A senadora paraguaia Esperanza Martínez pediu nesta quinta-feira, 5 de novembro de 2026, que a Justiça e o Ministério Público do Paraguai imputem com urgência o presidente Santiago Peña e confisquem seus bens. O objetivo declarado é impedir que ele deixe o país antes de responder pelo colapso do Ueno Bank.
Na fala, a opositora do partido Participación Ciudadana citou o risco de uma fuga “como ocorreu com Bolsonaro”. “Que ele seja formalmente acusado para que não saia do país e que seus bens sejam confiscados, afinal, existe o risco de acontecer o mesmo que ocorreu com Bolsonaro, que, com ajuda internacional, acabe hoje em algum lugar onde a Justiça paraguaia não consiga encontrá-lo.
É preciso ser rápido, é preciso ser certeiro, e o Ministério Público tem que parar de enrolar, pois já faz tempo que tem em mãos o pedido de acusação contra o presidente da República e não tomou providências”, disse Martínez. A referência aponta para a saída recente de Flávio Bolsonaro do Brasil após a derrota eleitoral para Luiz Inácio Lula da Silva.
O senador brasileiro está nos Estados Unidos e enfrenta investigações da Polícia Federal, inclusive por suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Em discurso e em entrevistas, Martínez voltou ao paralelo e perguntou se haverá medidas para fechar passaportes e impedir que Peña decole rumo a um governo aliado.
Renúncia com foro ou julgamento político Peña apresentou renúncia nesta quinta-feira, no mesmo dia em que a Câmara dos Deputados aprovou por 78 votos a acusação de julgamento político e enviou o caso ao Senado.
Martínez rejeita aceitar a demissão. Em mensagem pública, afirmou que não aceita a renúncia, que o julgamento político deve seguir contra Peña e contra o vice-presidente Pedro Alliana, e que rejeita fueros para o mandatário.
Em entrevista, explicou o cálculo institucional. Se Peña cair por julgamento político, perde o escudo.
Se a renúncia for aceita, vira senador vitalício, mantém foro e exige novo rito de desforramento. “Se aceitarmos a renúncia de Santiago Peña, ele ficará com fueros”, resumiu.
Para ela, a sequência colorado de apoiar o julgamento e depois empurrar a aceitação da renúncia pode ser teatro para garantir impunidade. A crise do Ueno e o que já está posto
O Banco Central do Paraguai abriu processo de resolução do Ueno Bank no início da semana por insolvência. A instituição digital deixou milhões de clientes sem acesso a contas e concentrava centenas de milhões de dólares em fundos públicos.
Peña foi acionista do grupo controlador até 2025. O Ministério Público investiga a crise bancária e, segundo a cobertura desta quinta, também abriu frente sobre o próprio presidente.
Até agora, o pedido de Martínez é uma cobrança política e jurídica. Não há prisão decretada de Peña nem condenação judicial.
A renúncia segue sem aceite formal do Congresso. O julgamento político segue no Senado.
A senadora cobra imputação, medidas cautelares e rejeição da saída com foro. O risco de fuga que ela nomeia é hipótese política, não fato consumado.
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