A viagem do senador e candidato não eleito à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) a Miami, acompanhado da mulher Fernanda Bolsonaro e das duas filhas adolescentes, a bordo de um jatinho particular Gulfstream G400 da Baires Fly, teve um custo estimado em cerca de R$ 414 mil, segundo o Economic News Brasil.
A família saiu de Brasília por via terrestre, cruzou a fronteira com a Argentina e seguiu de avião, com uma escala no Equador, até o Aeroporto Executivo de Miami-Opa Locka. Embora aliados atribuam a logística ao governo de Donald Trump (Partido Republicano), sob articulação de Marco Rubio, não há confirmação oficial sobre quem contratou ou pagou pelo serviço.
Os valores efetivamente desembolsados também não foram divulgados. O cálculo que chegou no valor aproximado de R$ 414 mil considera uma tarifa média de US$ 8.500 (aproximadamente R$ 45.500) por hora (informada pela empresa de fretamento de jatos Paramount Business Jets) ao longo de 9,1 horas de voo, e o tipo de avião utilizado por Flávio.
No entanto, o valor final pode ser ainda maior devido a despesas com reposicionamento, taxas aeroportuárias e tempo em solo —além do jato ter permanecido 24 horas em Puerto Iguazú, na Argentina, antes do embarque. Em comparação, a compra de passagens em primeira classe para 4 pessoas em um voo comercial direto custaria em torno de R$ 151 mil, para ida e volta, de acordo com o site Kayak.
O valor já leva em conta tarifas integrais de 2 adultos e duas crianças, sem descontos infantis, mas em datas diferentes da qual Flávio viajou. BAIRES FLY
A Baires Fly é uma companhia argentina especializada em voos executivos e aeromédicos. Em seu site, a empresa destaca a promessa de “privacidade total” para os clientes, garantindo a proteção contra o vazamento de dados e da lista de passageiros.
Oficialmente, a Baires Fly é comandada pelo empresário e fundador Luis Grande, embora a presidência formal da companhia conste em nome de Marcela Mabel Racana. No entanto, investigações da Justiça argentina divulgadas pelo La Nación apontam o empresário Sergio Daniel Mastropietro como “sócio oculto” e principal articulador financeiro da firma.
A empresa já esteve no centro de um escândalo de corrupção e lavagem de dinheiro na Andis (Agência Nacional de Deficiência da Argentina). Segundo as investigações, redes de saúde pagavam propinas milionárias e a Baires Fly ocultava os valores por meio da emissão de faturas falsas para voos que nunca foram realizados.
Mastropietro é um dos alvos das apurações. FUGA DE FLÁVIO
Flávio e sua família fugiram do Brasil por, segundo o senador, se sentirem ameaçados por eventuais decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A Polícia Federal expediu um pedido de apreensão do passaporte de Flávio só 7 minutos depois de o Tribunal Superior Eleitoral ter declarado o resultado da eleição presidencial, às 21h09 de 25 de outubro de 2026 –o vencedor foi Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que teve 64.256.232 votos (51,79%) contra 59.826.041 votos (48,21%) de Flávio.
O magistrado avalizou o pedido da PF para apreender os documentos de Flávio e proibi-lo de sair do país. Leia a linha do tempo do caso aqui.
Poder 360