Saiba quando a GDA Luma deve assumir oficialmente o comando da SAF do Botafogo

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

“Quando a GDA Luma vai, de fato, assumir o Botafogo?”. Essa é a pergunta que mais circula entre torcedores desde junho, quando a empresa assinou acordo que prevê a conversão de empréstimos financeiros em participação societária e, consequentemente, a transferência de 90% das ações da SAF. Ainda não há uma data definitiva para a conclusão do processo, mas os próximos passos nos bastidores podem aproximar uma resolução. Atualmente, o Botafogo social detém 51% das ações da SAF e já iniciou o processo para assumir também a parcela de 49% que pertence à Eagle Football Holdings Bidco. Em 24 de setembro, uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) aprovou a emissão de 200 milhões de novas ações ordinárias da SAF, ao preço de R$ 0,01 por ação. Desse total, o clube associativo ficou com 102 milhões de ações, mantendo sua participação proporcional, enquanto a Eagle Bidco teve preferência para adquirir as outras 98 milhões. A diretoria do clube social aguarda o fim do prazo concedido à Eagle, que termina ainda em outubro. Com a confirmação de que a holding não comprou todas as ações a que tem direito, o associativo poderá adquirir as restantes. Com isso, o Botafogo social passaria a deter praticamente 100% da SAF, enquanto a participação da Eagle Bidco ficaria abaixo de 0,1%. Com o controle de quase todas as ações, o associativo poderá transferir 90% da SAF para a GDA Luma. Dos US$ 105 milhões previstos no acordo, cerca de US$ 50 milhões já foram repassados. Além disso, as partes estão nos trâmites finais para a entrada de outros US$ 7 milhões, cujo depósito é esperado entre a última semana de outubro e a primeira de novembro. O CEO Eduardo Iglesias conduz as tratativas com os executivos da futura investidora, entre eles o empresário Gabriel de Alba. A transferência das ações, porém, não deve ocorrer imediatamente após a conclusão dessa etapa societária. Nos bastidores, há o entendimento de que o melhor caminho é aguardar o avanço das negociações da recuperação judicial antes de oficializar a entrada da GDA Luma na SAF. A avaliação da diretoria alvinegra é que a mudança de controle poderia dificultar as conversas com os credores sobre o deságio das dívidas — isto é, a possibilidade de pagar um valor menor do que o originalmente devido. Interlocutores envolvidos nas negociações afirmam que o Botafogo já obteve a adesão de credores que representam entre 35% e 40% dos créditos necessários para aprovar o plano, cujo percentual mínimo é de 51%. O principal obstáculo está nas tratativas com outros clubes, que também concentram algumas das maiores dívidas. Aumento da dívida do social Com o passivo total estimado em R$ 3,5 bilhões, o Botafogo sofreu um impacto financeiro nas últimas semanas. O clube social deixou de ter acesso às condições de parcelamento tributário vinculadas ao Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (PERSE), após optar por interromper sua participação no programa em abril, em meio à crise financeira do início do ano e à falta de pagamentos. Segundo a avaliação interna, a exclusão unilateral poderia resultar em sanções mais severas. Com a perda desse benefício, a dívida tributária do associativo, que estava na casa dos R$ 280 milhões, passou para aproximadamente R$ 500 milhões. Entenda, em valores aproximados, a dívida do Botafogo O aumento chegou a gerar rumores de que a situação poderia estremecer a relação entre Botafogo e GDA Luma. Fontes da SAF e do clube social, porém, afirmam que a empresa mantém a intenção de assumir o controle do alvinegro. A expectativa de que outros US$ 7 milhões sejam aportados na próxima semana é apontada como um sinal de continuidade das negociações. A SAF, por sua vez, tem uma dívida tributária estimada em R$ 480 milhões. Somados, os débitos fiscais do associativo e da empresa chegam a aproximadamente R$ 1 bilhão. A regularização, no entanto, será negociada separadamente por cada parte com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Após a definição das condições de pagamento, caberá à SAF retomar os pagamentos que estão paralisados atualmente, conforme os termos aplicáveis ao caso. Na recuperação judicial (que não contabiliza passivos fiscais e tributários), a dívida da SAF está estimada em R$ 1,1 bilhão. A tendência é que o valor seja atualizado no próximo relatório do processo, previsto para o dia 21, quarta-feira. Outros compromissos também entram na conta que leva o passivo total do Botafogo a R$ 3,5 bilhões. Os cerca de US$ 50 milhões já aportados pela GDA Luma, por exemplo, continuam contabilizados como empréstimos — e com altos juros —, já que a empresa ainda não assumiu formalmente o controle da SAF. Embora esses valores tenham deixado a lista de créditos da recuperação judicial, eles permanecem registrados como uma obrigação financeira do clube-empresa. Isso mudará quando a GDA assumir o comando do alvinegro de forma definitiva. Há ainda uma obrigação reconhecida de repasses futuros da SAF ao clube associativo. Esses pagamentos estão relacionados a passivos anteriores do social, incluindo dívidas submetidas ao Regime Centralizado de Execuções (RCE) e à Recuperação Extrajudicial (REJ). O valor estimado dessa obrigação é de aproximadamente R$ 360 milhões (R$ 140 milhões no RCE e R$ 220 milhões na REJ), além dos R$ 500 milhões já mencionados do débito fiscal. Por fim, há outros tipos de passivos assumidos pelo Botafogo, como em casos de rescisões recentes de jogadores e treinadores; novas contratações feitas após 21 de abril — data em que o alvinegro entrou com pedido de recuperação judicial —, além de dívidas correntes da SAF. Há, ainda, "receitas a apropriar", que não representa uma dívida efetiva, mas sim receitas que ainda não foram registradas. Este tipo de transação costuma ser registrada como passivo dentro de uma empresa.

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