Pentágono anuncia saída de secretário da Marinha, no mais recente desligamento de um líder da Defesa dos EUA
O secretário da Marinha dos Estados Unidos, John Phelan, deixará o cargo "imediatamente", anunciou o Pentágono nesta quarta-feira, sem explicar a repentina saída. No início do mês, o Pentágono já havia anunciado a saída do chefe do Estado-Maior do Exército, Randy George, indicado ao posto pelo presidente Joe Biden, após um pedido feito pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, em meio à guerra contra o Irã, bem como de outros dois oficiais de alta patente.
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Phelan, que é a principal autoridade civil da Marinha, "está deixando o governo, com efeito imediato", disse o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, em um comunicado divulgado na internet, acrescentando que ele será substituído interinamente pelo subsecretário Hung Cao.
Assim como no caso de Phelan, a decisão sobre a saída de George não foi justificada por Hegseth, que em pouco mais de um ano no cargo tenta remodelar a imagem das Forças Armadas, eliminando um número considerável de líderes militares no processo.
Em 2 de abril, uma fonte do Departamento de Defesa disse à rede CBS News, que revelou a ordem de Hegseth pela destituição do general George horas antes da confirmação, que “agradecemos o seu serviço, mas era hora de uma mudança na liderança do Exército”. Oficiais das Forças Armadas ainda declararam à CBS que a decisão de afastar o militar estava ligada à visão que o governo do presidente Donald Trump quer introduzir nas Forças Armadas.
'Frota Dourada'
Em sua função à frente da Marinha, Phelan defendeu a "Frota Dourada", um grande investimento em novos navios, incluindo um novo encouraçado da classe "Trump". Mas a liderança do secretário foi marcada por desavenças com altos funcionários do Pentágono, incluindo Hegseth e o secretário adjunto de Defesa Stephen Feinberg, disseram autoridades do Pentágono e do Congresso ao New York Times.
As tensões vinham se acumulando havia meses entre Phelan e seus dois chefes sobre estilo de gestão, questões de pessoal e outros assuntos. Feinberg, em particular, estava cada vez mais insatisfeito com a forma como Phelan conduzia a grande iniciativa de construção naval da Marinha e vinha lhe retirando a responsabilidade pelo projeto, disse uma autoridade do Congresso, que falou sob condição de anonimato.
Phelan, nomeado pela Casa Branca, também tinha uma relação conflituosa com seu vice, o subsecretário Hung Cao, que era mais alinhado com Hegseth, disseram as autoridades. Contatada pelo NYT na noite desta quarta-feira, uma porta-voz de Phelan encaminhou todas as perguntas ao Departamento de Defesa.
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Reforma das forças
Hegseth afirmou repetidamente que Trump escolhe os representantes que deseja. Os democratas, no entanto, veem isso como uma politização das Forças Armadas, uma instituição geralmente neutra em questões políticas. O chefe do Pentágono ordenou, no ano passado, uma redução de pelo menos 20% no número de generais e almirantes de quatro estrelas em serviço.
Em 2025, Hegseth declarou que os militares americanos precisam desenvolver um “ethos guerreiro”, focado no preparo físico, na mentalidade de combate permanente e na abolição da “cultura woke”. O secretário, um veterano do Iraque famoso por suas opiniões na Fox News, recentemente disse que suas tropas não deveriam respeitar "regras de engajamento estúpidas" ou travar "guerras politicamente corretas".
Além da doutrina de combate, Hegseth eliminou políticas de diversidade e inclusão, na linha do que defende Trump, e afastou oficiais de alta patente de postos de comando. A lista de cortes foi aberta com a demissão do chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Charles Brown Jr., no começo do ano passado, e ampliada com a saída de militares na Marinha, Aeronáutica e Guarda Costeira. No ano passado, o chefe do Comando Sul, Alvin Halsey, deixou o posto menos de um ano depois de assumir, durante os controversos bombardeios contra barcos acusados de ligação com o narcotráfico no Caribe e no Oceano Pacífico.
(Com AFP e New York Times)
