Em Abadiânia, município goiano às margens do Lago Corumbá IV, um em cada três domicílios não é a residência principal de ninguém. Pelo Censo 2022 do IBGE, 32,4% das moradias da cidade são de uso ocasional, a categoria que reúne imóveis de fim de semana, férias e descanso.
Em 2010, eram 12,5%. Somados, os sete municípios banhados pelo lago (Abadiânia, Alexânia, Corumbá de Goiás, Luziânia, Novo Gama, Santo Antônio do Descoberto e Silvânia) passaram de 6.496 para 21.631 domicílios desse tipo em doze anos.
No país, eles são 6,7 milhões, 7,4% do total. O Censo não informa onde mora o dono de cada imóvel, mas a geografia ajuda a ler os números.
Formado pelo reservatório da usina de Corumbá IV, em operação desde 2006, o lago tem cerca de 173 quilômetros quadrados de espelho d'água, fica no eixo da BR-060, entre Brasília, Anápolis e Goiânia, e desde 2022 também ajuda a abastecer o Distrito Federal. A capital, por sua vez, tem a maior renda domiciliar per capita do país: R$ 4.538 em 2025, segundo o IBGE, quase o dobro da média nacional, de R$ 2.316.
Mudou também o que se espera de uma segunda casa. A chácara de fim de semana, com caseiro, poço e portão trancado de segunda a sexta, resolve a vontade de ter um imóvel.
Os empreendimentos de alto padrão que chegaram ao lago apostam que a família da capital procura outra coisa: um lugar onde o sábado já esteja resolvido, onde os filhos encontrem outras crianças e onde se saiba, de antemão, quem são os vizinhos. É sobre essa aposta que o Grupo CPR desenvolve a Fazenda do Lago, em Abadiânia, a 109 quilômetros de Brasília, com acesso 100% asfaltado pela BR-060.
Em 2,8 milhões de metros quadrados de cerrado à margem do lago, o projeto se define como um wellness club residence: um endereço organizado em torno de clubes, e não de lotes. O masterplan prevê marina, piscina de ondas, campo de golfe, haras, clube de tênis, um centro de bem-estar com spa e um hotel dentro do clube, para que o fim de semana não termine no domingo.
Para a família que vem da capital, o plano inclui os itens que costumam decidir se a casa será usada todo fim de semana ou só nos feriados: kids village para as crianças, ambulatório dentro do perímetro e, no centro de bem-estar, academia, piscinas aquecidas, trilhas e espaços de meditação e yoga.
O material do empreendimento resume a ideia numa frase: "O bem-estar não é uma sala. É a infraestrutura de um modo de vida".
A diferença mais visível, porém, não está na lista de estruturas. Está na porta.
Na Fazenda do Lago, entra-se por aprovação: antes de se tornar proprietário, o interessado passa por uma curadoria, que funciona como porta de entrada da comunidade. A lógica é a mesma que transformou clubes privados em comunidades que se reconhecem: o que sustenta a experiência não é o preço do metro quadrado, e sim a afinidade entre quem divide o endereço.
"A curadoria não é sobre quem fica de fora. É sobre a qualidade do convívio de quem está dentro.
O que vendemos, no fim, é a vizinhança", afirma Marlon Ceni, CEO do Grupo CPR. O pertencimento também não espera a casa ficar pronta, e é nesse ponto que o projeto mais se afasta do roteiro tradicional de venda.
"O cliente passa a fazer parte de uma comunidade logo na aquisição, com eventos no local, nas capitais dos estados e até em São Paulo, e desfruta de benefícios da sua concierge de atendimento. O Brasil não tem nada parecido: o cliente é o centro de tudo, depois falamos de metro quadrado", diz Ceni.
Para ele, é a soma de comunidade e experiência que separa o empreendimento do que o mercado de lago costuma oferecer. "Na Fazenda do Lago, a gente não vende lote.
Vende pertencimento e experiência, e esse é o nosso diferencial", resume. A promessa de experiência se apoia no que não aparece no folder.
A primeira fase do empreendimento, com 472 lotes em 32 quadras, está registrada em cartório, e a obra segue uma ordem declarada: primeiro terraplenagem, vias e drenagem; depois as redes subterrâneas de energia e água; e, em sincronia com essa base, as estruturas de lazer. Para quem sai de Brasília, é o que separa um endereço de uma maquete.
Num mercado em que quase tudo se replica, do acabamento à lista de amenidades, a segunda residência de alto padrão perto de Brasília parece ter encontrado um atributo que não se copia. A pergunta do comprador deixou de ser quanto custa o metro quadrado e passou a ser com quem se vai dividir o fim de semana.
Quanto vale, para uma família da capital, saber essa resposta antes de assinar?
O Globo