“Semana de vitórias”: Cuba agradece apoio do Brasil contra bloqueio dos EUA

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – A embaixada de Cuba em Brasília foi palco, nesta quarta-feira (28), de um encontro que marcou o acompanhamento da votação da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), na qual uma esmagadora maioria de 130 países rejeitou o bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos à ilha.

O evento contou com a presença de autoridades, representantes de movimentos sociais e ativistas sociais. Para o embaixador cubano no Brasil, Victor Manuel Palomo, o momento coroa o que classificou como “uma semana de vitórias”, referindo-se também à recente reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil.

Em seu discurso, Palomo expressou gratidão pelo posicionamento tradicional e firme do governo brasileiro, que, após os dois dias de debates e argumentos em Nova York, votou ao lado de Cuba. “O Brasil tem um voto com Cuba, histórico.

Nós estamos muito agradecidos da posição histórica do Brasil em apoio a Cuba. É um voto importante”, afirmou o diplomata, reiterando em outro momento: “Estamos muito agradecidos da posição histórica do Brasil em apoio a Cuba”.

Ele também destacou o papel central do presidente Lula: “O presidente Lula tem uma posição muito clara em defesa de Cuba, uma posição de liderança em defesa de Cuba”. O impacto genocida do bloqueio – Ao detalhar as consequências das sanções estadunidenses, que são denunciadas anualmente desde 1992 na ONU, o embaixador descreveu a política como uma punição coletiva imposta a um país pequeno.

“O bloqueio é um exemplo de como uma potência ataca um país pequeno, portanto é um tema internacional”, explicou. Palomo foi enfático sobre a gravidade da situação interna causada pelas restrições de Washington, denunciando o efeito “genocida” do bloqueio na população cubana.

“É um efeito grave, ruim. […] Se traduz em pessoas que não têm água, pessoas que não têm corrente elétrica, que não têm remédios, que não têm capacidade para produzir alimento”.

Em tom de denúncia, reforçou: “O bloqueio a Cuba é uma medida genocida, que se traduz em pessoas que estão morrendo, sem água, energia e medicamentos”. O representante diplomático repudiou a retórica utilizada por Washington para manter as sanções.

“Quando nós dizemos ‘Cuba não é uma ameaça, o bloqueio sim’, é porque Estados Unidos declarou Cuba uma ameaça para a segurança nacional dos Estados Unidos”, pontuou. “Cuba está pedindo que deixem viver em paz”.

Segundo ele, “a narrativa é um discurso mentiroso, ridículo, que ofende a dignidade do povo cubano, do governo cubano.” A dinâmica diplomática e a tensão na ONU – O embaixador explicou os motivos que levam a nação caribenha a insistir na diplomacia multilateral, mesmo diante da intransigência norte-americana.

“Por isso, levamos o debate à ONU”, disse ele. “A imprensa sempre pergunta […] por que Cuba volta todos os anos à Assembleia Geral das Nações Unidas para apresentar sua resolução se Estados Unidos não cumpre com essa obrigação.

E não sempre temos uma explicação técnica, diplomática: as decisões que se adotam em Assembleia Geral de Nações Unidas não é de obrigatório cumprimento”, esclareceu, acrescentando que “as decisões da Assembleia Geral não são de cumprimento obrigatório”. A barreira real, segundo Palomo, encontra-se em outra instância da ONU.

“Como Estados Unidos é um dos membros permanentes do Conselho de Segurança que tem direito a veto, não podemos fazer nada ali. Esse não é um lugar para discutir.” Ele ressaltou ainda que “o Conselho de Segurança, que tem o poder de veto, é um espaço onde não podemos atuar”.

Questionando a ordem global, o embaixador indagou: “Em que mundo estamos vivendo em que Estados Unidos agridem, assassinam crianças, ameaçam a outros estados, violam o direito internacional e os países se entregam aos Estados Unidos?” Contudo, celebrou o resultado da votação com otimismo: “Essa é a vitória de hoje”.

Para ele, o resultado é “uma vitória mais importante para Cuba e uma vitória importante para a humanidade, uma nova vitória importante para a humanidade”. “Essa é uma semana de vitórias”, sintetizou, ressaltando que “Cuba fica aí, em essa resistência, em essa capacidade de luta”, e que “essa capacidade de luta que não seria possível sem o apoio internacional, sem essa solidariedade dos povos”.

Solidariedade saarauí e alerta sobre o Conselho de Segurança – O evento também contou com o pronunciamento do embaixador Ahmed Mulay, da República Saarauí, que celebrou a conquista cubana e convocou a sociedade civil à ação. “Sabemos que com o tempo a justiça vai ganhar, o direito internacional vai ganhar.

Mas ganhará se nós atuarmos”, declarou. Ele instou os presentes à mobilização: “Saindo daqui, cada um de nós o que vai fazer? Devemos, cada um de nós, em suas redes, nos meios de comunicação, aos seus vizinhos de casa, aos seus amigos de trabalho, informá-los desta vitória.”

Ahmed Mulay (Foto: Brasil 247) Mulay destacou os laços históricos entre as duas nações.

“Cuba também é para o povo saarauí um país irmão. E esperamos que, depois de nossa vitória […] possamos devolver a Cuba o que ela fez, especialmente: milhares de meninas e meninos saarauís foram formados nas escolas cubanas”, afirmou, lembrando que esses jovens hoje atuam como profissionais e combatentes contra a ocupação marroquina.

O embaixador saarauí aproveitou a ocasião para fazer um grave alerta internacional sobre uma votação marcada para o dia 30 no Conselho de Segurança da ONU. “No dia 30 será votada uma resolução no Conselho de Segurança.

Foi uma resolução apresentada pelos norte-americanos com o Marrocos contra nós. O que buscavam? Eliminar o povo saarauí, eliminar a Frente Polisário”, denunciou.

Diante dessa ameaça, Mulay foi categórico sobre as consequências de uma eventual aprovação do texto: “A Frente Polisário disse: se o Conselho de Segurança aprova isso, nos retiramos das negociações e voltamos ao que sabemos, que é com as armas, se não conseguirmos a liberdade.” Encerrando seu discurso com uma mensagem de esperança e resistência anticolonial, o diplomata comparou a luta de seu povo às grandes vitórias históricas do Sul Global.

“Os povos sempre ganham. O Vietnã ganhou dessa loucura, Angola ganhou, a Argélia ganhou.

São povos que ganharam. E então, Cuba vai ganhar.

O povo saarauí vai ganhar. Vamos em frente.”

Publicação Original Brasil 247 brasil247.com
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