, com um toque francês. Originalmente, Carla havia sido escrita como uma personagem francesa, então eu tinha em mente aquela elegância parisiense despretensiosa", contou.
'WAR', nova série dramática jurídica com Dominic West e Sienna Miller Divulgação
A estadunidense ainda contou como foi trabalhar com os colegas de elenco Dominic West (Morgan Henderson), Phoebe Fox (Serena Byrne) e James McArdle (Nicholas Taylor) na série dramática jurídica War, que estreou em 1º de outubro na HBO Max. "Minha primeira peça de teatro foi com Dom, quando eu tinha cerca de 22 anos.
Então, nos conhecíamos há anos, embora não tivéssemos trabalhado juntos desde aquela época. Foi ótimo contracenar com ele, porque é um ator brilhante.
Na realidade, porém, mal trabalhamos juntos, já que nossos personagens estão passando por um divórcio extremamente amargo. A maioria das nossas cenas consistia apenas em trocar olhares hostis de um lado ao outro dos corredores.
Mas, quando finalmente tínhamos cenas juntos, era incrível", disse. "Também foi maravilhoso trabalhar com Phoebe Fox e James McArdle.
Nós três formamos imediatamente um trio muito brincalhão e, às vezes, tínhamos dificuldade para dizer nossas falas porque ríamos demais. Isso acontecia especialmente porque James parece ter acesso a algum tipo de botão do humor que faz todo mundo desmoronar de tanto rir.
Esses momentos de descontração foram muito importantes, porque as filmagens foram desafiadoras: jornadas longas, locações distantes, calor escaldante em alguns momentos e dificuldades logísticas. Ter os dois por perto fez uma enorme diferença.
Phoebe também estava grávida, então criamos um vínculo em torno dos nossos desconfortos e comemos muitos chocolates." James McArdle, Sienna Miller e Phoebe Fox
Divulgação O que fez você querer se envolver com WAR inicialmente?
Eu era uma grande admiradora de alguns trabalhos que George Kay já havia feito e da maneira envolvente como ele conta histórias. Adoro esse tipo de drama cheio de ganchos e reviravoltas, e a ideia de escritórios de advocacia rivais me atraiu muito.
Grande parte do elenco fixo já havia sido escolhida, o que foi extremamente tentador, porque eles tinham conseguido reunir alguns dos melhores atores britânicos. Fiquei muito feliz com a oportunidade de participar, e também já tinha uma relação profissional com o diretor, Ben Taylor.
Já havíamos conversado sobre trabalhar juntos antes, então todos os elementos acabaram se encaixando. Quando você aceita participar de um projeto assim, só lê os primeiros episódios, então era um mistério como tudo terminaria e se desenrolaria.
Mas eu queria muito fazer parte daquele grupo de atores. Como você descreveria a série para as pessoas?
Em poucas palavras, é sobre dois escritórios de advocacia rivais. Um deles é uma empresa nova, em ascensão e ambiciosa, que desafia o establishment tradicional.
Isso também se reflete nos personagens de cada lado: de um lado, os tradicionais e pomposos; do outro, os agressivos e ambiciosos. Todos na série têm suas falhas.
Não acho que exista uma única pessoa perfeita entre eles, e acredito que isso seja justamente o que torna a história tão atraente. São personagens realmente tridimensionais.
Sienna Miller Reprodução/Instagram
O que atraiu você na ideia de interpretar Carla? Você já havia interpretado uma atriz antes? Já havia feito isso algumas vezes.
O que me atraiu em Carla foi o fato de que, no início, eu não sabia muita coisa sobre ela. Sabia que estava passando por um divórcio com o personagem de Dominic West e só havia lido o primeiro episódio e, depois, mais um.
Portanto, ainda havia muita coisa a descobrir. Gostei da ideia de deixar de lado o meu lado caloroso na interpretação, algo que nunca tinha conseguido fazer de maneira realmente convincente.
Mesmo quando interpreto pessoas desprezíveis, costumo trazer certa humanidade e calor para elas, mas queria que Carla transmitisse frieza. Queria experimentar como seria interpretar alguém que não precisava da aprovação dos outros.
No começo, foi bastante libertador, mas, aos poucos, comecei a me sentir mais desconfortável com isso. Carla foi um osso duro de roer, porque é muito fechada, e percebi nela algo que nunca havia interpretado antes.
Você se inspirou em alguém em particular para construir Carla? Com certeza, pensei em algumas pessoas — pessoas que admiro e que têm a capacidade de ser muito frias e estoicas, que não revelam muita coisa e mantêm suas cartas bem escondidas.
Na verdade, foi até agradável experimentar como é ser assim, porque isso exige muito menos energia do que a minha maneira habitual de viver, que é exaustiva. Havia alguma característica de Carla que você admirava?
Gostava da sua tenacidade. Gostava de como ela é implacável e não pede desculpas por quem é.
Ela também é um pouco maluca, e achei isso divertido. Definitivamente, não é a personagem mais adorável que já interpretei, mas não acho que nenhum dos personagens dessa série seja particularmente cativante.
Muitos deles são pessoas imorais, mas são incrivelmente interessantes. Como o fato de Carla ser mãe de um filho adolescente influenciou o comportamento dela durante o divórcio?
Acho que a relação dela com o filho é complicada, como costuma acontecer com a maioria das relações entre pais e filhos adolescentes. Mas eu provavelmente descreveria Carla como uma narcisista, então não tenho certeza de quanto o filho realmente ocupa seus pensamentos na maior parte do tempo.
É claro que ele se torna importante de várias maneiras, mas, no fim das contas, ela frequentemente está concentrada em si mesma. O que você gostaria que as pessoas levassem consigo depois de assistir à série?
Acima de tudo, quero que as pessoas se divirtam e queiram assistir a todos os episódios de uma vez. Quero que se envolvam de verdade com esses personagens.
Provavelmente, não há grandes lições de moral na série — talvez apenas: “Não se divorcie no tribunal”. Mas espero que as pessoas apreciem esse universo tão seco, com um humor sombrio, e fiquem ansiosas para descobrir o que acontecerá a seguir na história.
Revista Quem