Fui parar no Sardinha Taberna do Leblon, a primeira de quatro filiais, levada por um amigo. Nunca imaginei ocupar uma mesa dali. Ou me acomodar no balcão. Mas o argumento para almoçarmos na casa era convincente: vinhos são baratos, rótulos modestos, mas honestos — todos portugueses e afinados com o que sai da cozinha. Como declinar de um convite desses? O Sardinha — e o nome já é bom — é uma tasca fiel, com portugueses entre os sócios (um deles, o cearense Cecílio, foi garçom do Jobi por 21 anos) e ambiente moderninho, estilo carioca beira-mar: balcão em madeira clara, azulejos com peixes em azul e branco, iluminação agradável. No caso do Leblon, as portas são abertas para a Rua Aristides Espíndola, em frente ao premiado Ocyá, do chef Gerônimo Athuel. Festival de Bacalhau do Cadeg começa no sábado com promoções, palestras e pratos exclusivos Dia do Pão: do francês ao croissant, padeiros de endereços artesanais do Rio elegem suas receitas imperdíveis Cataplana de mariscos na Sardinha Taberna Tomas Velez Como em todos os restaurantes portugueses do Rio, não é prática se falar em chef. São cozinheiros anônimos, mesmo no caso dos endereços mais estrelados. E, afora a Gruta de Santo Antônio, com Dona Henriqueta, portuguesa, e seu filho Alexandre Henriques, não me lembro de outro endereço luso comandado por cozinheiros da Terrinha. No caso do Sardinha Leblon, o cozinheiro é nordestino e não conhece Portugal. Aprendeu aqui mesmo, e suas frituras crocantes, douradas e sequinhas são de grau de excelência bissexta no Rio. Por lá também. O cardápio traz filés de sardinha “nas tostas”, mas brasileira, pescada na nossa costa logo ali, que chega dourada, em dupla, quentinha e crocante, cheia de sabor (R$ 35,90). Duas gotinhas de limão em cima, uma mordida seguida de um gole de um branco alentejano geladinho (no balde, centro da mesa) faz lembrar que a vida presta. São 40 rótulos: taças a R$ 29,90 e garrafas que variam de R$ 99 (Maria Gomes com Bical da Bairrada) a Cartuxa Colheita (R$ 499). Tem Pêra Manca a R$ 1.399. Mas precisa? Croquete de leitão do Sardinha Taberna Portuguesa Divulgação O cardápio, extenso, vai logo ao ponto, nominado com humor luso: “para forrar a barriga”, a porção de lulinhas (R$ 45,90), as manjubinhas ou petingas (R$ 31,90), que fazem barulho de tão crocantes, uma porção de alheiras “botica” fritinhas (R$ 65,90), os croquetes de leitão (R$ 39,90, dois). Entre os “sandochas”, o bifana de carne suína no vinho branco e mostarda no pão de sal (R$ 39,90) ou a “francesinha”—e, aqui, quatro andares de recheio no pão e mais fritas (R$ 77,90). “Para encher a mula”, capítulo de delicadeza ímpar, aparecem listados sete pratos de bacalhau, mas não provamos nenhum. Dividimos a cataplana de mariscos à Algarvia, com tamboril, camarão, polvo, lulinhas, mexilhão (R$ 189,90) — o pior da tarde, insosso e no ponto errado. Mas a essa altura, duas garrafas de branco e uma sucessão de friturinhas do mar perfeitas, já estávamos felizes, rindo nas alturas. Bom ter arriscado, entrado e desfrutado. O álibi funcionou. Tem jogo. Sardinha Taberna: três garfinhos (bom) Rua Aristides Espíndola 101, Leblon. Seg, das 12h às 23h. Ter a dom, das 12h à meia-noite.
Sardinha Taberna: vinhos portugueses e friturinhas perfeitas para lembrar que a vida presta
Fonte da notícia:
O Globo
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