Salvador deu 73,2% a Lula em 2026 e é a capital mais lulista do país

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Fonte da notícia: Cafezinho Cafezinho

Lula (PT) venceu em Salvador com 73,24% dos votos válidos — 1.154.072 votos contra 421.752 de Flávio Bolsonaro (PL), uma diferença de 732.320 votos. Foi o maior percentual do presidente entre as 27 capitais no segundo turno de 2026.

O placar esconde uma cidade que se moveu pouco em relação a quatro anos atrás, mas o suficiente para ampliar a frente. Em 2022, Lula teve 1.089.899 votos (70,73%) na capital baiana; agora, somou 64.173 votos a mais e ganhou 2,5 pontos percentuais.

Flávio, que fez 391.188 votos no primeiro turno de 2026 (27,03%), chegou a 421.752 no segundo (26,76%): ganhou 30.564 votos absolutos e ainda assim perdeu um quarto de ponto, porque mais gente compareceu às urnas. A abstenção caiu de 20,14% no primeiro turno para 15,77% no segundo, com 85.484 eleitores a menos ausentes.

Salvador tem 1.955.471 eleitores e cerca de 2,4 milhões de habitantes. É governada por Bruno Reis (União Brasil), reeleito em 2024 e um dos políticos que subiram no trio elétrico do candidato adversário durante a campanha.

O estado é governado por Jerônimo Rodrigues (PT), reeleito no primeiro turno de 2026 depois de vencer ACM Neto no segundo turno de 2022. O dia da votação teve enredo próprio.

O TRE-BA, presidido pelo desembargador Maurício Kertzman, ordenou a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, por redução da frota de ônibus. O Procon baiano encontrou 944 veículos parados nas garagens; a Polícia Federal apontou corte de 42,1% na circulação.

A Justiça Eleitoral mandou restabelecer 100% da frota, manteve a tarifa zero até o fim da votação e fixou multa de R$ 1 milhão por hora em caso de descumprimento. O episódio não derrubou o comparecimento: a abstenção recuou 4,4 pontos na comparação com o primeiro turno.

No primeiro turno, Salvador teve 1.447.014 votos válidos, com 77.566 nulos e 37.013 brancos. Além de Lula (944.358) e Flávio (391.188), Augusto Cury (Avante) somou 40.676 votos, Ronaldo Caiado (PSD) ficou com 36.320 e Renan Santos (Missão) com 29.219.

A dispersão, somada ao voto útil, ajudou a explicar o salto do presidente no segundo turno. Do 89% de 2002 ao 73% de 2026

A série histórica de Salvador é uma das mais favoráveis ao PT no país. Em 2002, Lula teve 89,39% dos votos na capital, segundo levantamento acadêmico sobre a geografia do voto baiano, um dos melhores desempenhos entre as grandes cidades naquele ano.

Em 2018, mesmo com a onda nacional que elegeu Jair Bolsonaro, Fernando Haddad venceu em Salvador com 68,59% (985.532 votos) contra 31,41% (451.273), e ganhou em todas as 19 zonas eleitorais. Em 2022, Lula chegou a 70,73% (1.089.899) contra 29,27% de Bolsonaro (451.131).

A curiosidade está nos números absolutos do bolsonarismo local: 451.273 votos em 2018 e 451.131 em 2022, uma diferença de 142 votos em quatro anos. Salvador foi, naquele ano, a capital com o maior percentual de votos de Lula e a maior diferença absoluta entre os dois candidatos: 638.768 votos.

O Largo do Pelourinho, palco do ato de apoiadores de Lula com o Olodum em 11 de outubro. Foto: Matti Blume/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.

Em 2026, a trajetória seguiu em alta: o campo petista fez 68,59%, 70,73% e 73,24% nas três últimas eleições presidenciais na capital, sempre acima de dois terços dos votos válidos. Onde Lula venceu e onde Flávio resistiu

No primeiro turno, Lula venceu em todas as 19 zonas de Salvador, com vantagem média de 38,23 pontos — a maior entre as dez maiores cidades do país. O melhor desempenho veio na 3ª zona, com 70,43% e frente de 47,85 pontos; o pior, na 13ª zona (Pituba, Itaigara e Caminho das Árvores), com 53,78% e vantagem de 16,5 pontos.

No segundo turno, a geografia ficou mais nítida. As regiões de Arenoso, Cabula e Tancredo Neves deram 77,19% a Lula; o Subúrbio Ferroviário, 76,12%.

Na área de Pituba, Itaigara e Caminho das Árvores, o presidente teve 61,61% — o pior resultado da cidade e, ainda assim, 23 pontos à frente de Flávio, que ficou com 38,39%. Não houve, em Salvador, nenhuma região em que o senador tenha vencido.

A campanha teve dois cenários opostos na cidade. Em 11 de outubro, apoiadores de Lula fizeram atos na Barra, no Campo Grande, em Piatã e em Itapuã; no Largo do Pelourinho, durante um show do Olodum, um banner vermelho foi aberto e o vocalista Lucas di Fiori anunciou que o grupo era do 13.

Em 17 de outubro, Flávio percorreu a orla em um trio elétrico no Bloquinho do 22, do Morro do Cristo ao Farol da Barra, acompanhado de ACM Neto, do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, do prefeito Bruno Reis e do deputado Nikolas Ferreira. O coro era pela volta de Bolsonaro, e ACM Neto afirmou que a Bahia não pertence ao PT.

O senador prometeu construir a ponte Salvador-Itaparica. Na reta final, a esquerda levou o Samba da Democracia com Erika Hilton (PSOL), no dia 21, e a direita marcou um novo Bloquinho do 22 para a véspera da votação.

Nenhum dos dois campos transformou a rua em virada: o placar de 25 de outubro ficou cerca de 8 pontos acima do primeiro turno para Lula (de 65,26% para 73,24%). O Elevador Lacerda, no centro de Salvador, cidade com 1,96 milhão de eleitores.

Foto: Paul R. Burley/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.

O resultado consolida um padrão baiano. Salvador, capital mais lulista do país, é a vitrine de um estado governado pelo PT desde 2007 — e onde o eleitorado da capital vota mais à esquerda do que o conjunto do estado.

É uma cidade em que o prefeito é do campo de Flávio, o governador é do campo de Lula e o eleitorado, majoritariamente, também. Nas urnas de 25 de outubro, apesar dos ônibus parados e da ordem de prisão do secretário, a capital respondeu com o maior percentual do presidente em todo o país.

Publicação Original Cafezinho ocafezinho.com
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