Irã revela permissão a 'nações amigas', entre elas China e Rússia, para navegação no Estreito de Ormuz
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o Irã permitiu que 'nações amigas' utilizassem o Estreito de Ormuz para navegação comercial.
Araghchi citou cinco países: China, Rússia, Índia, Iraque e Paquistão.
'Não há razão para permitir que o inimigo passe pelo estreito. Permitimos a passagem de certos países que consideramos amigos', declarou o ministro, segundo a agência de notícias oficial do Irã.
O parlamento iraniano busca aprovar uma lei em breve para introduzir a cobrança de pedágio para navios que transitam pelo Estreito de Ormuz. A informação já tinha sido revelada anteriormente, e agora possui apoio dentro do governo para institucionalizar medida, segundo as agências de notícias iranianas Fars e Tasnim.
O presidente da Comissão de Assuntos Civis do parlamento afirmou que um projeto de lei já foi elaborado e será finalizado em breve pela equipe jurídica da assembleia legislativa.
'De acordo com este plano, o Irã deve cobrar taxas para garantir a segurança dos navios que passam pelo Estreito de Ormuz. Isso é absolutamente natural. Assim como em outros corredores, quando mercadorias atravessam um país, são pagos impostos; o Estreito de Ormuz também é um corredor. Garantimos sua segurança e é natural que navios e petroleiros paguem os impostos correspondentes', declarou.
O Irã está liberando a passagem de alguns navios pelo Estreito de Ormuz. Se, em alguns casos, isso acontece mediante negociação entre o país e o governo iraniano, na maior parte dos casos é através de uma espécie de pedágio.
A agência de notícias Bloomberg destaca que alguns petroleiros sim retomaram a travessia, pagando um valor que chega a US$ 2 milhões.
Do outro lado, Teerã enviou uma carta à Organização Marítima Internacional anunciando que Ormuz está aberto a embarcações 'não hostis'.
O Irã busca o reconhecimento internacional de seu direito de exercer autoridade sobre o Estreito de Ormuz como uma das cinco condições para o fim da guerra em curso.
Segundo o jornal The New York Times, um plano de paz enviado pelo governo americano ao Irã - e recusado - contém 15 pontos e propõe um cessar-fogo de 30 dias. Em troca, o regime se comprometeria em acabar com todo o enriquecimento de urânio e suspender o financiamento a grupos como o Hamas, na Faixa de Gaza, e o Hezbollah, no Líbano.
O acordo também fala em transformar o Estreito de Ormuz, por onde passam 20% da produção mundial de petróleo e gás, numa zona de livre navegação.
Os iranianos defendem o controle completo de Ormuz.
Trump afirma que Irã foi derrotado
Donald Trump durante ataques contra o Irã.
Daniel Torok / Casa Branca
Em um discurso para doadores de campanha do Partido Republicano, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a sugerir que o poderio militar do Irã foi derrotado. Trump alegou também que os líderes iranianos negam estar negociando um acordo de paz com ele porque 'têm medo de serem mortos pelo próprio povo'.
Nessa quarta (25), o ministro das Relações Exteriores do Irã disse que os Estados Unidos 'reconhecem derrota' ao falar sobre negociações neste momento para um fim do conflito entre os países.
Segundo ele, Teerã não tem a intenção de negociar, mas sim de 'continuar resistindo'.
Washington propôs interromper os ataques e, em troca, o regime se comprometeria a acabar com todo o enriquecimento de urânio e suspender o financiamento a grupos como Hamas e Hezbollah.
O Irã confirmou ter recebido o plano de paz proposto por Trump, mas o chamou de 'excessivo e desconectado da realidade'. Terminou afirmando que o americano não ditará o fim do conflito. Na contraproposta, o país apresentou, entre as condições para encerrar a guerra, o 'exercício da soberania' do Irã sobre o Estreito de Ormuz e a interrupção total da 'agressão e dos assassinatos'.
O governo iraniano ainda disse que vai encerrar a guerra por decisão própria - e só quando as próprias condições forem atendidas.
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, negou que o Irã tenha rejeitado as ofertas de cessar-fogo. Ela reafirmou a fala de Trump, que passou os últimos dias dizendo que os Estados Unidos já venceram a guerra.
Nessa quarta (25), o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, afirmou que a guerra no Oriente Médio saiu do controle e se encaminha para virar um conflito maior e mais espalhado.
Em Israel, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu falou em expandir a 'zona-tampão', área ocupada pelos israelenses no sul do Líbano.
No campo das negociações, Reino Unido e França vão presidir uma reunião virtual com chefes militares de cerca de 30 países dispostos a abrir o Estreito de Ormuz e formar uma coalizão pela segurança do local. A informação partiu de uma fonte do Ministério da Defesa britânico para a agência France-Presse.
Ilha de Kharg serve como ponto estratégico do Estreito de Ormuz para o Irã.
2026 Planet Labs PBC/Divulgação
