Sangue raro encontrado em 1 a cada 100 mil pessoas é transportado para salvar vida de paciente internada em SC

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Fonte da notícia: ND Mais ND Mais

Duas bolsas foram enviadas de São Paulo para Florianópolis e ficarão reservadas para uma paciente com anemia falciforme internada no Hospital Infantil Joana de Gusmão Santa Catarina recebeu duas bolsas de sangue raro para atender uma paciente com anemia falciforme internada no Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis.

O material chegou de São Paulo na madrugada do último sábado (24), após uma solicitação do Hemosc (Centro de Hematologia e Hemoterapia de Santa Catarina) ao Banco de Doadores de Sangue Raro. A compatibilidade sanguínea necessária para o caso pode ser encontrada em apenas uma a cada 100 mil pessoas.

A chegada das bolsas reforça a importância da cooperação entre os bancos de sangue de diferentes regiões do país para atender pacientes que precisam de características sanguíneas específicas. Como a paciente permanece estável, as duas bolsas ficarão reservadas por até 42 dias, respeitando as condições de conservação e o prazo de validade do material.

O sangue poderá ser utilizado caso ela precise de transfusão ou para atender outra pessoa que necessite do mesmo perfil sanguíneo raro. “Manteremos reservadas para esta paciente ou outro paciente que possa precisar do fenótipo raro, daqui ou de outro estado.

Com cinco dias antes do vencimento, disponibilizaremos para uso para outros pacientes”, explica Everaldo Jose Schorner, bioquímico do Hemosc. Caso não sejam necessárias para pacientes com o perfil raro, as bolsas poderão ser utilizadas normalmente em pessoas com sangue O negativo.

Em 2026, o Hemosc enviou cinco bolsas de sangue raro para outros estados e recebeu quatro. Segundo a diretora-geral do órgão, Patrícia Carsten, a articulação entre os bancos de sangue é fundamental para ampliar as possibilidades de atendimento.

“O Programa Sangue Raro, que integra os bancos de sangue nacionais, é fundamental para salvar vidas, principalmente agora que o transporte de Sangue Raro pode ser feito na cabine de aviões comerciais, e não mais como carga comum, demonstrando o valor do sangue”, afirma. A anemia falciforme é uma doença genética e hereditária que altera a hemoglobina, proteína responsável pelo transporte de oxigênio no sangue.

A mudança faz com que as hemácias, células responsáveis por transportar oxigênio, adquiram um formato semelhante ao de uma foice. Essas células ficam mais rígidas, podem dificultar a circulação sanguínea e se rompem com maior facilidade, provocando anemia e outras complicações.

Em determinadas situações, a transfusão é necessária para corrigir a anemia ou tratar quadros graves. Nesses casos, encontrar sangue compatível é essencial para a segurança do paciente.

Estima-se que entre 60 mil e 100 mil pessoas vivam com doença falciforme no Brasil. No mundo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 7,74 milhões de pessoas tenham a condição, com quase 80% dos casos concentrados na África Subsaariana.

Embora seja mais frequente em pessoas pretas e pardas, a doença pode ocorrer em pessoas de diferentes origens étnicas. A compatibilidade sanguínea vai além dos tipos mais conhecidos, como A, B, AB e O, e dos fatores Rh positivo e negativo.

As hemácias apresentam diferentes antígenos em sua superfície, e algumas combinações são encontradas em pouquíssimas pessoas. A Sociedade Internacional de Transfusão de Sangue reconhece oficialmente 49 sistemas de grupos sanguíneos, 398 antígenos e 2.001 variações genéticas, números que demonstram a complexidade da identificação de perfis compatíveis entre doadores e receptores.

Um perfil sanguíneo é considerado raro quando aparece em menos de uma a cada mil pessoas testadas. Em situações específicas, a compatibilidade pode ser ainda mais difícil de encontrar, exigindo a mobilização de bancos de sangue de diferentes estados.

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