Aprender a nadar é uma habilidade importante para crianças, mas não significa que elas estejam completamente protegidas contra afogamentos. Mesmo quem frequenta aulas de natação ou consegue atravessar uma piscina pode enfrentar situações de risco durante brincadeiras, mergulhos e momentos de distração.
Por isso, a supervisão de adultos continua sendo indispensável em piscinas residenciais, clubes, hotéis e outros espaços de lazer aquático. SIGA O OTD NO WHATSAPP, YOUTUBE, TWITTER, INSTAGRAM, TIK TOK E FACEBOOK
Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), o afogamento está entre as principais causas de mortes acidentais de crianças no país. Dados apresentados pela Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa), em seu boletim de 2025, mostram que piscinas e ambientes domésticos representam locais importantes de ocorrência de afogamentos entre crianças pequenas.
A prevenção depende de uma combinação de medidas. Além de ensinar habilidades aquáticas, é necessário controlar o acesso à piscina, manter equipamentos em condições seguras e garantir que um adulto esteja atento durante toda a atividade.
Por que saber nadar não elimina o risco de afogamento? A capacidade de nadar contribui para a segurança na água, mas não impede que uma criança enfrente dificuldades.
Cansaço, sustos, brincadeiras inadequadas e situações inesperadas podem comprometer sua capacidade de permanecer na superfície. A Academia Americana de Pediatria (AAP), em diretriz publicada em julho de 2026, reforça que as aulas de natação representam uma camada de proteção, mas não substituem a supervisão constante.
O documento também destaca que a competência aquática envolve mais do que aprender movimentos básicos. É necessário desenvolver habilidades para reconhecer riscos, controlar a respiração e reagir a situações inesperadas.
Por isso, os responsáveis não devem interpretar a conclusão de um curso de natação como autorização para que a criança utilize piscinas sem acompanhamento. Qual deve ser a distância entre o adulto e a criança?
A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que crianças pequenas permaneçam sob supervisão direta, com um adulto a uma distância máxima de um braço quando estiverem na água ou próximas dela. Essa proximidade permite uma resposta mais rápida caso a criança perca o equilíbrio, mergulhe involuntariamente ou apresente dificuldades.
A supervisão também precisa ser contínua. Utilizar o celular, conversar sem observar a piscina ou realizar outras tarefas pode comprometer a atenção do responsável.
Em encontros familiares, é importante definir claramente quem ficará responsável por acompanhar as crianças. A presença de vários adultos no mesmo ambiente não garante que alguém esteja efetivamente observando a água.
Mesmo em clubes e hotéis com guarda-vidas, os responsáveis devem continuar acompanhando os menores. Cercas e portões ajudam a prevenir acidentes?
As barreiras físicas são importantes porque dificultam o acesso de crianças à água quando não existe supervisão. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda instalar cercas ao redor dos quatro lados da piscina, com aproximadamente 1,5 metro de altura, estrutura que não facilite a escalada e portão com tranca.
O objetivo é impedir que uma criança consiga chegar sozinha à área de banho, especialmente quando os adultos estão dentro da residência ou envolvidos em outras atividades. Também é importante evitar deixar brinquedos próximos ou dentro da piscina, pois eles podem atrair a atenção das crianças.
Piscinas portáteis e infláveis exigem cuidados semelhantes. Quando não estão sendo utilizadas, devem ser esvaziadas e guardadas de maneira adequada.
Boias de braço substituem o colete salva-vidas? Boias de braço, espaguetes e brinquedos infláveis são frequentemente utilizados durante atividades recreativas.
Entretanto, esses objetos não devem ser considerados equipamentos de segurança contra afogamentos. A Sociedade Brasileira de Pediatria alerta que dispositivos recreativos podem escorregar, perder ar ou não manter a cabeça da criança fora da água.
Os coletes salva-vidas apropriados e certificados oferecem uma proteção mais adequada em situações que exigem equipamentos de flutuação. Ainda assim, seu uso não substitui a presença de um adulto.
A escolha deve considerar tamanho, peso, ajuste e finalidade do equipamento, respeitando as recomendações do fabricante. Quais cuidados tomar com ralos e equipamentos da piscina?
Além da profundidade e do acesso à água, a estrutura da piscina também precisa ser observada. Sistemas de sucção podem oferecer riscos quando ralos estão danificados ou não possuem dispositivos de proteção adequados.
Cabelos, roupas e partes do corpo podem ficar presos em determinadas condições. A Sobrasa inclui a prevenção de acidentes relacionados à sucção entre as medidas de seu programa Piscina Mais Segura, voltado à educação e à segurança em instalações aquáticas.
Em clubes, condomínios e hotéis, os responsáveis devem procurar informações sobre a manutenção da piscina e evitar o uso quando houver sinais de problemas nos equipamentos. Também é importante orientar crianças a não brincar perto de ralos ou dispositivos de sucção.
Como agir diante de uma situação de afogamento? Quando uma criança apresenta dificuldades na água, o primeiro cuidado é acionar imediatamente o guarda-vidas, quando houver, ou solicitar ajuda de emergência.
O Corpo de Bombeiros pode ser chamado pelo telefone 193, enquanto o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) atende pelo 192. O resgate deve ser realizado sem colocar outras pessoas em risco.
Quem não possui treinamento deve evitar entrar impulsivamente na água e, quando possível, oferecer um objeto flutuante ou outro recurso de alcance seguro. Após a retirada da água, é necessário avaliar a respiração e seguir as orientações dos profissionais de emergência.
Se a criança não respirar normalmente, a ressuscitação cardiopulmonar deve ser iniciada por quem estiver capacitado, com orientação do serviço de emergência. Mesmo quando a criança aparenta recuperação após ter apresentado dificuldade respiratória por submersão, é importante buscar avaliação médica.
A prevenção permite aproveitar a piscina com mais segurança Piscinas podem oferecer oportunidades de lazer, convivência familiar e aprendizado de habilidades aquáticas.
Entretanto, a segurança não depende apenas da capacidade de nadar. Supervisão constante, controle de acesso, manutenção dos equipamentos e orientação das crianças devem funcionar de maneira complementar.
A principal recomendação das entidades de pediatria é não deixar crianças pequenas sozinhas na água, nem por períodos curtos. Afinal, a prevenção de afogamentos começa antes de qualquer situação de emergência e depende de cuidados mantidos durante toda a atividade.
Olimpiada Todo Dia