Seleon prevê retorno de investimento em dois anos e mira exportação de genética equina

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Fonte da notícia: Globo Rural Globo Rural

Após investir R$ 10 milhões na sua nova central de equinos, que entrou em operação neste ano, a Seleon Biotecnologia prevê um retorno deste investimento em dois anos e meio - o equivalente a três estações de reprodução. A exportação de genética equina para os Estados Unidos, que deve se iniciar no mês que vem, é um dos eixos da estratégia da empresa para os próximos anos.

"Temos um business plan bem estruturado, imaginamos um retorno desse investimento em dois anos e meio. Mas vamos estar constantemente investindo em pesquisa e desenvolvimento", explica o CEO, Bruno Grubisich. De acordo com ele, já existe um projeto de ampliação da capacidade laboratorial.

Os valores dos próximos investimentos ainda não foram definidos, mas, segundo o executivo, eles devem se concentrar mais em tecnologia do que no aumento da capacidade física. A empresa avalia que a estrutura atual, que pode receber 30 garanhões, é suficiente por enquanto, uma vez que os animais deixam o local após a coleta.

Leia também: Lembra dele? Cavalo Caramelo ganha 'namorada' para reprodução no futuro A operação começou no início de 2026, e os primeiros meses foram dedicados a ajustes de processos e protocolos. Cinco garanhões estão atualmente em coleta. Outros animais devem chegar nas próximas semanas à central, localizada em Itatinga (SP). O maior volume de produção começa com a estação de reprodução, que ocorre principalmente na primavera, quando começam a se firmar as primeiras chuvas.

Até agora, o sêmen produzido foi destinado ao mercado brasileiro. Mas a Seleon também deve atuar no mercado de exportação, assim como já acontece na genética de bovinos. O cavalo Medan Al Shaqab, da raça árabe, deve chegar nos próximos dias (veja imagem abaixo). Também está previsto o embarque de genética da raça mangalarga.

"Vejo um potencial enorme para a equinocultura brasileira. Acho que vamos conseguir, de fato, começar a exportar genética não só para os nossos vizinhos aqui, que têm condições climáticas parecidas, mas mundo afora não tem limite", afirma Grubisich.

Não há uma estimativa de quanto da produção deverá ser destinada ao mercado externo. Na genética bovina, por exemplo, esse percentual é de 10%.

O crescimento do mercado de genética equina se deu principalmente após a pandemia. Hoje o Brasil possui o quarto maior rebanho de cavalos do mundo, com mais de 5 milhões de cabeças. No quarto de milha, por exemplo, o rebanho brasileiro é o segundo maior.

Grubisich ressalta que houve um crescimento exponencial do número de cavalos, de criadores e de provas, porém essa alta não foi acompanhada de infraestrutura para atender a reprodução e o melhoramento.

Como funciona O garanhão é coletado, em média, duas a três vezes por semana, mas isso varia conforma a capacidade de reposição do sêmen, demanda e estratégia comercial. Cada animal produz, em média, dez a 12 doses inseminantes por coleta. Os valores variam conforme a genética, mas há coberturas que podem ser comercializadas por até R$ 500 mil.

O investimento já realizado pela Seleon Biotecnologia permitiu a adoção de tecnologias já consolidadas na bovinocultura, como o sêmen congelado de alta performance, rastreabilidade, tokenização em blockchain e sexagem (prática ainda incipiente na equinocultura).

"Até então, na equinocultura, você produzia os embriões e fazia uma biópsia para ver o sexo dele. Então acabava tendo um desperdício muitas vezes de óvulos de alto valor", explica o executivo.

A empresa incorporou equipamentos de última geração para envase, criopreservação e análise computadorizada. A produção estimada da Seleon é de 360 mil doses por ano quando atingir a capacidade máxima de operação.

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