Santander Brasil supera em lucro, mas receitas e inadimplência seguem no radar

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Fonte da notícia: Info Money Info Money

O Santander Brasil (SANB11) entregou um balanço misto no terceiro trimestre de 2026, superando parte das estimativas graças ao controle de despesas e a provisões menores que o esperado, mas mantendo sinais de fragilidade em linhas consideradas centrais para a recuperação de rentabilidade do banco.

A leitura predominante entre os analistas é que o ambiente macroeconômico mais desafiador continua limitando o crescimento do crédito, comprimindo margens e elevando preocupações com a qualidade dos ativos.O banco reportou lucro líquido gerencial recorrente de R$ 2,9 bilhões, com retorno sobre patrimônio (ROE) de cerca de 12%, abaixo dos níveis históricos e distante dos principais concorrentes privados.

O resultado veio acima das projeções do Bradesco BBI, mas abaixo das expectativas do mercado, enquanto o JPMorgan classificou o trimestre como fraco, citando receitas decepcionantes, provisões elevadas e deterioração do capital.Apesar do avanço trimestral do lucro na comparação do BBI, as duas casas destacam que a melhora foi sustentada principalmente por fatores ligados à eficiência operacional, enquanto as receitas seguem pressionadas.

As despesas operacionais caíram 3% em relação ao trimestre anterior, ajudando o índice de eficiência a melhorar para 38,8%, um dos principais pontos positivos do balanço.Crescimento do crédito perde forçaA expansão da carteira continuou modesta. A carteira ampliada cresceu apenas 0,9% na comparação trimestral e 4,7% em 12 meses, ritmo considerado insuficiente para impulsionar o crescimento das receitas.

Parte da desaceleração ocorreu devido à venda de uma carteira de financiamento de veículos de R$ 5 bilhões para um FIDC, mas mesmo desconsiderando esse efeito os analistas enxergam uma demanda por crédito mais fraca.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Confira o que movimenta Bolsa, Dólar e Juros nesta quartaÍndices futuros dos EUA operam mistos em dia de decisão do FedO crescimento ficou concentrado em grandes empresas, cuja carteira avançou cerca de 8% em um ano, enquanto o segmento de pessoa física continuou encolhendo.

Para o Itaú BBA, essa mudança de mix ajuda a explicar a compressão das margens, já que operações corporativas costumam gerar spreads menores. O spread com clientes caiu para 9,7%, ante 10,03% no trimestre anterior.As receitas também sofreram com o desempenho da tesouraria.

A margem financeira total recuou na comparação trimestral e anual, com a perda na margem de mercado aumentando para R$ 895 milhões no trimestre. Segundo o JPMorgan, a queda da Selic, o aumento dos diferimentos de comissões pagas a correspondentes bancários e o impacto da venda da carteira de veículos pressionaram o resultado financeiro.Qualidade dos ativos divide avaliaçõesA qualidade da carteira trouxe sinais mistos.

Por um lado, a inadimplência de curto prazo, entre 15 e 90 dias, melhorou, especialmente entre pequenas e médias empresas. Por outro, a inadimplência acima de 90 dias subiu para 3,4%, puxada principalmente pelo segmento de pessoas físicas, onde o indicador avançou 40 pontos-base em relação ao trimestre anterior.O Bradesco BBI destacou a melhora observada entre pequenas e médias empresas como uma surpresa positiva do trimestre.

Já o JPMorgan avalia que a evolução dos indicadores ainda aponta para um ambiente de crédito difícil, especialmente em um contexto de endividamento elevado das famílias e juros altos.Embora as despesas com provisões tenham recuado 2,5% na comparação trimestral, os analistas observam que parte da melhora decorreu de efeitos extraordinários relacionados à venda de carteiras e reversões contábeis.

Excluindo esses fatores, o custo de crédito teria permanecido praticamente estável.Capital também preocupaOutro ponto monitorado pelo mercado continua sendo o capital regulatório. O índice CET1 caiu 30 pontos-base no trimestre, para 10,9%, pressionado pelo crescimento dos ativos ponderados pelo risco, distribuições de capital e aumento dos créditos tributários.

Para o JPMorgan, a trajetória do capital segue entre os temas mais sensíveis da tese de investimento do banco.Diante desse cenário, tanto o Itaú BBA quanto o Bradesco BBI mantêm recomendação neutra para SANB11, com preços-alvo de R$ 29 e R$ 27, respectivamente. A avaliação comum é que, apesar dos avanços em eficiência e da disciplina de custos, a combinação de crescimento fraco, pressão sobre margens e incertezas na qualidade dos ativos dificulta uma recuperação mais robusta da rentabilidade do Santander nos próximos trimestres.

Publicação Original Info Money infomoney.com.br
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