O surpreendente público que sustenta o mercado de bateria no Brasil, segundo executivo

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Fonte da notícia: Whiplash Whiplash

Por Gustavo MaiatoPostado em 02 de novembro de 2026 As igrejas evangélicas já respondem por mais da metade do mercado de baterias no Brasil, segundo Maurício Cunha, fundador e sócio majoritário da Odery, fabricante criada em Campinas (SP) há 35 anos.

Em entrevista ao podcast apresentado por Clemente, o empresário afirmou que o peso do segmento cresceu de forma acelerada nas últimas duas décadas e hoje define boa parte das vendas de instrumentos e equipamentos de áudio no País. "Eu acho que, de uns 15, 20 anos para cá, foi quando começou a ficar realmente forte.

E hoje representa uma fatia muito grande. É mais da metade, hoje depende das igrejas evangélicas.

O mercado é muito grande, porque uma coisa que ela trouxe de legal é isso, de colocar música para valer mesmo", disse. Segundo Cunha, muitas lojas sobrevivem de projetos de áudio para templos, que investem em equipamento mesmo quando são pequenos e ficam no interior.

A marca patrocina bateristas do meio gospel, como Fininho, que ele coloca entre os cinco principais do segmento. A música entrou na vida do empresário pelo violão abandonado pelo irmão, quando ele tinha 13 ou 14 anos.

Aos 16, já tocava em bandas cover em clubes e bares do interior paulista, em meados dos anos 1980, embalado por Paralamas do Sucesso, Ira!, Guns N' Roses e Pink Floyd. A fábrica surgiu pouco depois, por necessidade: o pai, Odery, que dá nome à marca, era metalúrgico e foi demitido depois de 20 anos de empresa, já com mais de 40 anos e sem conseguir outro emprego.

Um dia, ele reuniu a mulher e os quatro filhos na cozinha e anunciou o plano. "Vamos começar a fabricar, eu vou começar a fabricar bateria que eu posso fazer melhor que aqueles caras lá", lembrou Cunha, que respondeu na hora: "Você tá maluco, pai?".

As primeiras peças eram riscadas e cortadas no serrote, no fundo de casa, e o pai montava três kits completos por semana sozinho. Hoje, aos 87 anos, ele ainda vai à fábrica e construiu quase todas as máquinas usadas na produção.

A virada internacional veio quando a empresa completou dez anos. Com inglês que ele mesmo classifica como precário, Cunha foi à principal feira do setor, na Alemanha, e fechou a primeira exportação com um comprador japonês que se interessou pelas caixas que levava na bagagem.

A produção de linhas em série começou na China em 2007. Antes da pandemia, a marca vendia mais lá do que no Brasil, principalmente para redes de escolas de música infantil, uma delas com 300 unidades abertas em seis meses.

"A pandemia explodiu com esse mercado", resumiu. A empresa chegou a ter de comprar o próprio nome no país asiático, registrado antes por outra pessoa.

No Brasil, o empresário descreveu um ambiente hostil para quem fabrica. Segundo ele, de 45% a 50% do preço final de uma bateria produzida no País e vendida em loja é imposto.

"O Brasil é um manicômio, cara, de você perder tempo e gastar dinheiro para poder só resolver a questão, e ainda sem saber se você tá realmente 100% certo em tudo", afirmou. Ele comparou o modelo ao dos Estados Unidos, onde a tributação recai sobre o lucro, e criticou a falta de definição das alíquotas da reforma tributária às vésperas de entrar em vigor.

A crise sanitária, por outro lado, rendeu o melhor período da linha custom, feita à mão e sob encomenda. Com as lojas fechadas, a empresa concentrou esforços nesse produto.

"A gente nunca vendeu tanta bateria custom que nem na pandemia", disse Cunha, atribuindo o resultado a amadores que decidiram realizar um sonho. Neste ano, ele recomprou a parte dos antigos sócios e passou a deter 75% da empresa, contra 25% do pai.

Também prepara o relançamento da compacta Café Jazz e expande a linha eletrônica.

Publicação Original Whiplash whiplash.net
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