Sargento tem perna amputada depois de pisar em mina de terreno usado pelo narcotráfico

Sargento tem perna amputada depois de pisar em mina de terreno usado pelo narcotráfico - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

Um sargento venezuelano teve uma das pernas amputada depois de pisar em uma mina antipessoal durante uma operação em uma pista clandestina usada pelo narcotráfico no estado de Zulia, na Venezuela. Isaac Rincón, de 32 anos, participava de uma ação para inutilizar o terreno de pouso em Casigua El Cubo, no município de Jesús María Semprún, quando o artefato explosivo foi detonado.

As informações foram divulgadas pelo jornal venezuelano El Nacional e pelo site argentino Infobae, com base em relatos de fontes militares. Veja também: Ex-ministra da Espanha morre no acidente com trens de alta velocidade no país

Vídeo: Vestido de estudante pega fogo durante celebração do Dia dos Mortos em escola no México Segundo os relatos, Rincón fazia parte de um grupo de oito militares que se deslocava até o local sob a supervisão do primeiro-tenente Sepúlveda.

A área fica próxima ao setor West Tarra, na região de fronteira com a Colômbia, e é marcada pela presença de antigas instalações petrolíferas. Os militares, vinculados à 13ª Brigada de Infantaria Motorizada Centinela de la Guajira, tinham como objetivo desativar uma pista de pouso associada a estruturas de dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Ao se aproximarem do terreno, porém, não identificaram que o perímetro havia sido cercado por explosivos. Mina foi detonada durante operação

De acordo com uma fonte militar ouvida pelo Infobae, uma das minas foi acionada quando Rincón pisou sobre o artefato. A explosão provocou graves ferimentos na perna do sargento, que foi levado inicialmente a um Centro de Diagnóstico Integral (CDI) da região.

Os médicos não conseguiram reparar os danos provocados pela explosão e precisaram amputar a perna do militar. Depois do procedimento, Rincón foi transferido para o Hospital Militar de Maracaibo.

Ele é pai de uma criança que não teve a idade informada. O sargento fazia parte de uma Unidade de Reação Rápida (Urra), formada por cerca de 100 agentes destinados à proteção de pontos na região de fronteira.

A equipe da Guajira realizava patrulhamentos em Casigua El Cubo. Militares relatam falta de resposta

Após a explosão, integrantes do contingente demonstraram insatisfação com as ordens recebidas dos superiores. Segundo os relatos reunidos pelo Infobae, os militares teriam sido orientados a não realizar disparos e a deixar o perímetro, sem uma ação de perseguição às organizações armadas que atuariam na região.

— Não só não ordenaram uma resposta contra a guerrilha, como não permitiram que disparássemos e nos ordenaram que nos retirássemos do local. Então o companheiro ferido, que com toda certeza será afastado das Forças Armadas, inutilizado como soldado, fica abandonado e sem justiça — afirmou um dos militares.

Outra fonte militar afirmou que a explosão deveria ter provocado uma resposta mais ampla das Forças Armadas, com o envio de helicópteros e a militarização da área. — Isso deveria ativar uma reação da Força Armada, enviando helicópteros e militarizando a região, mas não fizeram nada, e isso envia uma mensagem a essas organizações irregulares — disse a fonte ao Infobae.

Área próxima à fronteira com a Colômbia Segundo as fontes militares citadas pela imprensa, grupos irregulares mantêm presença na região para proteger rotas aéreas utilizadas no tráfico de drogas, favorecidos pela proximidade com a fronteira colombiana.

As fontes atribuíram a instalação das minas a facções do Exército de Libertação Nacional (ELN) e a setores de dissidências das Farc que atuam na faixa de fronteira. A área também fica próxima ao Forte Motilón, onde estava aquartelado o contingente militar.

Após a explosão, o comandante da Zona Operativa de Defesa Integral (Zodi) 11 Zulia, general de divisão Okler Roberto Yustiz Castillo, foi até o local para avaliar a situação. Segundo os relatos, entretanto, a presença do oficial não resultou no reforço terrestre ou no apoio aéreo que havia sido solicitado pelos militares.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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