Shopping Tijuca: temperatura em loja que pegou fogo chegou a 700°C

 

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A PolĂ­cia Civil do Rio indiciou trĂȘs funcionĂĄrios do Shopping Tijuca, na Zona Norte do Rio, e dois da loja Bell'Art pelo incĂȘndio em janeiro que deixou dois brigadistas mortos e outras cinco pessoas feridas. Segundo a delegada MaĂ­ra Rodrigues, da 19 DP (Tijuca), que comandou as investigaçÔes, o incĂȘndio decorreu de uma “sucessĂŁo de falhas e omissĂ”es que culminaram na tragĂ©dia”. Os peritos da calculam que a temperatura dentro da loja ultrapassou 700ÂșC. Um dos problemas encontrados pela perĂ­cia foi “um estado caĂłtico de distribuição de ramificaçÔes excessivas de condutores elĂ©tricos”.

Foram indiciados por crimes de incĂȘndio doloso qualificado por resultado morte e lesĂŁo corporal culposa dois funcionĂĄrios da Bell’Art: o gerente Fabio de Arruda Soares e o subgerente Felipe Gonçalves Franciscone. TrĂȘs funcionĂĄrios do Shopping Tijuca tambĂ©m vĂŁo responder pelos mesmos delitos, alĂ©m de crime de perigo para a vida ou saĂșde de outrem: a gerente de negĂłcios Renata Barcelos Pereira Noronha, a superintendente Adriana Santilhana Nietupski e o gerente de OperaçÔes Pedro Paulo Alvares Moreira. Estes dois Ășltimos ainda foram indiciados por fraude processual, por autorizarem a entrada e retirada de itens por lojistas da ĂĄrea interditada pela investigação.

A perĂ­cia tĂ©cnica feita pela PolĂ­cia Civil apontou que o incĂȘndio se iniciou na sala de mĂĄquinas da Bell’Art, que ficava no mezanino da loja, localizada no subsolo do shopping, na noite de 2 de janeiro. Sem equipamentos de exaustĂŁo no local, segundo apontou a investigação, a fumaça rapidamente tomou conta do pavimento. Emellyn Silva Aguiar foi uma das brigadistas a realizar o combate Ă s chamas, mas desmaiou e morreu apĂłs inalar a fumaça. O supervisor de segurança Anderson Aguiar, que tambĂ©m era bombeiro civil, atuou no primeiro combate Ă s chamas e depois voltou Ă  loja em busca da colega, mas tambĂ©m morreu no local.

— O contato com o Corpo de Bombeiros foi praticamente 20 minutos depois das primeiras medidas de combate ao incĂȘndio. A linha do tempo mostra que houve uma falha de gestĂŁo durante a crise para evacuar e bloquear os acessos no shopping que foi relevante para gerar exposição a perigo de todos aqueles que estavam lĂĄ no dia do evento — apontou a delegada MaĂ­ra Rodrigues.

Loja Bell'Art que pegou fogo em janeiro. IncĂȘndio foi no mezanino do local

Reprodução

A investigação constatou diversas irregularidades. Administrativamente, a loja nĂŁo tinha o alvarĂĄ do Corpo de Bombeiros e funcionou por 13 meses, atĂ© o incĂȘndio, com anuĂȘncia do shopping. A administração do centro comercial jĂĄ tinha alertado os representantes da Bell’Art sobre riscos de incĂȘndio: seis dias antes, os dois funcionĂĄrios mortos fizeram uma vistoria no local e enviaram um relatĂłrio que descrevia “potencial risco de incĂȘndio”, como o uso da casa de mĂĄquinas como estoque.

— Encontramos vestĂ­gios de falha do sistema de sprinklers. Identificamos, a partir de relatĂłrios, a ausĂȘncia de funcionamento do sistema de detecção de fumaça e a falta de um sistema que lançasse a fumaça para fora do shopping — disse o perito Victor Satiro de Medeiros.

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Inquérito vai para o MP

O inquĂ©rito serĂĄ enviado ao MinistĂ©rio PĂșblico, que poderĂĄ aprofundar as investigaçÔes ou pedir novos esclarecimentos Ă  PolĂ­cia Civil antes de decidir se vai denunciar os indiciados.

Procurada, a Bell’Art nĂŁo respondeu aos contatos. O Shopping Tijuca afirma que “agiu dentro dos seus protocolos de atuação previstos na legislação vigente, notificando imediatamente a loja Bell'Art para que tomasse as devidas providĂȘncias”, e “que executou a evacuação seguindo o plano elaborado por empresa especializada e aprovado pelo Corpo de Bombeiros, o que garantiu que 7 mil pessoas deixassem o local sem qualquer ferimento”.

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