‘Selfie de trilhões’ entre Elon Musk e rival chinês viraliza e rouba a cena na visita de Trump

 

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Nesta semana, a atenção do mundo estava voltada para a química entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping, em um encontro de alta tensão na China. Mas, nas redes sociais chinesas, o maior destaque foi um encontro constrangedor entre outros dois homens: Elon Musk e seu rival, o bilionário chinês Lei Jun.

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Uma interação breve e tensa entre Musk, há muito tempo um ídolo da tecnologia na China, e Lei, um dos empresários mais proeminentes do país, viralizou com o público transformando poucos segundos de vídeo em um drama pessoal entre dois rivais dos negócios.

Selfie de Elon Musk com bilionário chinês viraliza nas redes sociais da China

Musk estava em Pequim com a delegação de líderes empresariais que acompanhou Trump no Air Force One. Na quinta-feira, ele se juntou a autoridades americanas chinesas em um banquete no Grande Salão do Povo, onde permaneceu sentado sozinho enquanto uma série de executivos se revezava para tirar fotos em um assento vazio ao seu lado.

Ele já fazia caretas e soltava suspiros visíveis quando Lei, o bilionário fundador da Xiaomi, uma das maiores empresas de eletrônicos da China, se aproximou e fez um gesto pedindo uma selfie. Musk fez algumas expressões faciais, lançou um olhar de indiferença e depois exagerou na pose para a câmera antes de voltar ao celular e fingir estar ocupado.

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O vídeo, de apenas alguns segundos, viralizou quase imediatamente. Musk chegou a republicá-lo no X, a plataforma de mídia social que comprou em 2022 e que é proibida na China, onde o governo controla rigidamente a informação. Alguns usuários criticaram Lei por incomodar Musk, outros disseram que ele havia “passado vergonha” ao parecer bajulador, enquanto outros saíram em sua defesa.

Até a tarde desta sexta-feira, a hashtag #leijunelonmuskselfie acumulava 75 milhões de visualizações no Weibo, uma rede social chinesa.

— É como um macaco subindo numa árvore — escreveu Liujishou, influenciador do Weibo com 13 milhões de seguidores, retratando o pedido de Lei como um ato oportunista.

Selfie de trilhões

Musk é amplamente creditado por impulsionar a concorrência acirrada na indústria chinesa de veículos elétricos. Sua empresa, Tesla, produz metade de seus carros na China, mas os concorrentes locais estão alcançando a companhia rapidamente.

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A Xiaomi é um deles. A empresa de Lei começou vendendo produtos domésticos e smartphones baratos antes de entrar no mercado de veículos elétricos nos últimos anos. Em abril, o modelo SU7 da Xiaomi superou o Model Y da Tesla e se tornou o segundo carro mais vendido da China, segundo a Dcar, plataforma de informações e comércio automotivo.

A internet não perdeu tempo em gerar imagens de inteligência artificial da selfie sob todos os ângulos: uma trocava os rostos dos dois homens, deixando Musk sorrindo e Lei com expressão entediada; outra, fotografada por trás, mostrava os dois olhando para o celular de Lei enquanto ele exibia rankings de vendas de veículos elétricos.

Nem todos consideraram justa a enxurrada de críticas a Lei. Li Ji, outro influenciador conhecido nas redes sociais chinesas, escreveu que Lei não precisava idolatrar ninguém.

— Num banquete de Estado desse nível, ele precisava provar alguma coisa — questionou.

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Selfies com Musk, observou ele, já eram rotina para Lei, que havia posado ao lado do empresário em 2013, durante uma visita a uma fábrica da Tesla nos Estados Unidos. “Elon Musk faz coisas incrivelmente legais”, escreveu Lei após a visita em 2013 e ainda descreveu o empresário como "tão impressionante que quase desafia o senso comum.”

Tirar a foto, acrescentou Li Ji, foi uma jogada inteligente para “pegar carona na fama de um dos maiores influenciadores globais” em um momento em que o mundo inteiro estava assistindo.

Agenda dos Estados Unidos na China

O encontro dos empresários ocorreu durante a visita de Donald Trump à China, em meio a um cenário de instabilidade entre os dois países. Foram dois dias de reuniões com Xi Jinping, em conversas que envolveram temas como negócios em agricultura, aviação e inteligência artificial, além de questões geopolíticas como a guerra no Oriente Médio e Taiwan.

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Autoridades americanas mencionaram acordos comerciais como um compromisso para a compra de 200 aviões da Boeing pela China e a criação de um conselho para supervisionar a redução das tarifas sobre cerca de US$ 30 bilhões em mercadorias. Pelo lado chinês, os comentários foram mais brandos, com Xi fazendo deferências a Trump, chamando a visita de "histórica" e que as partes estabeleceram "uma nova relação bilateral" para uma "relação de estabilidade estratégica construtiva".

Apesar disso, tópicos centrais ficaram sem uma resposta definitiva. No caminho de volta para os EUA, Trump disse a repórteres a bordo do avião presidencial que tinha "conversado bastante" sobre Taiwan com Xi, mas não se referiu a nenhum acerto entre ambos para o futuro da ilha.

Antes da cúpula, Trump havia dito que discutiria com Xi a venda de armas americanas para Taiwan, declarações que se afastaram da postura histórica de Washington de não consultar Pequim sobre o assunto. Na volta para casa, o presidente disse que tomaria uma decisão "em um período relativamente curto de tempo".

Em uma entrevista à rede americana NBC na véspera, o secretário de Estado Marco Rubio declarou que "a política dos EUA sobre a questão de Taiwan não mudou", descrevendo que essa foi a mensagem passada durante os encontros, que não foram interrompidos para aprofundar a questão. Taipé agradeceu a Washington nesta sexta-feira "por expressar repetidamente seu apoio".