Samuel Pupo lida com a pressão para retornar à elite da WSL na última etapa da divisão de acesso: 'Tem que arriscar'
Samuel Pupo sabe bem o significado da expressão "cair e se levantar". Afinal, o surfista brasileiro de 25 anos foi rebaixado ao Challenger Series (CS) — divisão de acesso — nos últimos três anos, mas encontrou forças para retornar à elite. Ciente do "caminho das pedras", ele vem treinando pesado e se preparando mentalmente para repetir o feito na última e decisiva etapa de Newcastle, na Austrália, que tem a primeira chamada hoje, às 17h30 (de Brasília) — a janela fecha no dia 15.
— Venho de duas semanas em casa (Florianópolis-SC), sofrendo bastante e treinando. Estou com bastante confiança, e o lado mental é, com certeza, a parte mais importante dessa última etapa. Nesse cenário de classificação, é normal que todo mundo esteja nervoso, então abre automoticamente espaços para erros. Quem estiver melhor mentalmente vai ter vantagem nos momentos de pressão — destaca Samuel ao GLOBO.
Então quarto colocado do ranking, Samuel precisa avançar pelo menos às quartas de final do evento para garantir sua vaga no Championship Tour (CT) — primeira divisão — dependendo apenas de si. Outro brasileiro que está na zona de classificação — os dez primeiros colocados — é Mateus Herdy, de 25, que busca o acesso inédito depois de bater na trave nos últimos dois anos, em 12º. Agora em oitavo, o catarinense persegue a terceira posição em Newcastle para, enfim, realizar o sonho de todo surfista.
Mateus Herdy persegue classificação inédita para elite do surfe
Tony Heff/WSL
Com quatro anos (2022, 2023, 2024 e 2025) de CT, Samuel pode aproveitar a bagagem entre os melhores do mundo para dar conselhos a Mateus na última etapa. Atletas da mesma geração, os dois são amigos "inseparáveis", tanto que até produzem vídeos de surfe juntos no Youtube. Se tudo der certo, eles podem relembrar os tempos de garoto na companhia de João Chianca, o Chumbinho, na elite — Miguel Pupo, irmão mais velho de Samuel, também é outro integrante.
— É um momento em que você precisa estar em modo de ataque. Esse é o ponto mais importante. Mesmo estando dentro do top 10, é preciso entender que a vaga ainda não está garantida (na última etapa) e não entrar em modo de defesa, querendo apenas surfar com segurança e passar a bateria. Tem que arriscar na hora da pressão — diz Samuel, que acrescenta:
— Em todos os anos em que caí no corte, tentei manter meu nível de surfe e de competição, e isso sempre me ajudou a voltar para a elite. Sei que é um momento difícil, porque quando você cai no corte é normal perder um pouco da confiança.
Brasileira tem chance
Com as mudanças no calendário do CT a partir deste ano, os brasileiros terão que virar a chave rapidamente em caso de classificação. Isso porque o tour já pode começar em 1º de abril, primeiro dia da janela da etapa de Bells Beach, na Austrália. Outra novidade é a retirado do corte no meio do ano, o que dá mais tempo para os surfistas atingirem resultados ao longo da temporada. Apesar disso, Samuel tem em mente que precisar melhorar a largada na elite.
— O início de temporada me prejudicou bastante nos outros anos até eu sentir que estava ganhando ritmo tanto no surfe quanto na competição. Nas últimas temporadas, comecei as três primeiras etapas sem bons resultados e acabei tendo desempenhos melhores perto do corte. Ter um começo de temporada mais forte vai me dar mais confiança para o resto do ano — ressalta Samuel.
Laura Raupp no Challenger Series
Manel Geada/World Surf League
No feminino, a única brasileira com chance de classificação é Laura Raupp, de 19, que está na oitava posição — as sete primeiras se garantem na elite. Para depender apenas de si, ela precisa vencer a etapa de Newcastle.
