Por João Renato AlvesPostado em 02 de novembro de 2026 Em depoimento ao canal de Bon Scott no YouTube, Scott Ian falou sobre a importância da fase do AC/DC com o vocalista em sua vida.
O guitarrista do Anthrax não escondeu a idolatria pelo período do grupo, especialmente por conta da personalidade do cantor. "Sempre que me fazem aquela pergunta - 'Qual é a sua banda favorita de todos os tempos?' - eu respondo: 'AC/DC, na fase com o Bon'.
Para mim, aquele período representa a música que mais gosto de ouvir em toda a minha vida. Penso naqueles tempos, lá nos anos 70, ouvindo aqueles discos - algo que, à primeira vista, talvez não fosse para causar tanto fascínio, já que não era como o Kiss, que apostava numa imagem grandiosa por trás da qual os integrantes se escondiam.
Mas havia algo especial no fato de eles fazerem rock 'n' roll - um gênero que, àquela altura, já existia há décadas - de uma maneira diferente. E, para mim, esse diferencial era o Bon.
Na minha cabeça, ele era diferente de tudo o que havia surgido até então. Não sou crítico musical, mas, para mim, era algo inédito, e foi isso que me conquistou.
Eles eram o meu Led Zeppelin, os meus Beatles... Sabe o que quero dizer? Para a garotada da minha geração, tudo girava em torno do Bon."
Falando sobre as letras de Bon - que eram ousadas, atrevidas e carregadas de uma postura confiante -, Scott comentou: "Sinto que eram muito mais 'punk', no sentido de serem simplesmente mais realistas. Se você pegar as letras de 'It's A Long Way To The Top' ou 'Rock 'N' Roll Singer', não há nada ali que soe cafona ou artificial - algo que, nas mãos de outros vocalistas ou cantores, provavelmente teria ficado terrível.
Mas ele conta uma história de um jeito com o qual você consegue se identificar, algo tão próximo da vida real, algo visceral - real, de fato. Não tem enrolação, não tem conversa fiada.
Por outro lado, também não é como se você estivesse lendo uma notícia de jornal. A maneira como ele construía as frases mantém o seu interesse, porque não dá a sensação de ser apenas uma história genérica sobre um cara qualquer que queria entrar para uma banda.
Era parte da genialidade dele: conseguir pegar algo que, às vezes, seria totalmente banal e torná-lo, de fato, interessante. Dá a impressão de que ele está piscando para você em algumas dessas letras, mas não.
Independentemente de quanto disso seja verdade, sempre entendi que esse cara estava nos contando histórias da própria vida. Se eu estivesse lendo isso em um livro de poesia ou em uma autobiografia, acreditaria piamente que seus contos de pirata eram todos reais.
E o fato de estar tão entregue e comprometido - é isso que me faz sentir, de verdade, que não está piscando para a gente; ele não precisa disso. É como se estivéssemos por dentro da brincadeira, porque tudo soa tão real - quase como um 'dá para acreditar nisso?'.
Tipo: 'Dá para acreditar nessas merdas que estou contando nestas letras?' Para um garoto de 15 ou 16 anos na época, era fascinante ter uma janela para... continuo usando a palavra 'pirata', porque foi, de fato, a primeira coisa que me veio à cabeça quando ouvi o Bon Scott; eu tinha uma janela para a vida desse pirata.
Eu não sabia nada sobre os outros integrantes da banda, porque, pelo visto, nenhum deles falava nada." Nascido em Forfar, cidade no condado de Angus, Escócia, Ronald Belford Scott se mudou para a Austrália com a família ainda na infância.
Começou a carreira profissional de músico como baterista e vocalista do The Spektors. Logo a seguir se juntou ao Valentines, com quem obteve os primeiros hits em território nacional.
Na virada dos anos 1970 se juntou ao Fraternity, banda de rock progressivo com a qual chegou a fazer turnês pela Europa. Juntou-se ao AC/DC no final de 1974, gravando os seis primeiros discos de estúdio e participando da ascensão mundial do grupo.
Morreu no dia 19 de fevereiro de 1980. A causa oficial foi asfixia por aspiração pulmonar de vômito, embora vários detalhes de como isso ocorreu sejam controversos até hoje.
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