Sabesp e Comgás têm até esta sexta (15) para prestar esclarecimentos sobre explosão no Jaguaré

 

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A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) deu prazo até esta sexta-feira (15) para que a Sabesp e a Comgás prestem esclarecimentos sobre a explosão ocorrida no bairro do Jaguaré, na Zona Oeste de São Paulo. As duas concessionárias devem apresentar informações preliminares sobre o que aconteceu no momento do acidente.

Na quinta-feira (14), a CBN conversou com um técnico terceirizado da Sabesp que participou da escavação que atingiu uma tubulação de gás. Segundo ele, houve vazamento de gás durante uma hora e quinze minutos e o problema teria sido causado por uma demarcação incorreta feita pela Comgás.

Após a divulgação do relato, Sabesp e Comgás divulgaram nota afirmando que apenas as informações obtidas pela perícia técnica serão consideradas oficiais. As empresas disseram aguardar o resultado das investigações conduzidas pela Polícia Técnico-Científica.

Enquanto as investigações seguem, a Sabesp ampliou o atendimento do auxílio emergencial de R$ 5 mil para toda a comunidade afetada pela explosão, inclusive moradores atingidos indiretamente, seja por danos físicos ou psicológicos.

Até então, o auxílio era destinado apenas às famílias de imóveis classificados como “laranja”, parcialmente interditados, ou “vermelho”, que deverão ser demolidos. Nesta sexta-feira, moradores formaram filas maiores nos arredores dos carros da Sabesp, responsáveis pelo cadastramento dos beneficiários.

A moradora Jéssica relatou dificuldades enfrentadas durante o processo de cadastro.

“Hoje eu vim apresentar o laudo para poder refazer o meu cadastro para comprovar que eu moro aqui. Então as pessoas de fora estavam se aproveitando da situação e acabaram vindo fazer também. Então todo dia, pelo que eu entendi, os cadastros estavam sendo cancelados e estavam tendo que ser refeitos. Aí agora com o laudo tem que ter a comprovação, tudo bonitinho que você mora aqui para poder ser ressarcido.”

Nos primeiros dias após a explosão, os moradores precisavam apenas informar o endereço para receber o auxílio. Agora, a Sabesp passou a exigir comprovante de residência para concluir o cadastro e liberar o pagamento via PIX.

Mesmo com o auxílio, muitos moradores dizem não se sentir seguros para permanecer na região. A moradora Cosma Alves, que vive há mais de 30 anos no bairro e teve a casa interditada, relatou insegurança em continuar morando no local.

“Eu sou uma pessoa de baixa renda, tenho um problema de deficiência, tenho um filho menor e tenho 15 gatos. Eu gostaria que ele me desse uma posição. Porque assim, independente de eu estar aí, quem causou o problema foi a Sabesp, não fui eu. Se eu tenho a oportunidade de ter um lugar melhor, por que não? Não me sinto mais segura. Eu posso até ficar, mas não me sinto segura. Não é o que eu quero.”

Desde quinta-feira (14), começaram as demolições dos cinco imóveis classificados em situação “vermelha”. Outros 22 imóveis permanecem interditados em situação “laranja” e ainda passam por avaliação para definir se poderão ser reformados ou também demolidos.

A explosão deixou duas vítimas fatais. Alex Sandro Ferreira morreu no dia do acidente. Já Francisco Albino morreu nesta quinta-feira (14), após permanecer internado por alguns dias. O velório dele está marcado para esta sexta-feira, às 16h30, no Cemitério da Lapa.