Ryanair busca reduzir custos para compensar aumento da conta de combustível

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Fonte da notícia: Globo Globo

A Ryanair Holdings prevê um aumento significativo de suas despesas com combustível no próximo ano fiscal e está avaliando possíveis cortes de custos para amenizar o impacto, alertando que elevar os preços das passagens e reduzir rotas não será suficiente. A companhia divulgou, nesta segunda-feira (2), os resultados referentes ao segundo trimestre do ano fiscal de 2027.

O conflito no Oriente Médio elevou os custos de combustível para companhias aéreas em todo o mundo, levando-as a aumentar as tarifas e reduzir rotas em um momento em que muitos clientes estão adiando a compra de passagens até a última hora devido à incerteza econômica. “A menos que haja uma solução rápida para o conflito no Oriente Médio, esperamos que os preços do combustível de aviação permaneçam elevados até bem avançado o ano de 2027”, afirmou nesta segunda-feira o diretor-presidente da Ryanair, Michael O'Leary.

“À medida que os contratos de proteção contra oscilações dos preços do petróleo, firmados a valores mais baixos, vencerem antes do verão de 2027, todas as companhias aéreas da União Europeia enfrentarão uma conta de combustível significativamente maior no próximo ano”, acrescentou.

As tarifas de voos de curta distância na Europa devem subir consideravelmente devido ao aumento dos preços do combustível de aviação e aos cortes de capacidade das companhias aéreas. Ainda assim, essas medidas provavelmente não serão suficientes para compensar integralmente um aumento estimado em cerca de 2 bilhões de euros (US$ 2,23 bilhões) nas despesas com combustível da Ryanair no ano fiscal encerrado em março de 2028, considerando os preços atuais dos contratos futuros, informou o grupo aéreo sediado em Dublin.

A companhia afirmou que está avaliando negociações com aeroportos, acordos trabalhistas próximos do vencimento, redução da proporção de tripulantes por aeronave e uso de inteligência artificial para gerar economias. A Ryanair reduziu recentemente sua projeção de tráfego de passageiros para o atual ano fiscal, com o objetivo de diminuir sua exposição ao combustível sem proteção contra oscilações de preços.

A empresa espera que o tráfego cresça 3% no ano fiscal de 2028, para 220 milhões de passageiros, uma vez que prevê que a Agência da União Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) certificará o Boeing 737 MAX 10 nas próximas semanas, abrindo caminho para as primeiras 16 entregas na primavera.

A companhia afirmou que seus resultados para o ano encerrado em março estão bem protegidos da atual volatilidade dos preços do petróleo devido aos contratos de hedge existentes. Enquanto 80% das necessidades de combustível de aviação da Ryanair para o ano fiscal de 2027 estão protegidas a US$ 65 por barril, a cobertura para o ano fiscal de 2028 é de 25%, a US$ 95 por barril, acrescentou.

No último trimestre, o custo do combustível de aviação não protegido por operações de hedge dobrou, contribuindo para um aumento das despesas operacionais que pressionou o lucro do grupo. Ainda assim, a companhia afirmou que planeja iniciar, em fevereiro, um programa de recompra de ações de 800 milhões de euros e anunciou um dividendo intermediário de 27,3 centavos de euro por ação, ante 19,3 centavos de euro um ano antes.

A Ryanair informou que registrou lucro antes de impostos de 1,83 bilhão de euros no trimestre encerrado em 30 de setembro, em comparação com 1,96 bilhão de euros no mesmo período do ano passado. O lucro líquido trimestral recuou 6%, para 1,61 bilhão de euros.

O aumento de 10% nas despesas operacionais compensou o crescimento da receita, que passou de 5,48 bilhões de euros para 5,7 bilhões de euros. Analistas consultados pela Visible Alpha projetavam receita de 5,72 bilhões de euros.

A companhia afirmou que a demanda está forte para o trimestre encerrado em dezembro, com os preços apresentando uma tendência de alta moderada em relação ao mesmo período do ano passado, mas ressaltou que as reservas para o Natal e para o recesso escolar de meio de período determinarão o nível final das tarifas trimestrais.

Com visibilidade limitada sobre o quarto trimestre do atual ano fiscal, ainda é cedo para fornecer uma projeção consistente de lucro para o ano fiscal de 2027, acrescentou a Ryanair.

Publicação Original Globo valor.globo.com
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