Seleção que jogou sob ameaça: Congo tenta voltar à Copa após episódio traumático; relembre
A Seleção da República Democrática do Congo está a um passo de voltar a uma Copa do Mundo após mais de meio século — e, em Kinshasa, a expectativa é histórica. O país pode disputar o torneio de 2026 e encerrar um jejum que remonta a 1974, quando ainda se chamava Zaire e viveu um dos episódios mais marcantes — e controversos — da história do futebol.
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Naquele Mundial, disputado na Alemanha, o Zaire tornou-se a primeira seleção da África Subsaariana a participar da Copa. Mas o que seria um marco esportivo virou um símbolo de caos, pressão política e humilhação internacional.
Ditadura, ameaças e goleada histórica
Sob o regime de Mobutu Sese Seko, o futebol era tratado como ferramenta de propaganda. Após a classificação, jogadores receberam casas e carros — mas o dinheiro prometido para a Copa nunca chegou às mãos do elenco, consumido por dirigentes.
A revolta interna explodiu no torneio. Após derrota para a Escócia, veio o colapso: uma goleada de 9 a 0 para a Iugoslávia, uma das maiores da história das Copas. A partir daí, o clima virou de medo.
Jogadores relataram anos depois que foram ameaçados pelo regime: se perdessem por mais de três gols para o Brasil, poderiam não voltar para casa.
Foi nesse contexto que surgiu uma das cenas mais icônicas da história dos Mundiais. Na partida contra o Brasil, o defensor Mwepu Ilunga correu para frente da barreira e chutou a bola antes da cobrança de falta de Rivelino.
Na época, o gesto virou motivo de piada e foi tratado como “desconhecimento das regras”. Anos depois, Ilunga revelou: era desespero. Uma tentativa de evitar um placar mais elástico — e possíveis represálias do regime. O Brasil venceu por 3 a 0, e o Zaire escapou do pior.
Do vexame ao retorno histórico
Após a Copa, o ditador tentou apagar o fracasso promovendo o evento de boxe mais famoso da história: a luta entre Muhammad Ali e George Foreman, em Kinshasa, conhecida como Rumble in the Jungle.
Mais de cinco décadas depois, a atual geração congolesa tenta reescrever essa história. Se confirmar a classificação para 2026, o país volta ao maior palco do futebol com outra bandeira, outro nome — e a chance de deixar para trás um dos capítulos mais sombrios já vividos em uma Copa do Mundo.
