O deputado federal e candidato a vice-presidente na chapa derrotada de Flávio Bolsonaro (PL), Alfredo Gaspar (PL-AL), não terá um mandato eletivo em 2027. Com isso, ele retorna a Alagoas com planos de fortalecer a base e, em dois anos, deve disputar a Prefeitura de Maceió.
Gaspar assumiu o comando do diretório estadual do PL alagoano no início do ano, com planos de disputar uma das duas cadeiras ao Senado e de costurar uma aliança da direita ao redor do candidato vitorioso ao governo do estado, João Henrique Caldas, o “JHC”. Meses depois, porém, as prioridades mudaram e ele foi escolhido para ser vice de Flávio.
Apesar de integrar a chapa presidencial, Gaspar não deixou de lado as articulações estaduais e agora, deve reorganizar o diretório e tentar ampliar a base. O PL em Alagoas conquistou duas cadeiras na assembleia legislativa, dentre elas a de Cabo Bebeto, o mais bem votado do estado, com mais de 99 mil votos.
O partido também espera compor o governo JHC em troca de apoiar o tucano contra Renan Filho (MDB). Aliados do deputado, ouvidos sob reserva pelo Metrópoles, apontam que pleitear o comando da capital é o “caminho natural” para Gaspar.
Apesar de Lula ter vencido em Alagoas tanto no 1º quanto no 2º turno, Maceió deu 52% dos votos a Flávio em ambos. Com a derrota nas urnas, Flávio passou a repetir que as eleições foram fraudadas e saiu do Brasil rumo aos Estados Unidos apesar de ter um pedido de retenção de seus passaportes expedido pelo ministro Alexandre de Moraes.
Gaspar não entoou o questionamento ao sistema eleitoral, agradeceu aos eleitores, mas defendeu a saída do senador do país e disse que a direita é “perseguida”. Gaspar ganhou destaque no cenário nacional como relator da CPMI do INSS, que pediu o indiciamento do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O relatório acabaria rejeitado por manobra do governo, mas deu visibilidade para ele e para a oposição. Se confirmada, a candidatura não seria a primeira vez de Gaspar na disputa.
Apesar de hoje estar na oposição ao grupo político comandado pelo senador Renan Calheiros (MDB), em 2020 foi candidato do MDB ao cargo. Liderou o 1º turno, mas perdeu para JHC de virada.
Em 2028, também poderá se opor ao tucano, já que ele deverá tentar emplacar o sucessor dele, Rodrigo Cunha (sem partido), atual prefeito e que foi vice de JHC. Além dele, o MDB ainda deve se reorganizar depois da derrota neste ano.
Metropoles