Setor de supermercados vê com otimismo venda de remédios, mas mudança não será imediata

 

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Dois dias após a sanção da lei que permite a venda de remédios, as principais redes de supermercados ainda estudam como implementar a novidade. Ainda que representantes do setor vejam a mudança com otimismo, custos de manutenção e de fiscalização podem atrasar a novidade.

O Assaí é um dos supermercados que já tem plano de implementação de farmácias nas próprias lojas. Segundo a empresa, as operações vão ser instaladas no interior dos estabelecimentos, em um ambiente físico exclusivo e com presença integral de farmacêutico.

A previsão da empresa é que 25 unidades de farmácias próprias sejam abertas no estado de São Paulo a partir do segundo semestre desse ano.

Para o presidente da Associação Brasileira de Supermercados, João Galassi, a mudança tende a beneficiar tanto consumidor, como a empresa:

'Com essa aprovação, o consumidor brasileiro, as famílias, os idosos, terão mais acesso à saúde, terão a possibilidade de resolver no mesmo local todas as suas necessidades de consumo, amplia para os supermercados a possibilidade de gerar mais experiência ao consumidor e acesso, principalmente, nos locais mais remotos das cidades brasileiras.'

Apesar de permitir aos supermercados que ampliem os produtos vendidos, a lei exige que as empresas sigam uma série de exigências para que possam vender os fármacos.

Tomate,, supermercado,

Beatriz Ferro/ Modus Focus/ Agência OGlobo

O presidente da Associação Brasileira das Redes de Farmácias e Drogarias, Sergio Mena Barreto, explica que os mercados terão que seguir a lógica sanitária adotada no país:

'A lei autoriza que o supermercado, que até então tinha uma farmácia na galeria, possa colocar essa farmácia dentro do supermercado, mas não permite que os produtos estejam misturados a outros produtos que o supermercado vende. Então, continua sendo uma venda separada, continua sendo um medicamento um negócio especializado, e que agora o supermercado pode ter uma farmácia no interior do salão de vendas para oferecer esse tipo de produto ao consumidor. Com presença do farmacêutico, com licença, seguindo todos os padrões de temperatura das notas técnicas da Anvisa, das resoluções que todas as farmácias seguem'

Além disso, Barreto aponta ainda que remédios controlados serão vendidos apenas mediante receita e, se tiverem que ser transportados do balcão de atendimento até outro local de pagamento, ele deverá estar lacrado.

O presidente da Abrafarma sinaliza também que o apetite do setor para adotar a mudança pode variar. Isso porque fármacos demandam cuidados específicos e muitas inspeções, o que pode afastar algumas empresas da empreitada.