Um Airbus A330 perdeu os dois motores sobre o Atlântico com 306 pessoas a bordo. O avião percorreu quase 120 km planando até os Açores e evitou uma tragédia.
Em 24 de agosto de 2001, 306 pessoas viveram momentos de terror a bordo de um Airbus A330 da Air Transat que ficou sem os motores. Durante um voo entre Toronto, no Canadá, e Lisboa, em Portugal, uma falha provocou o vazamento de combustível e levou à parada dos dois motores em pleno Atlântico.
Sem propulsão e longe de um aeroporto, o comandante Robert Piché precisou transformar o avião em um planador para tentar salvar todos a bordo. O resultado foi uma das manobras mais impressionantes da história da aviação comercial.
O problema começou quando uma tubulação de combustível do motor direito se rompeu, provocando um vazamento de aproximadamente 13 toneladas por hora. A tripulação percebeu alterações nos indicadores, mas inicialmente não identificou corretamente a gravidade da situação.
A sequência de falhas levou ao desligamento dos motores: Plus aucun moteur et 306 personnes à bord : comment cet Airbus a plané 19 minutes au-dessus de l’Atlantique ? #news
Com os dois motores desligados, o Airbus A330 perdeu sua capacidade de propulsão. A aeronave estava a aproximadamente 120 quilômetros da pista da base aérea de Lajes, nos Açores, e começou a perder altitude rapidamente.
O comandante Robert Piché, que acumulava 16.800 horas de voo, precisou utilizar sua experiência para controlar a descida. Mesmo sem os motores, o avião ainda conseguia planar, aproveitando a sustentação aerodinâmica das asas.
A aeronave desceu aproximadamente 2 mil pés por minuto enquanto a tripulação tentava alcançar a pista. Durante esse período, parte dos sistemas dependia de uma pequena turbina de emergência para continuar funcionando.
Sem os dois motores, a tripulação precisou transformar o Airbus A330 em um planador para alcançar a pista de Lajes, nos Açores. Os pilotos precisaram controlar o avião mesmo com os dois motores desligados e sem propulsão.
A tripulação precisava chegar à base aérea antes que a altitude disponível acabasse. O comandante precisava administrar a descida e manter condições adequadas para tentar o pouso.
Sem contar com todos os sistemas convencionais, os pilotos precisaram realizar uma manobra decisiva para salvar os passageiros. O Airbus conseguiu alcançar a pista após 19 minutos planando.
Apesar do pouso extremamente difícil, todas as 306 pessoas sobreviveram. Às 6h45 UTC, exatamente 19 minutos depois da parada do segundo motor, o Airbus conseguiu tocar a pista 33 da base aérea de Lajes, a aproximadamente 370 km/h.
O pouso foi extremamente violento. Os pneus estouraram, as rodas sofreram danos e a aeronave percorreu cerca de 2.300 metros até parar completamente, em uma pista de 3 mil metros.
Apesar da situação, ninguém morreu. Dezesseis pessoas sofreram ferimentos leves e outras duas tiveram lesões mais graves.
A investigação identificou que uma peça incompatível havia sido instalada durante a manutenção, provocando atrito e rompimento da tubulação de combustível. Depois do acidente, algumas medidas foram adotadas para evitar situações semelhantes:
O episódio ficou conhecido como o voo do Planador dos Açores e entrou para a história como o mais longo voo planado de um avião comercial, com aproximadamente 120 quilômetros percorridos sem motores.
O Antogonista