Flávio cita líderes da oposição ao chavismo e figuras históricas para defender atuação no exterior

Flávio cita líderes da oposição ao chavismo e figuras históricas para defender atuação no exterior - Foto
Fonte da notícia: Gazeta do Povo (Mundo) Gazeta do Povo (Mundo)

O senador Flávio Bolsonaro (PL) citou personalidades históricas e líderes da oposição ao chavismo na Venezuela para defender sua atuação política no exterior. Na carta divulgada nesta quarta-feira (28), após chegar aos Estados Unidos com a família, o parlamentar mencionou figuras como o jurista brasileiro Rui Barbosa, o general francês Charles de Gaulle e a líder opositora venezuelana María Corina Machado.

Todos foram apresentados por Flávio como exemplos de pessoas que enfrentaram governos autoritários de seus países e mantiveram suas atividades políticas mesmo diante de perseguições. “Não sou o primeiro a ter que lutar pelo próprio país longe dele”, escreveu Flávio, que deixou o Brasil após uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entregar seus passaportes.

A decisão de Moraes ocorreu dias após o segundo turno da eleição presidencial no Brasil, no domingo (25), onde Flávio disputava o cargo contra o presidente Lula (PT). Na carta, Flávio afirma que pretende liderar a oposição brasileira a partir dos Estados Unidos, onde desembarcou depois de passar pela Argentina e pelo Equador.

“Vocês que almejavam a mudança, e eu não vou abandoná-los, eu serei a voz e a liderança livre da nossa nação”, diz no documento. A primeira figura histórica mencionada na carta é Rui Barbosa (1849–1923), jurista, diplomata e um dos principais nomes da política brasileira nos primeiros anos da República.

Senador pela Bahia, Rui Barbosa entrou em confronto com o governo do marechal Floriano Peixoto, segundo presidente do Brasil, que governou o país entre 1891 e 1894. Rui Barbosa se destacou naquela ocasião pela defesa de presos políticos e pela oposição às medidas de exceção adotadas por Floriano.

Em setembro de 1893, durante a Revolta da Armada, ele buscou abrigo na representação diplomática do Chile e deixou o Brasil. Barbosa voltou ao país em 1895, durante a Presidência de Prudente de Morais.

Outro nome citado por Flávio no documento é o do general Charles de Gaulle (1890–1970), que comandou a resistência francesa contra a Alemanha nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Em junho de 1940, após a invasão alemã da França e a decisão do governo francês de negociar um armistício, De Gaulle deixou o país e seguiu para Londres.

Da capital britânica, fez um pronunciamento histórico pela BBC, em 18 de junho, convocando os franceses a continuar a guerra contra os nazistas. O militar organizou o movimento conhecido como França Livre, que recebeu o apoio do primeiro-ministro britânico Winston Churchill.

De Gaulle foi condenado à morte à revelia pelo regime de Vichy, que colaborava com a Alemanha nazista. Após a libertação da França, ele assumiu o comando do governo provisório e, anos depois, tornou-se presidente francês.

O outro nome citado foi o de José Martí (1853–1895), escritor, jornalista e revolucionário cubano que participou da luta pela independência de Cuba contra o domínio colonial espanhol. Martí passou parte de sua vida no exílio, principalmente em Nova York, onde articulou grupos favoráveis à independência cubana.

Em 1892, fundou o Partido Revolucionário Cubano, responsável por organizar politicamente a mobilização contra a Espanha. Três anos depois, retornou a Cuba para participar da guerra de independência e morreu em combate.

Flávio mencionou ainda no documento três nomes de lideranças que se tornaram conhecidas internacionalmente pela oposição ao regime chavista na Venezuela: Juan Guaidó, Edmundo González Urrutia e María Corina Machado. Juan Guaidó, que foi presidente da Assembleia Nacional venezuelana, ganhou destaque na comunidade internacional em janeiro de 2019, quando se declarou presidente interino do país, contestando a legitimidade do então “novo mandato” do ditador Nicolás Maduro, que fraudava as eleições no país.

A iniciativa de Guaidó recebeu o reconhecimento de dezenas de governos, incluindo os Estados Unidos e o do Brasil, então presidido por Jair Bolsonaro. Guaidó tentou mobilizar a oposição e obter apoio internacional para afastar Maduro do poder, mas não conseguiu assumir o controle das instituições venezuelanas.

Em abril de 2023, Guaidó deixou a Venezuela e seguiu para os Estados Unidos, onde passou a viver. O segundo venezuelano citado por Flávio na carta foi Edmundo González Urrutia, diplomata aposentado que disputou a eleição presidencial de 2024 na Venezuela como candidato da oposição unificada, após María Corina Machado ser impedida pelo regime de Maduro de concorrer.

Naquele pleito, contudo, o Conselho Nacional Eleitoral declarou Maduro novamente vencedor, mas não divulgou os resultados detalhados das urnas. A oposição apresentou atas eleitorais que demonstravam a vitória de González, que foi reconhecida por grandes democracias e órgãos de observação eleitoral.

Após a contestação do resultado, o regime de Maduro decretou a abertura de diversas investigações contra González, que teve sua prisão decretada pela Justiça venezuelana. Em setembro de 2024, o opositor teve que deixou o país e recebeu asilo político na Espanha, onde continuou defendendo o reconhecimento de sua vitória eleitoral.

A outra liderança mencionada foi María Corina Machado, principal nome da oposição venezuelana nos últimos anos e vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025. Machado venceu as primárias da oposição de 2023 para disputar a eleição presidencial contra Maduro, mas foi impedida pelas autoridades chavistas de participar da eleição presidencial.

A líder apoiou a candidatura de González e passou a denunciar irregularidades no pleito que declarou Maduro vencedor. Após a eleição, María Corina ficou mais de um ano escondida dentro da Venezuela, em meio à repressão contra integrantes da oposição.

Em dezembro de 2025, ela deixou o país para viajar à Noruega, onde recebeu o Nobel da Paz. María Corina retornou à Venezuela no último domingo (25), depois de quase dez meses no exterior.

Flávio disse que todas as figuras citadas na carta “foram tratados como criminosos pelos regimes que enfrentavam”, mas que “a história os chamou de outra coisa”. “Saí do Brasil, mas não abandonei os brasileiros.

Esta luta não terminou no dia 25 de outubro. Ela só termina quando o Brasil voltar a ser um país livre”, declarou na parte final da carta.

Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Publicação Original Gazeta do Povo (Mundo) gazetadopovo.com.br
Acessar no site oficial
Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X
Curadoria e Apuração Editorial QTU Conteúdo jornalístico publicado em conformidade com os nossos Princípios Editoriais e política de transparência.
Conhecer a Redação →