Sem Bets, esporte olímpico e paralímpico deixará de ganhar R$ 2,6 bilhões até o fim de 2027

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O esporte olímpico e paralímpico do Brasil também sofrerá impacto após proibição das Bets no país. Entidades como Ministério do Esporte, Comitê Olímpico do Brasil (COB), Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) e Comitê Brasileiro de Clubes (CBC), entre outras, eram beneficiadas com repasses legais. E, de acordo com a Lei nº 14.790/2023, que havia regulamentado as apostas, tanto as esportivas quanto os jogos online, organizações deste ecossistema deixarão de ganhar cerca de R$ 2,623 bilhões até 2027. Segundo o governo, a Medida Provisória que acabou com as operações das Bets, publicada em data próxima das Eleições Gerais, é uma ação de proteção às famílias brasileiras por causa de endividamentos O valor é uma projeção do que deixará de ser repassado às entidades em 2026 (de outubro em diante; cerca de R$ 497 milhões) e uma projeção da arrecadação para 2027 (R$ 2,1 bilhões). O cálculo feito pelo COB se baseou em valores recebidos entre 2025 e setembro de 2026 para esboçar o montante “perdido”. O GLOBO validou alguns deles com as respectivas entidades. Mas, o impacto será ainda maior. Isso porque o cálculo não inclui valores que as confederações recebiam de forma direta por conta de apostas em suas modalidades. Readequação Marco La Porta, presidente do COB, afirma que a entidade arrecadou cerca de R$ 200 milhões entre 2025 e 2026 (até setembro). E estimava receber mais R$ 25 milhões até o fim do ano. Para 2027, a projeção da entidade girava entre R$ 125 e R$ 130 milhões. Segundo ele, levando-se em consideração orçamento de R$ 600 milhões, o COB perderá cerca de 20% do valor. — Nosso maior impacto será no ano que vem porque não terá arrecadação. Ou seja, são R$ 125 milhões a menos a dois anos dos Jogos Olímpicos, e claro isso terá consequências — disse La Porta, ao GLOBO, durante a COB Expo, a feira de esportes do COB — Voltaremos ao patamar de antes de 2025, quando não tínhamos esse recurso. Vamos ter de trabalhar com esta realidade. O presidente diz que, para não comprometer a preparação do Time Brasil para Los Angeles-2028, fará cortes em outras áreas ou usará o fundo de reserva da entidade. Também falou que adiará projetos como a ampliação dos Jogos da Juventude: — Mas entendemos que outros entes do esporte, como os clubes, alguns com contratos firmados, sentirão mais. Essa é nossa maior preocupação. Entendemos que deveria ter tido um período de transição para adaptação. Jorge Bichara, diretor de Esporte do COB, afirma que, neste momento, não sabe dizer se conseguirá atender “todas as frentes propostas” para a preparação dos atletas para a próxima Olimpíada. — Estamos discutindo o orçamento e quanto será distribuído para as confederações em 2027. E com a saída destes recursos, vamos fazer uma realocação interna para cobrir as prioridades, dentre elas, a preparação para Los Angeles. que, aliás, se mostra caríssima, principalmente no suporte dentro dos Jogos — afirma Bichara. — Recebi a orientação de que a preparação para Los Angeles segue sendo nossa prioridade. Mas, se conseguiremos atender todas as frentes que tínhamos proposto, não sei dizer ainda. Tênis de mesa é um dos esportes com volume alto de apostas online WANG Zhao / AFP Segundo La Porta, o COB não aumentará o repasse às confederações. Em 2026, a entidade programou R$ 285 milhões de investimento em projetos. Esta verba é distribuída por critérios de meritocracia: — Esse será outro impacto. Não devemos diminuir o repasse, mas também não vamos aumentar. Cortaremos no COB. Sei da dificuldade das confederações pequenas. A distribuição recorde em 2026 é resultado também do dinheiro das Bets. La Porta explicou que, por conta de insegurança jurídica, uma vez que a regulamentação para o uso desta verba ainda estava sendo construída, o COB fez uma espécie de troca. No lugar da verba das Bets, as confederações receberam maiores repasses da Lei Agnelo Piva (das Loterias Federais da Caixa), com regras já praticadas desde 2001. O dinheiro proveniente das Bets foi para o fundo de reserva técnica do COB. Até o final de 2026, a Confederação Brasileira de Basquete (CBB) receberá R$ 6,1 milhões do COB, via Lei Agnelo Piva. Esse valor é menos da metade do que a entidade ganhou das Bets em 2025. Segundo André Alvez, CEO da CBB, foram R$ 13 milhões em 2025 e mais cerca de R$ 6 milhões em 2026. — A NBA impulsiona muito (as apostas), e a temporada começa em outubro. Projetávamos um fim de ano melhor e 2027 melhor ainda — lamenta Alvez. — Para nós é ruim porque nos programamos em cima da lei. Acho que depois do futebol, somos a modalidade com maior prejuízo. Vamos torcer para o melhor acontecer e se esta fonte estancar de vez, vamos ter de nos adaptar. A Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM) também deixará de arrecadar uma bela cifra. Segundo o presidente Vilmar Schindler, a CBTM já recebeu cerca de R$ 5 milhões em repasses provenientes das apostas esportivas, a partir de abril de 2025. A confederação tem atualmente um orçamento da ordem de R$ 25 milhões. — Estávamos considerando esses recursos no planejamento de investimentos adicionais no alto rendimento e na formação de atletas. Eles representam uma oportunidade de ampliar iniciativas importantes para o desenvolvimento do tênis de mesa, além das ações que já estão em execução — diz o dirigente, que ainda não utilizou o montante e aguardava regras clara para tanto. Segundo o texto da lei, a divisão era feita da seguinte maneira: 36% da arrecadação com as Bets deveria ser repassada para a área do Esporte, por meio da seguinte decomposição: 22,20% para o Ministério do Esporte, 2,20% para o COB, 1,30% ao CPB, 0,70% ao CBC, 0,50% à Confederação Brasileira do Desporto Escolar (CBDE), 0,50% à Confederação Brasileira do Desporto Universitário (CBDU), 0,30% ao Comitê Brasileiro de Clubes Paralímpicos (CBCP), 0,30% ao Comitê Brasileiro do Esporte Master (CBEM). NBA impulsiona jogos online: confederação brasileira recebia montante desta fonte Saul Loeb/AFP Além disso, também era previsto em lei que 0,70% fosse destinado às secretarias de esporte ou órgãos equivalentes dos Estados e do Distrito Federal.  No caso do CPB, em 2025, a entidade recebeu R$ 57,4 milhões das Bets. Até setembro de 2026, foram R$ 54,1 milhões, e a projeção para 2027 era de R$ 82,1 milhões. Para o CBC, o rombo será de cerca de R$ 50 milhões. — Acho que tudo isso foi um desserviço. Justamente na hora em que os clubes estavam se organizando para grandes eventos, como Olimpíada, fazendo contratações, programando cursos, etc. Essa verba fará falta no futuro — alerta o presidente do CBC, Paulo Maciel. — Ainda vamos repassar aos clubes o que arrecadamos e vamos esperar o que vai acontecer. Acreditamos que o Congresso (a proibição passará pelo Congresso) fará diferente porque foi uma falta de preparo do governo, que legalizou, regulamentou e não conseguiu administrar. * A repórter viajou a convite do COB

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